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América Latina

Populares lotam Plaza de Mayo para homenagear Kirchner

27 out 2010 - 19h08
(atualizado às 20h32)
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Maurício Boff
Direto de Buenos Aires

O vazio que foi aberto pela perda de um dos mais importantes líderes do movimento político peronista, o ex-presidente Nestor Kirchner, na manhã desta quarta-feira, vem sendo preenchido pela manifestação popular portenha de apoio e carinho. Em frente à Casa Rosada, sede oficial do governo federal, a Plaza de Mayo é um cenário heterogêno: ora o silêncio, a conformação, a tristeza e a revolta, mas ora também a confiança do dever cumprido.

O espaço público tranquilo do final da manhã - enquanto os portenhos ainda se interavam do falecimento do ex-mandatário - cedeu lugar a uma das principais características do povo deste país sul-americano: manifestar-se politicamente como cidadãos.

Dezenas de cartazes cobrem cada vez mais o cinza das grades metálicas que demarcam a zona de isolamento organizada pela Polícia Federal entre a bandeira argentina hasteada a meio-mastro, sinal de luto oficial, e o restante da praça.

A aposentada Graciela Sosa, 71 anos, chorava ao lembrar de Kirchner. No pequeno cartaz que colou em uma das grades, dirigiu palavras de apoio à presidente Cristina de Kirchner. "Ela precisa saber que estamos todos com ela", disse.

A pequena fila que levava até o portão principal de acesso à casa do governo, passou a cotornar o passeio público. Sob um sol forte de primavera, as pessoas carregam faixas, cartazes, bandeiras argentinas ou do peronismo militante, rosas vermelhas e crisántemos brancos.

Homenagens populares

O pedido veio em tom de pergunta. O aposentado Andrés Ignacio, 64 anos, não conseguia pronunciar muitas palavras em razão do choro. Desempregado na década de 1990, julgava ter sido salvo pela política implementada por Nestor Kirchner a partir de 2003, quando assumiu a Casa Rosada, e que, na sua opinião, salvou os que dependiam da previdência. "Se não fosse esse homem, nunca teria saído da minha miséria", afirmou, emocionado.

No meio da tarde, um grupo de militantes peronistas oferecia folhas em branco para quem se dispusesse a escrever seu nome e homenagear Kirchner. Entre eles, alguns turistas brasileiros e italianos pediam a caneta. Não eram os únicos estrangeiros nesse país de imigrantes. Suíços, franceses, alemães, russos e de outras nacionalidades compunham a Torre de Babel que se transformou o coração de Buenos Aires.

Líder da esperança

O médico Daniel Gollan, 55 anos, conheceu o ex-presidente na militância política durante os anos 1970. Desde então, acompanhou sua trajetória. Detido pela exército nos anos de chumbo da política argentina (1976-1983), Gollan defendeu que Kirchner foi o primeiro a colocar os repressores no banco dos réus, referindo-se aos recentes julgamentos de agentes militares. "Mesmo que a oposição diga o contrário, ele deu esperança às pessoas e foi um presidente, foi um líder", disse.

O funcionário público municipal Alejandro Tiseira, 31 anos, disse ter sido tomado pela surpresa. Foi com a mulher e os dois filhos à Plaza de Mayo. "Eu esperava o agente do Censo, mas o que recebi foi uma infeliz notícia", declarou.

Nesta quarta-feira, o governo havia declarado feriado para que as pessoas ficassem em suas casas para receber os agentes do chamado Censo do Bicentenário. "Podem dizer o que quiserem, mas até a oposição se deu conta de que precisamos seguir em frente", disse.

Um ato central foi agendado para às nove horas da noite (horário de Brasília), no qual são esperados que milhares de argentinos manifestem uma homenagem póstuma ao político argentino em frente à Casa Rosada.

Fonte: Especial para Terra
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