América Latina

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21 de abril de 2013 • 21h18

Saiba quem é Horacio Cartes, o novo presidente do Paraguai

Horacio Cartes, do Partido Colorado, é um empresário do ramo de cigarros do Paraguai
Foto: Divulgação
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O empresário Horácio Cartes, 65 anos, que foi eleito presidente do Paraguai pelo Partido Colorado neste domingo, é dono de uma empresa do setor tabagista, a Tabacos del Paraguay S. A., e de uma produtora de bebidas chamada Bebidas del Paraguay, além de ser o  dirigente da equipe de futebol Libertad. Cartes formou-se como técnico em motores de avião em uma escola de Tulsa, em Oklahoma nos Estados Unidos. Tinha apenas 19 anos quando deu início às suas atividades comerciais.

A entrada de Horacio na política ocorreu em 2009, com sua filiação ao Partido Colorado. No ano seguinte, ele ajudou a fundar o Movimento Honor Colorado (Movimento Honra Colorada), sob a liderança do ex-presidente, Nicanor Duarte Frutos.

Ganhou as eleições internas do Partido Colorado ocorridas em novembro de 2012, superando o candidato da Frente para la Victoria, Javier Zacarías Irún,  quando este se converte em candidato oficial à presidência do país.

Acusações de lavagem de dinheiro e narcotráfico
Em um dos relatórios da "CPI da Piratería" da Câmara de Deputados do Brasil, a empresa de propriedade de Cartes, a TABESA (Tabacalera del Este SA), de Ciudad del Este, figura como uma das  empresas que contrabandeiam cigarros paraguaios ao país vizinho. Ou seja, o novo presidente do Paraguai pode estar envolvido em um sistema a de contrabando de cigarros que abastece o mercado informal brasileiro.

Além disso, executivos relacionados com as empresas de Cartes, como Juan Carlos Ramírez Villanueva e Eduardo Campos Marín, têm os nomes envolvidos em investigações por crimes econômicos no Brasil. Como o seguinte decreto do Superior Tribunal de Justicia brasileiro: "o  Superior Tribunal de Justiça decretou a prisão preventiva do paraguaio Juan Carlos Ramírez Villanueva, acusado por crimes de lesa ao sistema financeiro nacional, pelo suposto desaparecimento de mais de  35 milhões de reais em operação não autorizada pelo mercado".   

Em março de 2000, a Dinar apreendeu 343 quilos de maconha e 20 quilos de cocaína de um dos aviões que aterrissaram na fazendo Esperanza, de propriedade de Horacio Cartes. Além disso, o mais novo representante do Partido Colorado no Paraguai, comprou, na década de 90, uma fazenda que pertencia ao brasileiro Milton Machado, o qual esteve envolvido em denúncias de que aviões carregados com cocaína haviam sido interceptados em nesse local.

Os principais desafios do próximo presidente do Paraguai
Tirar da informalidade um contingente de 65,8%, segundo dados da Organização Mundial do Trabalho, e criar empregos para os milhares de imigrantes que se dirigem a países vizinhos, como a Argentina, em busca de melhores condições de trabalho, são alguns dos desafios de Horacio Cartes. Além disso, ele precisará resolver o problema da superlotação na saúde pública e lidar com uma nova epidemia de dengue que já vitimou cerca de 45 pessoas, e contaminou cerca de 65 mil.

Outro desafio do novo presidente é reformar o sistema previdenciário do país, que carece de ajustes. Segundo dados da Direção de Aposentadorias do Comitê de Reformas Legais, o Paraguai segue tendo um dos piores níveis de cobertura por parte da Previdência Social da América Latina, com menos de 23% da população protegida.

Reintegração do Paraguai ao Mercosul
Desintegrado do Mercado Comum do Sul dias depois do impeachment sofrido por Fernando Lugo, o país espera que, com as eleições, o bloco reveja seu posicionamento e volte a considerar o Paraguai como paós grato. Sobre o assunto, a União dos Países Sul-americanos declarou, em entrevista coletiva concedida no sábado, que "tudo dependerá dos informes relativos ao processo eleitoral no tocante à transparência do ato de transferência dos cargos".

A data levantada por ele para o veredicto seria 15 de agosto. No entanto, o coordenador da Missão da Unasul no Paraguai, Alejandro Túlio, advertiu que esse tempo pode ser encurtado, conforme a avaliação do órgão sobre as eleições deste domingo.

Exatamente depois da desvinculação do Paraguai ao Mercosul, Argentina, Brasil e Uruguai incluíram a Venezuela,  a qual havia tido a entrada no bloco vetada pelo Parlamento paraguaio. Somada a expectativa acerca da volta do Paraguai ao Mercosul, está a dúvida sobre o posicionamento que o país terá frente ao novo membro do Mercado Comum, a Venezuela.

Com informações do jornal paraguaio ABC Color.

Especial para Terra