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Senador refugiado em embaixada em La Paz deixa Bolívia e foge para o Brasil

Roger Pinto estaria em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, perto da fronteira com a Bolívia

24 ago 2013 18h46
| atualizado em 4/12/2013 às 15h45
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O senador boliviano Roger Pinto, em foto de 2008
O senador boliviano Roger Pinto, em foto de 2008
Foto: EFE

O senador opositor boliviano Roger Pinto, que estava refugiado na embaixada brasileira em La Paz desde 28 de maio de 2012, abandonou a legação diplomática, saiu de seu país e está no Brasil, disseram neste sábado à Agência Efe fontes próximas ao caso.

"Já está no Brasil e nas próximas 48 horas convocará uma entrevista coletiva, que possivelmente será em Brasília", disse a fonte, que pediu absoluto anonimato e alegou "razões de segurança" em função da delicadeza do assunto.

"Não podemos antecipar nenhum detalhe sobre o assunto. É tudo muito delicado", disse a fonte.

Os fatos foram confirmados por outras fontes diplomáticas consultadas pela Efe, que inclusive disseram que o senador está em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, cidade próxima à fronteira com a Bolívia.

De acordo com as informações, familiares de Roger Pinto foram para Brasileia, município do Acre que também fica próximo da fronteira com a Bolívia, e planejam se encontrar com o político "nas próximas horas".

Outras fontes disseram à Efe que o governo brasileiro já foi informado sobre o assunto e que houve uma reunião de emergência que contou com a participação do assessor de Assuntos Internacional da Presidência, Marco Aurelio Garcia.

O senador, acusado de diversos crimes de corrupção na Bolívia, refugiou-se na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012. Após dez dias de ser recebido na embaixada, o governo brasileiro concedeu ao senador o status de asilado político.

A Bolívia, no entanto, não forneceu o salvo-conduto necessário para Pinto viajar ao Brasil, sob a alegação de que o senador deve responder a diversas acusações de corrupção. Em junho, o político foi condenado a um ano de prisão por um tribunal boliviano, que o declarou culpado de danos econômicos ao Estado calculados em cerca de US$ 1,7 milhão.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse dias depois que o governo da presidente Dilma Rousseff "garantia" a segurança do senador boliviano. O chanceler também explicou que o governo prosseguia com negociações "confidenciais" com as autoridades bolivianas para tentar solucionar a situação.

Reação
A ministra de Comunicação da Bolívia, Amanda Davila, disse, pelo Twitter, que espera o governo brasileiro confirmar por "via diplomática" que o senador saiu da embaixada em La Paz. Davila enfatizou que o salvo-conduto para que Pinto abandonasse a Bolívia "era imprescindível" e por isso, segundo sua opinião, hoje está se falando de uma "suposta fuga". "O governo boliviano não deu, porque a lei impede, nenhum salvo-conduto para Pinto, para o Brasil nem outro país", ressaltou.

O governo de La Paz sempre rejeitou dar esse salvo-conduto porque Pinto responde a uma série de acusações na Bolívia por corrupção. Em junho, o senador chegou a ser condenado a um ano de prisão por uma das acusações.

Também pelo Twitter, o vice-ministro de Gestão de Comunicações, Sebastián Michel, afirmou que "quem tem que oficializar a saída de Pinto é a embaixada do Brasil" e que as autoridades da Bolívia não podem "especular".

Por outro lado o ex-governador opositor da região de Beni Ernesto Suárez, comemorou que "finalmente" o senador, "um grande amigo" e "perseguido político", "pôde se reunir com sua família. 

EFE   
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