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Policiais usam gás para afastar população de hospital de Correa

30 set 2010
16h35
atualizado às 18h35

Policiais dispersam com gás lacrimogêneo a população que avança em uma tentativa de chegar ao hospital onde se encontra refugiado o presidente, Rafael Correa, no meio da crise suscitada nesta quinta-feira após protestos de policiais e militares. Nas proximidades do hospital, em Quito, milhares de pessoas se reuniram em uma tentativa de respaldar Correa.

Veja momento em que presidente do Equador é atacado

Alguns partidários do presidente equatoriano atiraram pedras contra policiais que os impediram de entrar no local. "O presidente está sendo mantido refém lá dentro", disse Fernando Jaramillo, 54 anos, um partidário de Correa.

"É um enfrentamento do povo contra o povo", disse um dos participantes do protesto onde é possível ouvir frases como "policiais corruptos, não enfrentem o povo com armas, o povo vem de mãos limpas". "O povo unido jamais será vencido, aqui vem o povo", gritam enquanto tentam superar a barreira de policiais que estão do lado de fora do hospital onde se encontra Correa sob atendimento médico.

Na passeata, as pessoas, algumas com paus e bandeiras, lançam palavras de apoio a Correa e entre elas estão, inclusive, cadeirantes, crianças e idosos. "Estamos aqui de pé na luta pela democracia, defendendo o presidente de todos os equatorianos. Está aqui a população que veio de vários cantos caminhando. Estão lançando bombas de gás lacrimogêneo em ministros, senhoras, crianças", disse a ministra dos transportes, María de Los Angeles Duarte.

O povo apoia a democracia e não vai permitir que um grupo "que se acha atingido porque está mal informado coloque em risco a democracia no Equador", disse a ministra no meio da manifestação que avança em direção ao hospital, em referência aos militares e policiais que rejeitam a eliminação de incentivos profissionais. "Estamos todos aqui dispostos a dar a vida para resgatá-lo", disse María se referindo a Correa.

Os manifestantes tentam subir pela rua principal que leva ao hospital, mas os policiais os dispersam lançando uma grande quantidade de gás lacrimogêneo. Pouco antes, o ministro de Assuntos Exteriotes equatoriano, Ricardo Patiño, tinha pedido à população para se dirigir ao hospital da Polícia, em Quito, para "resgatar" Correa, ameaçado por policiais que tentam chegar a seu quarto.

Protestos
Os distúrbios registrados no Equador tem origem na recusa dos militares em aceitar uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para ajustar os custos do Estado. As medidas preveem a eliminação de benefícios econômicos das tropas. Além disso, o presidente também considera a dissolução do Congresso, o que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições, depois que membros do próprio partido de Correa, de esquerda, bloquearam no legislativo projetos do governante.

Isso fez com que centenas de agentes das forças de segurança do país saíssem às ruas da capital Quito para protestar. O aeroporto internacional chegou a ser fechado. No principal regimento da cidade, Correa tentou abafar o levante. Houve confusão e o presidente foi agredido e atingido com bombas de gás. Correa precisou ser levado a um hospital para ser atendido. De lá, disse que há uma tentativa de golpe de Estado. Foi declarado estado de exceção. Mesmo assim milhares de pessoas saíram às ruas da cidade para apoiar o presidente equatoriano.

Com informações de agências internacionais

Fonte: Redação Terra
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