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Peru: Keiko Fujimori diz esta preparada para enfrentar 2º turno

30 mar 2011
17h25
atualizado às 18h09

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori, chega à reta final da campanha eleitoral peruana com possibilidades de passar ao segundo turno, sustentada por bases fiéis à lembrança de seu pai, num partido conservador de direita.

A poucos dias das eleições de 10 de abril, as últimas pesquisas mostram Keiko Fujimori em luta encarniçada pelo segundo lugar com o ex-presidente Alejandro Toledo, atrás do nacionalista de esquerda Ollanta Humala, com todos eles numa situação de empate técnico.

A parlamentar conta com um apoio em média de 20%, um nível que se mantém quase inalterável há mais de seis meses.

"Estou pronta para enfrentar qualquer candidato no segundo turno, e sei que não terei um adversário fácil", disse à imprensa a candidata do partido Força 2011.

O eleitorado que a respalda é visto por analistas como um "setor mais radical", o mesmo desde a época do governo Fujimori (1990-2000).

"Esse setor leva em conta o governo no qual houve um forte investimento em programas sociais e em setores populares, numa tentativa de construir bases a partir de uma lógica clientelista, o que obteve certo êxito nas camadas mais pobres", disse à AFP o analista político David Sulmont, da Universidade Católica.

A candidata do Força 2011 reconhece que "em nossa campanha há bastante respaldo à obra feita por meu pai", agora recluso numa guarnição policial de Lima, depois de condenado a 25 anos de prisão por violação dos Direitos Humanos.

Mas a outra cara do governo de Fujimori - corrupção generalizada, saque do tesouro do Estado, violações aos direitos humanos e um regime ditatorial - gera fortes resistências entre alguns setores da população em relação à candidata, estimou o analista Carlos Reyna.

Keiko tenta marcar distância da figura paterna: "Meu pai tinha mensagem forte e clara, a de que era necessário derrotar o terrorismo e solucionar os problemas da economia de nosso país. Agora, podemos transmitir um recado forte e mais conciliador".

Força 2011, o partido que a apoia, tem bases em setores populares de províncias e, ao mesmo tempo, é sustentado por grandes empresários que financiam a campanha eleitoral.

Entre os organismos de Direitos Humanos há o temor de que, num governo seu, Keiko Fujimori indulte seu pai e militares condenados por excessos na luta contra a guerrilha do Sendero Luminoso.

Keiko afirma que não caberá a ela indultar o pai, mas que existem recursos judiciais que permitiriam a libertação dele.

rm/jlv/sd

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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