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Argentinos e uruguaios aderem à Marcha da Maconha

7 mai 2011 17h22
| atualizado às 18h47
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Centenas de defensores da descriminalização da maconha realizaram neste sábado passeatas pela causa nas ruas de Buenos Aires e de Montevidéu, em apoio ao movimento internacional Marcha da Maconha, que, segundo os organizadores, promoveu manifestações em 40 países, incluindo o Brasil.

Na Argentina, 23 grandes cidades aderiram ao movimento. Na capital, cerca de mil manifestantes marcharam da Praça de Maio, em frente à Casa Rosada - sede do governo -, até o Parlamento, reivindicando também um "plano nacional de atendimento aos usuários, universal e gratuito".

Mas a prioridade do movimento é a "derrogação imediata" das leis que proíbem a posse de drogas e o cultivo da maconha para "acabar com a criminalização, discriminação e maus-tratos contra os usuários", afirmou aos jornalistas o ativista Matías Faray, que ficou 15 dias detido por cultivar a planta de cannabis.

Faray acusou as prisões argentinas de estarem "lotadas" de viciados ou consumidores esporádicos, enquanto os traficantes "estão enriquecendo". "Descriminalizar o consumo é combater o narcotráfico", declarou a deputada Cecilia Merchán, que, junto a sua colega Victoria Donda, é autora de um dos projetos de lei que tramitam no Parlamento argentino desde o ano passado.

A parlamentar destacou que "há vários projetos" em discussão, mas ainda não se constatam avanços. "De todos os processos na Justiça referentes a drogas, apenas 3% envolvem traficantes", criticou. "É preciso reverter essa relação. Prendem-se os consumidores ou viciados, em vez de aprofundar a luta contra as facções de traficantes", exclamou a deputada.

No Uruguai, os ativistas se concentraram no Parque Rodó, em Montevidéu, durante uma tarde de música e atividades centradas na reivindicação pela liberalização da maconha. Os manifestantes uruguaios se mostraram satisfeitos com os últimos avanços sobre o tema no país, disse um dos porta-vozes da organização do movimento, Juan Vaz.

"Na realidade, acreditamos que seremos em breve o primeiro país latino-americano onde o cultivo da maconha será respaldado pela lei", afirmou Vaz, referindo-se às propostas que tramitam no Parlamento uruguaio para descriminalizar a droga. "Nos sentimos como revolucionários que estão ganhando sua revolução. Estamos organizados e só reivindicamos mais garantias para o autoabastecimento de maconha. A verdade é que nossas exigências foram bem respondidas e o povo nos dá razão, a Justiça também e os deputados trabalham nisso", comemorou Vaz.

Mulher usa um colar de folhas de maconha em protesto pela legalização da droga na Argentina
Mulher usa um colar de folhas de maconha em protesto pela legalização da droga na Argentina
Foto: AFP
EFE   
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