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AIEA alertou Japão sobre riscos com terremoto, diz WikiLeaks

16 mar 2011
15h41
atualizado às 15h49

O Japão foi avisado, há mais de dois anos, pela vigilância nuclear internacional que suas usinas não seriam capazes de resistir a terremotos. A informação consta em telegramas oficiais obtidos pelo site WikiLeaks, e foi publicada nesta quarta-feira pelo jornal britânico The Telegraph.

Imagem de satélite da usina nuclear de Fukushima, que sofreu danos nas unidades 1,3 e 4 após o terremoto
Imagem de satélite da usina nuclear de Fukushima, que sofreu danos nas unidades 1,3 e 4 após o terremoto
Foto: AP

Segundo o WikiLeaks, um funcionário da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse, em dezembro de 2008, que as regras de segurança estavam desatualizadas e terremotos fortes constituiam um "problema grave" para as centrais nucleares.

Na época, o governo do Japão, um dos países mais sismologicamente ativos no mundo, se comprometeu a aumentar a segurança em todas as suas usinas nucleares, mas, como destaca o The Telegraph, pode precisar responder agora se as medidas adotadas foram suficientes.

De acordo com Wikileaks, houve a construção de um centro de resposta de emergência na unidade de Fukushima, local onde ocorreram os vazamentos radioativos devido ao terremoto e ao tsunami da semana passada, mas ele foi concebido para suportar tremores de magnitude 7,0. Na sexta-feira, o terremoto atingiu a marca de de 8,9 graus na escala Richter, segundo os Estados Unidos (o Japão considera que o terremoto foi de 9 graus).

Os documento do WikiLeaks dizem ainda que o funcionário da AIEA explicou que os guias de medidas para segurança sísmica só foram revistos por três vezes nos últimos 35 anos.

Terremoto e tsunami devastam Japão
Na sexta-feira, 11, o Japão foi devastado por um terremoto que, segundo o USGS, atingiu os 8,9 graus da escala Richter, gerando um tsunami que arrasou a costa nordeste nipônica. Fora os danos imediatos, o perigo atômico permanece o maior desafio. Diversos reatores foram afetados, e a situação é crítica em Fukushima, onde existe o temor de um desastre nuclear.

Juntos, o terremoto e o tsunami já deixaram mais de 4,3 mil mortos e dezenas de milhares de desaparecidos. Além disso, os prejuízos podem chegar a US$ 200 bilhões. Em meio a constantes réplicas do terremoto, o Japão trabalha para garantir a segurança dos sobreviventes e, aos poucos, iniciar a reconstrução das áreas devastadas.

Fonte: Terra
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