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11 de fevereiro de 2010 • 06h03 • atualizado às 09h30

Aniversário de libertação de Mandela reaviva luta por igualdade

Simpatizantes do partido governista fazem passeata em frente a prisão de Groot Drakenstein, na cidade de Paarl
Foto: AFP

O 20º aniversário da libertação de Nelson Mandela, após 27 anos de prisão, que se celebra nesta quinta, reavivou na África do Sul o espírito da luta pela igualdade, apesar das injustiças que permanecem 20 anos depois da queda do regime do apartheid.

O Conselho Nacional do Patrimônio sul-africano intitulou ontem o presídio Victor Verster, onde foi libertado Mandela, como monumento nacional, ao considerá-lo um dos símbolos da luta pela libertação da África do Sul, disse à imprensa seu diretor, Sonwabile Mangcotywa.

Mandela foi levado em 1988 a essa prisão, agora chamada Centro Correcional Drakenstein, próximo à Cidade do Cabo. Antes ele estava na prisão de Robben Island, onde passou a maior parte de seus 27 anos como detento. Da Victor Verster, ele foi libertado em um momento em que o país estava à beira de uma guerra civil.

Em 11 de fevereiro de 1990, Mandela, pelas mãos de sua esposa Winnie, saiu ovacionado da prisão e fez seu primeiro passeio em liberdade em quase três décadas, levando o país a um regime democrático, que culminou em 1994, quando foi eleito, por sufrágio universal, primeiro presidente negro da África do Sul.

Hoje, o arcebispo anglicano Desmond Tutu, outro ativista pela liberdade, pediu aos sul-africanos que recuperem "o espírito do dia em que Nelson Mandela foi libertado. Devemos recuperar o espírito articulado por Steve Biko (uma das figuras mortas na luta contra o segregacionismo). Não devemos esquecer o passado".

Tutu, que como Mandela foi agraciado com o Nobel da Paz por sua luta contra o apartheid, lembrou em comunicado o dia em que Mandela deixou a prisão como o dia em que "nosso espírito coletivo aumentou" e a data que marcou "o princípio do fim da indignidade".

"Agora, 20 anos e quatro eleições gerais depois, nossa incipiente democracia está aprendendo a andar. Muito já foi conseguido", disse Tutu. Ele lembrou que vários de seus compatriotas "sobrevivem na miséria, ajudam escolas mal-equipadas e se apertam como sardinhas em microônibus".

No entanto, para Tutu, ainda "há muitíssimo a ser conseguido".

Ele expressa o desejo de que "os frutos da democracia cheguem às mesas de todo nosso povo".

Em frente à entrada da prisão de Victor Verster, o Congresso Nacional Africano (CNA) - partido de Mandela - organizará hoje uma concentração para comemorar o acontecimento.

O CNA espera reunir cerca de 20 mil pessoas no local, entre elas os dirigentes do partido, mas sem a presença de Mandela. O ídolo nacional, que governou o país entre 1994 e 1999, faz pouquíssimas aparições públicas ultimamente, com seus 91 anos.

Mandela irá pela tarde ao discurso sobre o estado da nação, que o atual presidente, Jacob Zuma, pronunciará no Parlamento da Cidade do Cabo.

Zuma, quarto presidente negro da África do Sul, após Mandela, Thabo Mbeki e Kgalema Motlanthe, deve fazer um longo discurso sobre o significado da data, mas não poderá falar sobre a grave situação econômica do país e a perda de quase 1 milhão de postos de trabalho nos nove primeiros meses de 2009.

Em seu discurso de posse em maio passado, Zuma prometeu criar 500 mil empregos em um ano, mas os números mostram que fracassou em sua tentativa. Tanto os sindicatos, seus aliados, quanto a oposição pedem soluções para a situação.

Alguns atos e exposições foram programadas para comemorar essa data, a maioria deles na Cidade do Cabo. Entre os eventos, está programado um almoço que o presidente Zuma oferecerá a políticos veteranos e um festival de cinema denominado "Free at last" (Livre ao fim).

Há nove dias, o ex-presidente sul-africano Frederik de Klerk, também pronunciou um discurso no 20º aniversário de seu anúncio, perante o Parlamento branco da Cidade do Cabo, do fim do regime segregacionista e da libertação de Mandela.

De Klerk, que compartilhou o Nobel da Paz com Mandela, ressaltou que seu anúncio "evitou uma catástrofe". Além disso, afirmou que "os nove dias que passaram entre meu discurso e a libertação de Nelson Mandela, em 11 de fevereiro, mudaram a África do Sul para sempre".

EFE