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Venezuela: Justiça libera 41 manifestantes presos em protesto

Depois de uma maratona de audiências, detidos pelas forças militares foram liberados; ativistas planejam uma marcha contra o governo em Caracas

2 mar 2014
11h24
atualizado às 12h07
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A Justiça da Venezuela decidiu na madrugada deste domingo conceder liberdade às 41 pessoas que foram presas na sexta-feira à noite pela Guarda Nacional Bolivariana em Altamira, área residencial localizada na região metropolitana da capital, Caracas. Altamira se tornou um bastião do fechamento de ruas e manifestações que têm proliferado na Venezuela nos últimos 18 dias, em protesto contra as ações do presidente Nicolás Maduro e a crise do país.

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Cruzes com nomes de vítimas da violência na Venezuela são fixadas nas areias da praia em Puerto La Cruz
Foto: Reuters

Francesca Commissari, uma fotojornalista italiana, estava entre os apreendidos no grupo e recebeu total liberdade, assim como um cidadão de origem portuguesa - o que significa que eles foram isentos de todas as acusações. Os outros 39 detidos - entres os quais havia três adolescentes - continuarão sendo processados pela Justiça por diversos crimes, mas responderão em liberdade e, portanto, devem se apresentar periodicamente perante os juízes.

Eles são acusados, entre outros delitos, de obstrução de vias públicas, incitação ao crime e posse de objetos incendiários. O progresso das investigações criminais vai definir se eles serão encaminhados para júri popular, se os casos vão ser arquivados ou se todos serão totalmente liberados de responsabilidade, como aconteceu com a fotojornalista italiana e o cidadão português.

A operação especial da Força Armada Nacional foi alvo de críticas de defensores dos direitos humanos. Ligia Bolívar, diretora do Centro de Direitos Humanos da Universidade Católica Andrés Bello, questionou em declarações à imprensa local o que considerou uma ação indiscriminada das tropas - porque repórteres e transeuntes também foram presos.

A rede Venezolana de Televisión, canal público do governo, disse na sexta-feira que entre os presos havia oito terroristas procurados internacionalmente. Os resultados da audiência de ontem contradizem essas alegações, que desde sua formulação foram tomadas como uma tentativa de criminalizar o protesto. "A mídia do Estado os qualificou como terroristas a priori , se transformando em juiz e júri, sem qualquer investigação prévia. Isso constitui uma ofensa grave, uma irresponsabilidade", declarou a ativista ao El Nacional.

Advogados envolvidos com a causa alegaram que os detidos deixaram provas perante juízes e promotores de que os militares que os prenderam roubaram telefones celulares, cartões de crédito e também câmeras fotográficas.

Uma grande marcha está sendo convocada por estudantes e opositores venezuelanos para este domingo com o lema "Caracas de mobiliza". A mobilização dá sequência às manifestações iniciadas há quase um mês e que deixaram 18 mortos, mais de 250 feridos e dezenas de denúncias de violação dos direitos humanos.

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Especial para Terra

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