Soldados brasileiros atiram para conter tumulto no Haiti

atualizado às 10h23
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Soldados brasileiros da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) tiveram que atirar para o alto e lançar bombas de gás lacrimogêneo para conter um tumulto que surgiu durante uma distribuição de ajuda organizada sábado em Porto Príncipe, constatou um fotógrafo da

infográfico info haiti grana assistência internacional
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Foto: Reuters

AFP

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A distribuição de comida, óleo de soja, água e rádios organizada em um antigo aeroporto militar começou na calma, com duas longas filas de haitianos aguardando tranquilamente. A maioria deles ainda não havia recebido qualquer ajuda desde o mortífero terremoto do dia 12.

No entanto, após algumas brigas isoladas, a situação degenerou e a multidão avançou na ajuda, obrigando os militares brasileiros a fazer disparos de advertência e a lançar bombas de gás lacrimogêneo.

Ainda não se sabe se a distribuição pôde ser concluída.

A porta-voz do Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs, mencionou um "incidente isolado", e destacou que poucos casos de violência têm sido observados durante as operações humanitárias.

"É normal que haja incidentes isolados deste tipo, provocados pela exasperação e o desespero", comentou.

"A situação continua sob o controle da Minustah. Estes atos de violência não são representativos do povo haitiano. A população tem se mostrado calma e digna", afirmou.

Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti no último dia 12, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 75 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, o tenente da Polícia Militar do Distrito Federal Cleiton Batista Neiva, e pelo menos 18 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto. Também foi confirmada a morte de uma brasileira com dupla nacionalidade, cuja identidade não foi divulgada.

O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

AFP    

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