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Peru: nacionalista Humala lidera campanha presidencial

28 mar 2011
18h50
atualizado às 19h36

A ascensão do nacionalista Ollanta Humala nas pesquisas sobre a eleição presidencial peruana de 10 de abril, ultrapassando a parlamentar Keiko Fujimori e o ex-presidente Alejandro Toledo, desperta temores de instabilidade.

Nas últimas horas, Humala, um ex-militar de 47 anos, passou à liderança, com 21% das intenções de voto e uma diferença que flutua entre 0,5 e 2,2% em relação a Keiko Fujimori e de 1,1 a 2,6% sobre o ex-presidente Alejandro Toledo, que estava na frente há uma semana.

Humala, apesar da campanha eleitoral moderada, tendendo para o centro, desperta temores, segundo analistas. "E um setor eleitoral estaria disposto a mudar de voto, retornando a Toledo se ele conseguir projetar uma imagem de equilíbrio", disse à AFP Aldo Panfichi, da Universidade Católica.

"É um paradoxo: Humala começa a liderar e, com isso, a ter muitas dores de cabeça", acrescenta. Os demais candidatos "vão tentar incomodá-lo daqui para a frente, citando suas ligações com a Venezuela, para tentar demonstrar que não passa de marionete de governos estrangeiros".

Recentemente, Humala disse que não mantinha contatos com o presidente Hugo Chávez e que a última vez que esteve na Venezuela foi em 2007. Mas ainda permanece na memória sua campanha de 2006, vigorosamente apoiada por Chávez.

Na tarde desta segunda-feira, a Bolsa de Valores de Lima fechou com uma forte queda de 5,16%, em meio à incerteza política no país.

Segundo analistas, "Keiko Fujimori não pode subir mais porque seu nome está associado a aspectos questionados do governo de seu pai".

"Um governo de Keiko desde o primeiro dia estaria comprometido não apenas na frente nacional mas também na comunidade internacional pela possibilidade de conceder anistias a seu pai e a violadores dos Direitos Humanos", opina Panfichi.

O analista político Carlos Reyna disse no jornal La Primera que o sucesso de Humala está em "sintonia com um amplo setor do eleitorado nacional que exige mudanças na política econômica neoliberal e um efetivo combate ao câncer da corrupção no país".

"Agora que cresceu nas pesquisas, é claro que vão tentar demolir sua imagem", escreveu.

Nesta segunda-feira, Keiko Fujimori disse em campanha que "Humala é a mesma pessoa que se apresentou em 2006. Não se deixem surpreender".

"Humala representa ameaça para a estabilidade do país porque se trata de uma perigosa opção chavista", disse Luis Castañeda, ex-prefeito de Lima que liderou as pesquisas durante 2010 e que caiu para o quinto lugar.

A lembrança de 2006 é inevitável: Humala ganhou o primeiro turno com 30,6%, enquanto Alan García - que acabou levando depois e fez um primeiro governo desastroso (1985-1990) - conseguiu in extremis o segundo lugar, com 24%.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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