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Presidente paraguaio acusa chanceler venezuelano de intromissão

6 jul 2012
15h34
atualizado às 16h09

O presidente do Paraguai, Federico Franco, afirmou nesta sexta-feira que o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, cometeu uma intromisssão grosseira durante a crise política que levou ao impeachment do presidente Fernando Lugo, em 22 de junho.

Federico Franco gesticula durante conferência de imprensa no Palácio de Governo, em Assunção
Federico Franco gesticula durante conferência de imprensa no Palácio de Governo, em Assunção
Foto: AFP

"As imagens do Palácio do Governo são uma demonstração clara de uma intromissão grosseira do chanceler Mauro, que entrou em contato com os comandantes das Forças Armadas", ressaltou o chefe de Estado durante coletiva de imprensa. Franco afirmou que há mais documentos e testemunhos que serão entregues à promotoria que investiga o caso.

A promotora Stella Marys Cano disse que não há dúvida sobre esta reunião do ministro venezuelano com militares no palácio do governo. "O que estamos investigando é o conteúdo da reunião para ver se houve uma ofensa punível", acrescentou. Maduro indicou na semana passada que a acusação "não tem base na realidade".

O Paraguai anunciou na quarta-feira a retirada do seu embaixador na Venezuela e declarou "persona non grata" o embaixador de Caracas no país. Ao mesmo tempo, o presidente venezuelano Hugo Chávez ordenou a retirada do seu embaixador em Assunção e interrompeu o fornecimento de petróleo para o Paraguai.

Os outros parceiros do Mercosul (Argentina, Brasil e Uruguai) decidiram suspender o Paraguai do bloco regional até as eleições de abril de 2013. Paralelamente, aprovaram a entrada da Venezuela como membro permanente. Contudo, Franco indicou que seu governo não tomará a decisão sobre a permanência do país no Mercosul. A União Sul-americana de Nações (Unasul) também suspendeu o país.

O ministro paraguaio das Relações Exteriores, José Félix Fernández Estigarribia, afirmou que apresentará as suas objeções ao "ingresso ilegal" da Venezuela e a suspensão do país do Mercosul. De acordo com o Tratado de Assunção, base do Mercosul, a entrada de novos membros deve ser aprovada pelos quatro parceiros.

Ao ser questionado sobre as declarações do presidente uruguaio, José Mujica, que atribuiu à "narcopolítica" a destituição de Lugo, Franco respondeu que devido à situação internacional complicada atravessada pelo Paraguai "não é prudente nem conveniente emitir juízos de valor sobre as declarações do presidente Mujica".

"Manterei a calma e o princípio de autodeterminação do povo uruguaio, para comentar o assunto. O tempo vai esclarecer o conteúdo de suas declarações", disse. "Com todo o respeito do Mercosul, não vamos ser tentados a atacar qualquer governo de qualquer país do Mercosul", acrescentou.

Ele concluiu que o Paraguai é um país cheio de oportunidades. "Somos campeões em produção de energia hidrelétrica, somos o quarto maior exportador de soja, o sexto de trigo, estamos entre os dez da carne. Estamos em um país marcado pelo desenvolvimento e queremos manter relações com todos, mas a soberania do Paraguai é negociável", concluiu.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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