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AI teme que Kim Jong-un intensifique repressão

19 dez 2011
14h24
atualizado às 15h02

A Anistia Internacional (AI) afirmou nesta segunda-feira que a morte de Kim Jong-il abrirá uma oportunidade para melhorar "o histórico catastrófico dos direitos humanos" na Coreia do Norte, apesar de que seu sucessor, Kim Jong-un, possivelmente deverá intensificar a repressão.

A AI apontou que no último ano as autoridades do regime comunista executaram ou enviaram para campos de concentração "centenas de pessoas vistas como uma ameaça para a sucessão de Kim Jong-un, filho mais novo do falecido líder Kim Jong-il".

"As informações do último ano indicam que Kim Jong-un e seus partidários vão tratar de consolidar o novo mandato intensificando a repressão e diminuindo qualquer possibilidade de oposição", indicou Sam Zarifi, responsável de Anistia na área da Ásia-Pacífico.

Segundo Zarifi, "Kim Jong-il, assim como seu pai, deixou milhões de norte-coreanos na pobreza, sem acesso aos alimentos e a saúde, e com milhares de pessoas aprisionadas em brutais campos de concentração".

Anistia Internacional lembra que em 1994, quando Kim Jong-il assumiu o poder após morte de seu pai - Kim II-sung, o fundador do regime norte-coreano -, milhares de pessoas foram presas, sendo que os opositores políticos foram executados "em segredo ou publicamente, isso após julgamentos injustos e, inclusive, sem julgamentos".

A AI reivindicou a melhora da situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, com a imediata libertação dos presos políticos, o fim da tortura e das execuções sumárias e garantias para a liberdade de expressão e religião no país.

Ao mesmo tempo, a organização defensora dos direitos civis, com sede em Londres, pediu ao Governo norte-coreano e aos doadores internacionais que garantam alimentos aos mais necessitados no país comunista, onde quase um milhão de pessoas morreram desde os anos 90 por falta de comida.

"A população da Coreia do Norte não deveria sofrer mais privações por causa da incerteza política", assinalou AI, que insistiu em que um terço da população da Coreia do Norte sofre com a falta de alimentos e possuem problemas para receber saneamento básico.

"Anistia Internacional recebeu relatórios de gente que sobrevive comendo erva e cortiças de árvore, sobre o uso de seringas não esterilizadas e sobre muitas cirurgias realizadas sem anestesia", completou a associação.

Morre Kim Jong-il
O líder norte-coreano, Kim Jong-il, morreu nesse sábado, 17 de dezembro, vítima de "fadiga física", quando realizava uma viagem de trem. Sua morte só foi anunciada nessa segunda, 19, pela agência estatal norte-coreana. Após receber a notícia, o governo e o Exército da Coreia do Sul entraram em estado de alerta, enquanto a população da Coreia do Norte chorava o falecimento do líder, que abre espaço para ascensão de seu filho, Kim Jong-un, provável herdeiro em Pyongyang.

Jong-il, 69, comandava a Coreia do Norte desde 1994, após a morte de seu pai, Kim Jong-sun, fundador do país. Durante 17 anos, cultivou um dos regimes mais fechados do mundo, baseado no culto de si e do sistema comunista. O governo hermético não impediu que idiossincrasias de Jong-il viessem a público, como o autoproclamado título de inventor do hambúrguer, formando a imagem complexa de um líder excêntrico de um país isolado do mundo, cujo futuro na península coreana é agora incerto.

Kim Jong-un é o mais cotado para suceder o pai na liderança da Coreia do Norte
Kim Jong-un é o mais cotado para suceder o pai na liderança da Coreia do Norte
Foto: AP
EFE   
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