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Após ataque, Paquistão fecha fronteiras a veículos da Otan

26 nov 2011 16h13
| atualizado às 20h28
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O governo do Paquistão decidiu fechar suas fronteiras com o Afeganistão aos veículos que transportam provisões para as forças da Otan e exigiu que a organização retire em quinze dias uma base de aviões instalada em seu território após o bombardeio da Aliança Atlântica que matou por engano 28 soldados paquistaneses na fronteira com o Afeganistão, informou o governo em Islamabad.

O Paquistão também decidiu neste sábado revisar suas relações diplomáticas e militares com os Estados Unidos e a Otan. A decisão, que afetará todos os acordos diplomáticos, políticos, militares e de inteligência, foi adotada em reunião extraordinária dos ministros e chefes militares presidida pelo primeiro-ministro paquistanês, Yusuf Raza Gilani, destaca o comunicado.

O governo do Paquistão acusa a Otan de matar 28 soldados paquistaneses neste sábado na zona de fronteira com o Afeganistão, no pior incidente deste tipo em 10 anos.

O porta-voz da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan no Afeganistão, o general alemão Carsten Jacobson, admitiu que aparelhos da força "muito provavelmente causaram as baixas" paquistanesas.

O ataque da Otan ocorreu de madrugada em uma zona tribal da fronteira entre Paquistão e Afeganistão, um tradicional reduto de talibãs e da rede Al-Qaeda, que realizam operações constantes contra tropas da Otan em território afegão.

Segundo o general Jacobson, as tropas regulares afegãs e as da Isaf que operavam na província afegã de Kunar (leste) pediram apoio aéreo e "é muito provável que esse apoio aéreo tenha causado as baixas".

De acordo com Islamabad, helicópteros da Otan bombardearam durante a madrugada um posto militar paquistanês em Baizai, no distrito tribal de Khyber, na fronteira com o Afeganistão.

O premier Yusuf Raza Gilani protestou "nos termos mais enérgicos" com a Otan e os Estados Unidos, país que dirige a coalizão internacional no Afeganistão, enquanto oficiais paquistaneses afirmavam que o ataque foi "deliberado".

Em Cabul, a Isaf confirmou que um "incidente ocorreu" e garantiu que realizará uma "investigação profunda", já que soldados paquistaneses "podem ter sido mortos ou feridos".

Após o incidente, o Paquistão ordenou o bloqueio dos comboios de abastecimento da Otan no Afeganistão que passam por seu território. Uma caravana de caminhões que se encontrava perto de cruzar a fronteira em Khyber "foi reenviada a Peshawar", principal cidade do nordeste do país, disse Muthair Hussein, responsável pela administração de Khyber, por onde pasam as cargas de provisões da Otan.

Nos últimos anos, o Paquistão denunciou por diversas vezes a violação do espaço aéreo nacional por parte da Isaf. A última crise ocorreu em setembro, quando Islamabad acusou a força internacional de matar dois soldados paquistaneses.

Já nesta oportunidade Islamabad ordenou o bloqueio dos comboios de abastecimento da Otan. A fronteira ficou fechada por duas semanas, e só foi reaberta depois que o governo dos Estados Unidos pediu desculpas formalmente.

A grande maioria das provisões da Otan no Afeganistão chega por barco até Karachi, porto do sul do Paquistão, e depois transita por terra através de Peshawar e pela fronteira de Khyber, ou através de Quetta e da cidade fronteiriça de Chaman.

Caminhões de abastecimento destinados às tropas da Otan ficam parados no posto fronteiriço de Toorkham, no Paquistão
Caminhões de abastecimento destinados às tropas da Otan ficam parados no posto fronteiriço de Toorkham, no Paquistão
Foto: EFE
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