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Tsunami mata no Chile, mas poupa outras áreas em alerta

27 fev 2010
22h56
atualizado em 28/2/2010 às 01h10
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O tsunami provocado pelo terremoto de 8,8 graus de magnitude que atingiu o Chile neste sábado matou ao menos cinco pessoas e deixou 11 desaparecidos no território chileno, mas não afetou diversas áreas colocadas em alerta no Oceano Pacífico. Na remota ilha de Robinson Crusoé, a 700 km da costa chilena, ondas enormes mataram ao menos cinco pessoas e deixaram 15 desaparecidos, segundo o prefeito de Valparaiso, Iván de la Mesa.

Homem se desespera abraçado ao filho, após terremoto em Concepcion
Homem se desespera abraçado ao filho, após terremoto em Concepcion
Foto: AP

O local, com cerca de 600 habitantes, que inspirou o narrador inglês Daniel Defoe a escrever Robinson Crusoé, foi varrido por uma série de ondas que atingiram especialmente a baía de Cumberland. Na baía de Cumberland havia três pousadas, a prefeitura e várias repartições públicas.

O tsunami também atingiu a costa sul do Chile, com ondas gigantes entrando pela cidade de Talcahuano, próxima a Concepción, uma das zonas mais abaladas pelo terremoto. "Estamos falando de um maremoto. Isto não tem outro nome", disse Carmen Fernández, diretora do Bureau Nacional de Emergências (Onemi), sem informar o número de vítimas do tsunami.

O terremoto matou pelo menos 300 pessoas e provocou sérios danos na região centro-sul do Chile, especialmente na zona de Concepción. O tsunami colocou uma vasta área do Pacífico em estado de alerta, incluindo Havaí, Califórnia, Austrália, Filipinas e Polinésia, mas estas regiões foram atingidas apenas por pequenas vagas.

Na Austrália, as autoridades registraram uma elevação do nível do mar de apenas "alguns centímetros", e no Havaí houve um aumento do nível do mar de menos de um metro (3 pés). Na Califórnia, o fenômeno foi mínimo.

Na Polinésia, o arquipélago das Marquesas (nordeste) foi atingido por uma série de ondas de quase 2 m, mas exceto por danos menores em barcos, não ocorreram maiores problemas. O mar recuou cerca de 15 m entre uma onda e outra, segundo um funcionário local.

As ilhas de Tahiti e Moorea, onde vive a maior parte da população polinésia, foram atingidas por vagas de menos de 50 cm, do mesmo modo que as ilhas Gambier. O alerta de tsunami permanecia na manhã deste domingo (horário local) para o Japão, onde as autoridades advertiam a população para ondas de até 3 m de altura.

"Um tsunami de até 3 m pode atingir o litoral japonês do Pacífico", declarou à imprensa um funcionário da agência sismológica, Yasuo Sekita, prevendo a pior situação no norte e nordeste da grande ilha de Honshu, nas zonas de Aomori, Iwate e Miyagi.

Tragédia no Chile
Centenas de pessoas morreram após o terremoto de 8,8 graus na escala Richter registrado na madrugada de sábado (27) no Chile. A contagem de corpos pode passar de 300, e o número de afetados, de 2 milhões, segundo o governo. A presidente Michelle Bachelet declarou "estado de catástrofe" no país.

O tremor teve epicentro no mar, a 59,4 km de profundidade, na região de Maule, no centro do país e a 300 km ao sul da capital, Santiago. Por isso, foi enviado um alerta de tsunami ao chile, Peru e Equador. Segundo fontes oficiais, o terremoto aconteceu às 3h26 pelo horário local (mesmo horário em Brasília). O número de vítimas mortais e de feridos pode aumentar.

Efeitos do estrago
Os danos materiais do terremoto ainda estão sendo avaliados. O muro de uma prisão veio abaixo com o abalo sísmico, o que causou a fuga de mais de 200 detentos na cidade de Chillán, a 401 quilômetros de Santiago. O aeroporto internacional de Santiago foi fechado devido a alguns danos em suas instalações, e várias pontes ficaram danificadas. A luz e o serviço de telecomunicações estão cortadas na região metropolitana e em Valparaíso foram registrados danos internos em edifícios. Os bombeiros correm as ruas de Santiago com megafones dando instruções à população.

Em alguns lugares, falta água potável. Pelo menos três hospitais na capital desabaram e na cidade de Concepción, cerca de 400 km ao sul de Santiago, o edifício do governo local desmoronou e pacientes estavam sendo transferidos dos hospitais, segundo rádios chilenas.

Mais forte que no Haiti
O movimento sísmico, muito mais poderoso que o mortífero terremoto que devastou o Haiti em janeiro, também causou pânico no popular balneário de Viña del Mar. De manhã, policiais e bombeiros percorriam as ruas em distintas cidades do país para verificar a magnitude dos danos e socorrer vítimas.

O terremoto ocorreu poucos dias antes de completar 25 anos do sismo que causou centenas de vítimas e destruiu várias localidades no litoral central do Chile, em 3 de março de 1985.

Com informações da Reuters, EFE e 20 minutos.es

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