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Presidente argentina é acusada de acobertar iranianos em atentado

13 fev 2015 19h24
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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi acusada nesta sexta-feira de acobertar ex-governantes iranianos suspeitos de autoria no atentado antissemita de 1994, em Buenos Aires, o que avaliza a denúncia do promotor Alberto Nisman, morto há quase um mês em circunstâncias misteriosas, informou a promotoria.

Kirchner, de 61 anos, poderá ser intimada a prestar depoimento, presencial ou por escrito, se o juiz que conduz o caso, Daniel Rafecas, assim decidir.

Mas para prestar depoimento, deve ser destituída com maioria de dois terços dos legisladores presentes em ambas câmaras do Congresso.

O Parlamento conta com maioria governista nas câmaras de deputados e senadores.

O promotor Gerardo Pollicita aceitou os argumentos de Nisman e acusou a presidente e o chanceler Héctor Timerman, entre outros nomes ligados ao governo, pelos "delitos de acobertamento por favorecimento pessoal agravado, impedimento do ato funcional e descumprimento dos deveres de funcionário público", segundo o texto difundido pela promotoria.

O governo assegurou que a acusação é uma tentativa de "golpismo judicial" e que uma marcha de silêncio convocada por promotores e apoiada pela oposição para a próxima quarta-feira, quando completa-se um mês da morte de Nisman, é uma tentativa de "desestabilização do sistema democrático".

A denúncia "não tem sustentação jurídica por inexistência de delito", afirmaram o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich e o secretário-geral da presidência, Aníbal Fernández.

O caso remonta a julho de 1994, quando indivíduos não identificados atacaram com explosivos a mutual judaica-argentina AMIA, deixando um total de 85 mortos e 300 feridos, tornando-se o atentado mais grave na história argentina, ainda impude 20 anos depois.

Substituindo o falecido Nisman, a Procuradoria (promotoria geral) designou nesta sexta-feira um grupo de três promotores e um coordenador para seguir avançando na investigação.

Kirchner apoiou em 2005 a acusação contra o governo do Irã, e em 2013 firmou um acordo de entendimento com Teerã para poder interrogar os acusados, entre eles o ex-presidente iraniano Ali Rafsanjani.

Mas Nisman e a comunidade judaica argentina rejeitaram o acordo por considerar que os iranianos não são confiáveis e que usariam o pacto para se livrarem da culpa.

O falecido promotor assegurou que Kirchner tenta encobrir os iranianos em troca de receber petróleo, embora o cru de Teerã seja inútil tecnicamente para ser processado na Argentina.

Também disse que Kirchner pediu para serem arquivados os alerta vermelhos de pedido de captura internacional dos iranianos, mas a Interpol o desmentiu.

Outros acusados por Nisman, com a permissão de Pollicita, são Andrés Larroque, um dos líderes do grupo juvenil kirchnerista (peronismo de centro-esquerda) La Cámpora e o líder comunitário Luis D'Elía.

Outro acusado é um cidadão argentino membro da comunidade muçulmana Jorge 'Yussuf' Khalil.

As provas contra o Governo se remetem às escutas telefônicas entre D'Elía e Khalil.

A acusação contra Kirchner e o anúncio da manifestação prevista para a próxima semana agravaram o confrontamento entre o governo que denuncia um golpe e a oposição que quer mobilizar uma multidão.

"Somos conscientes de que (a marcha) é um feito político, mas não partidário", afirmou ao canal TN um dos promotores organizadores, Carlos Rívolo.

A resposta com ironia do secretário da Coordenação Estratégica do Governo, Ricardo Foster, foi dizer que "é como se os chefes convoquem para dizer que na Argentina se cozinha mal".

"É uma estratégia de golpismo judicial ativo que busca um ruído social", disse Capitanich.

A mobilização está convocada por um grupo de promotores, questionados pelo governo, e candidatos presidenciáveis opositores para as eleições gerais de outubro.

"No mundo, a oferta é entre a democracia e grupos obscuros vinculados a poderes econômicos. (O presidente dos EUA) Barack Obama enfrenta um pressão da direita republicana mais resistente. No Brasil, Dilma Rousseff sofre um ataque com pedidos de impeachment", disse Capitanich.

No dia 14 de janeiro, Nisman acusou Kirchner de acobertar os iranianos. No dia 18 de janeiro, ele apareceu morto em seu apartamento com um tiro na cabeça e tendo na mão direita uma arma emprestada por seu colaborador.

Um dia depois, ele iria explicar diante de comissões do Congresso por que acusava a presidente.

O caso Nisman está nas mãos da promotora Viviana Fein, que o classificou como "morte duvidosa, ou seja, suicídio, suicídio induzido ou homicídio.

A rejeição à denúncia de Nisman e Pollicita foi apresentada pela Procuradoria do Tesouro (procuradoria), argumentando que "nenhuma atuação das autoridades de governo teve por objetivo inocentar os cidadãos iranianos".

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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