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Raúl Castro deve ser reeleito este domingo para seu último mandato em Cuba

24 fev 2013
16h31
atualizado às 16h33

O novo Parlamento cubano se constituiu este domingo para escolher os 31 membros do Conselho de Estado, mais alto órgão executivo da ilha, em um processo que, salvo ocorra uma surpresa de última hora, terminará com a reeleição do presidente Raúl Castro para seu último mandato, no qual deverá preparar o dirigente que o sucederá em 2018.

O novo Conselho de Estado deve escolher sua nova direção este domingo, uma decisão que deverá ser conhecida até as 20h00 de Brasília, e todos apostam na reeleição do presidente, Raúl Castro, apesar de ele ter brincado na sexta-feira, ao dizer que poderia renunciar.

"Vou renunciar. Já vou fazer 82 anos, tenho o direito de me aposentar. Não acham?", disse Raúl Castro sorrindo para os jornalistas.

Raúl Castro e seu irmão, Fidel, de 86 anos, afastado do poder desde 2006 devido a problemas de saúde, participaram da sessão de formação do novo Parlamento, de 612 membros, disse a Agência de Informação Nacional (AIN). Os dois irmãos foram reeleitos deputados em 3 de fevereiro.

Na sessão, iniciada por volta das 07h00 locais (12h00 de Brasília), os parlamentares ovacionaram Fidel, noticiou a agência cubana Prensa Latina. A imprensa estrangeira não teve acesso à sessão de abertura, mas está convidada à de encerramento, ao final da tarde, na qual Raúl Castro fará seu discurso.

Em seu último mandato, Raúl Castro deveria continuar com as reformas empreendidas desde que sucedeu Fidel e preparar o novo líder que governará a ilha comunista a partir de 2018, pela primeira vez desde 1959 sem os irmãos Castro, no âmbito da incerteza pela doença do presidente venezuelano, Hugo Chávez, grande benfeitor de Cuba.

Como os observadores apostam na continuidade de Raúl, as especulações giram em torno dos outros membros do Conselho de Estado, entre eles dois dirigentes históricos: o primeiro vice-presidente José Ramón Machado Ventura, de 82 anos, e o vice-presidente Ramiro Valdés, de 80.

"Se, como disse Fidel Castro a (o ex-dirigente sandinista nicaraguense) Tomas Borge, 80 anos são muitos para cumprir funções de Estado', por imperativo biológico, o Conselho de Estado terá que renovar sua primeira vice-presidência e uma ou duas de suas vice-presidências a curto prazo", disse à AFP o analista Arturo López-Levy, da Universidade de Denver (Colorado, EUA).

Um dos vice-presidentes, Esteban Lazo, de 68 anos, deixou o Conselho este domingo, após ser eleito como novo presidente do Parlamento em substituição a Ricardo Alarcón, de 75 anos, um acadêmico e ex-chanceler que o presidiu durante 20 anos e que não foi reeleito deputado.

Os outros vice-presidentes do Conselho são Abelardo Colomé (73) e Gladys Bejerano (66).

"Certamente serão eleitos ao Conselho de Estado dirigentes que se mostram com mais possibilidades de dirigir o país depois de 2018", disse à AFP o cientista político cubano Carlos Alzugaray.

Três homens se alinham para a cúpula do poder após esta data:

Miguel Díaz-Canel, um engenheiro elétrico que fará 53 anos em abril, ex-ministro de Educação Superior que desde março de 2012 é um dos oito vice-presidentes do Conselho de Ministros;

Marino Murillo, economista de 52 anos, vice-presidente do Conselho de Ministros e encarregado de supervisionar as reformas econômicas;

Bruno Rodríguez, advogado e diplomata de 55 anos, ministro das Relações Exterioores desde 2009 e que em dezembro ingressou no birô político do todo-poderoso Partido Comunista de Cuba (PCC, único).

Os 31 membros do Conselho de Estado serão escolhidos pelo novo Parlamento ao final de um longo processo eleitoral, iniciado em outubro com as eleições municipais, sob um esquema sem surpresas no qual não esteve em risco o controle que o PCC exerce na sociedade.

Raúl tem buscado promover as mulheres e neste domingo uma de suas filhas, a sexóloga Mariela Castro, que lidera uma cruzada conta a homofobia na ilha, se tornou deputada.

A nova cúpula governista no único país comunista do Ocidente assumirá seus trabalhos em momentos de incerteza devido à saúde de Hugo Chávez, que retornou há uma semana à Venezuela depois de dois meses de hospitalização em Havana.

Cuba, que depende do petróleo e da ajuda da Venezuela, enfrenta um embargo econômico dos Estados Unidos há meio século.

Desde que sucedeu oficialmente a Fidel na presidência, em fevereiro de 2008, Raúl Castro fez reformas consistentes, sobretudo inserindo elementos de economia de mercado dentro do sistema estatal, sem tocar o poder do PCC.

Também fez reformas sociais, como uma nova lei migratória que libertou em janeiro os cubanos das permissões de viagem e a autorização desde 2008 para comprar telefones celulares e computadores, assim como para se hospedar em hotéis, que até então eram reservados aos turistas estrangeiros.

Por iniciativa dele, o PCC aprovou em 2012 a limitação a 10 anos do tempo para desempenhar um cargo no poder, com o que ele mesmo se fixou um limite para ocupar a presidência, que termina em 24 de fevereiro de 2018.

Todas estas reformas são migalhas para a oposição, que continua exigindo liberdade de expressão, liberdade de associação e direito à manifestação perante um regime que considera todo opositor um "mercenário" pago pelos Estados Unidos.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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