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Protestos se radicalizam na Bolívia após 11 dias de greves

Uma reunião crucial feita entre o governo e o maior sindicato do país fracassou nas primeiras horas desta quinta-feira, acentuado a postura agressiva dos sindicatos

16 mai 2013
18h04
atualizado às 18h14
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O fracasso de negociações entre governo e sindicatos por um aumento no valor das aposentadorias radicalizou os protestos convocados pela Central Operária Boliviana (COB), que nesta quinta-feira entraram em seu 11º dia com bloqueios de estradas e convocações por um motim policial.

<p>Protestos convocados pela Central Operária Boliviana (COB) levam milhares às ruas</p>
Protestos convocados pela Central Operária Boliviana (COB) levam milhares às ruas
Foto: AP

Uma reunião crucial feita entre o governo e o maior sindicato do país fracassou nas primeiras horas desta quinta-feira, acentuado a postura agressiva dos sindicatos. "Queríamos ter chegado a um acordo escrito. Não foi possível, a única coisa que pedimos é que o país possa voltar à normalidade", disse o ministro do Trabalho, Daniel Santalla.

Devido ao fracasso das negociações, a tensão social aumentou, e novos setores se juntaram às manifestações. Grandes mobilizações de mineiros, professores e trabalhadores de setor fabril percorreram na manhã desta quinta-feira as ruas de La Paz, acompanhando sua passagem com estrondosas explosões.

Alguns manifestantes tentaram penetrar na Praça de Armas e entraram em confronto com a polícia antimotins que os dispersou com bombas de gás lacrimogêneo.

O governo insiste que a proposta da COB de aposentadorias mantendo 100% da renda para os mineiros e 80% para o restante das atividades é tecnicamente insustentável, e afetará a estabilidade do sistema previdenciário boliviano em menos de dez anos.

"A COB deu sua alternativa e o governo disse novamente que não é sustentável e que as aposentadorias das futuras gerações estão em risco", comentou Simer Huacota, secretário de Conflitos da organização sindical.

Como resposta, os sindicatos multiplicaram seus protestos com bloqueios de estradas e com manifestações nas cidades. Os sindicatos também estão descontentes porque consideram que o governo atribui intenções políticas e desestabilizadoras a seus protestos.

No Palácio do Governo, o presidente Evo Morales classificou a demanda sindical de "ação política" e convocou os bolivianos a "defender a democracia, a defender o processo de mudanças (..), a se organizar e a se mobilizar".

Os sindicatos ligados ao governo convocaram suas bases a defender o processo político liderado por Morales e programam uma marcha de apoio para os próximos dias. O mandatário se referiu com dureza à central sindical, responsabilizando-a pelo clima de crescente conflitividade.

"Alguns dirigentes da COB pedem benefícios para poucos", de forma que "não se deixem confundir com falsas propostas que não são sustentáveis nem têm viabilidade econômica", enfatizou Morales.

Em Potosí, sudoeste da Bolívia, grupos de camponeses seguidores de Morales entraram em confronto com trabalhadores filiados à COB pelo controle de uma estrada, em choques que deixaram pelo menos quatro feridos, segundo imagens da Red Uno de televisão. Professores da rede pública também bloquearam uma estrada que liga La Paz a Oruro (sudoeste) e Cochabamba (centro).

Cerca de dez esposas de policiais de baixa patente iniciaram uma greve de fome exigindo a aposentadoria com 100% da renda e em protesto contra o descumprimento de um convênio para melhorar as condições de trabalho e de fornecimento de mantimentos assinado em 2012.

Isabel Delgado, delegada das grevistas, indicou também que entre os policiais de base há "um mal-estar muito grande". No entanto, o comandante da polícia, coronel Arberto Aracena, rejeitou que exista preocupação entre os policiais de baixa patente que em 2011 desencadearam uma revolta exigindo benefícios sociais.

A COB convocou para as próximas horas uma reunião que definirá futuras ações, embora seu principal dirigente, Juan Carlos Trujillo, não tenha descartado a possibilidade de futuras reuniões com o governo.

A Igreja Católica fez um apelo ao diálogo. "Que se imponha a linguagem da paz e não deixemos os espaços de conflito", exortou de Santa Cruz (leste) o cardeal Julio Terrazas, crítico ferrenho de Morales, que, acusa o chefe católico de servir aos interesses da direita.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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