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América Latina

Paraguai: Cartes diz que receberá país na UTI e com cofres vazios

24 mai 2013 - 17h46
(atualizado às 18h21)
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O presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, disse nesta sexta-feira que ao tomar posse, em 15 de agosto, receberá um país em uma Unidade de Terapia Intensiva e com os cofres vazios. A acusação foi rechaçada pelos atuais dirigentes, mas despertou dúvidas sobre o estado real das finanças do Estado.

Cartes, empresário que venceu as eleições presidenciais de 21 de abril, representando o conservador Partido Colorado, declarou a uma rádio local que o breve governo do presidente Federico Franco "destroçou o Estado" e deixará "um buraco (nas contas públicas), como o Canyon do Colorado" - uma referência ao Grand Canyon, nos Estados Unidos.

"No começo eu estava preocupado e hoje estou desesperado. Não apenas por estar vazio (o caixa), mas também pelo ódio com que olham para os cofres do Estado, com o desprezo que dão ao alheio (...) É impressionante a crueldade com que levam o que não é deles", afirmou Cartes à rádio 970.

Poucas horas depois, ao regressar de uma viagem de dez dias à Alemanha e a Taiwan, Franco negou qualquer irregularidade e disse que continuará executando normalmente o previsto no orçamento até a entrega da Presidência.

"Não vou permitir que o Estado paraguaio fique em estado vegetativo nesses meses (...) o país tem de continuar trabalhando, mas quero transmitir ao presidente Cartes a tranquilidade, a segurança de que a nossa administração vai deixar os cofres do Estado como têm de estar", declarou Franco.

O orçamento de 2013 foi aprovado pelo Congresso tendo por base despesas correntes superiores às propostas pelo governo, que arrecadou menos do que o esperado nos primeiros meses do ano e promoveu uma política de maior endividamento a fim de financiar obras de infraestrutura.

Interessada em uma transferência ordenada de poder, a equipe de transição do presidente eleito pediu ao atual governo que suspenda algumas licitações, obras públicas e negociações-chave, como as que mantém com a multinacional Rio Tinto Alcan para a instalação de uma fábrica de alumínio no país.

Mas Cartes disse que muitos funcionários de alto escalão, como os diretores paraguaios das hidrelétricas binacionais Itaipu e Yacyretá, fizeram pouco caso de seu pedido. "Minha grande tarefa é demonstrar que (eles) foram bem piores do que os colorados", disse o presidente eleito, que costuma pedir desculpas pela atuação de seu partido, frequentemente vinculado a escândalos de corrupção quando esteve no poder.

Com a eleição de Cartes, o Partido Colorado recuperou o poder que exerceu durante décadas, até 2008, quando o socialista Fernando Lugo, ex-bispo católico, conquistou a Presidência. Lugo foi destituído após um julgamento político e substituído por Franco, dirigente do centro-direitista Partido Liberal.

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