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Oposição argentina considera década de governo kirchnerista como "perdida"

26 mai 2013
14h58
atualizado às 15h05
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A oposição argentina chamou neste domingo de "década perdida" os dez anos transcorridos desde a chegada do kirchnerismo ao poder, em resposta ao discurso do governo de Cristina Kirchner, que a considera "ganha pelo povo".

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Presidente Cristina Kirchner discursa em ato na Praça de Maio
Foto: EFE

O governo argentino celebrou ontem com uma grande festa na Praça de Maio, em Buenos Aires, os 203 anos da independência da Espanha e o início do primeiro mandato do ex-presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina e já falecido.

A governante fechou a jornada festiva, na qual houve shows de música e queima de fogos de artifício, com um discurso no qual relembrou as conquistas do kichnerismo nesta década e pediu aos argentinos "que tenham memória, sejam inteligentes, e pensem na pátria".

Através das colunas de opinião dos principais veículos de imprensa locais e, sobretudo, na rede social Twitter, legisladores opositores responderam às palavras da presidente, que apostou em "mais uma década ganha", e negou um fim de ciclo.

A hashtag #LaDékadaPerdida", criada pela deputada opositora Margarita Stolbizer, da Frente Ampla Progressista (FAP), aglutinava hoje os principais tweets contra o discurso governista.

Segundo a parlamentar, os dez anos de kirchnerismo "marcam um grande retrocesso em matéria de qualidade institucional e uma perda de oportunidades".

"25 de maio, e o cristinismo faz grande festa de Década Ganha pelo Kirchnerismo, e a Década Perdida pelos argentinos", disse Stolbizer em sua própria conta no Twitter.

O peronista dissidente e deputado nacional Francisco de Narváez afirmou na rede social não querer "outra década ganha como esta". "O limite é ganhá-la na eleição de outubro, e vamos fazê-lo", declarou.

"4 de 10 jovens menores de 18 anos são pobres, e aumenta o desemprego. De que década ganha fala @CFKArgentina?", acrescentou o dirigente opositor no Twitter.

Patricia Bullrich, presidente do partido Unión por Todos, lembrou o discurso feito ontem pela governante argentina e se prendeu à frase "a pátria é o outro".

"A Pátria é o "outro" diz CFK (Cristina Kirchner), mas como o "outro" é inimigo por natureza K (Kirchnerista), a pátria é seu inimigo", disse.

Por sua vez, o ex-presidente do Banco Central da República Argentina (BCRA) Martín Redrado se perguntou se a inflação pode ser vencida com o programa "Olhar para Cuidar", proposto pelo governo e que consiste em mandar militantes kirchneristas monitorar os preços.

"A inflação é vencida assim ou com um plano econômico pró investimento que aumente a oferta de bens e serviços?", questionou.

O deputado nacional do partido Geração para um Encontro Nacional (GENE), Gerardo Milman, foi menos crítico com a gestão do governo nestes dez anos, mas argumentou que "ainda faltam muitos temas para discutir".

Em entrevista à agência oficial "Télam", ele destacou assuntos pendentes em direitos sociais como "o aborto não punível, as leis de fertilização assistida e o acesso à informação pública".

O discurso da presidente Cristina Kirchner abriu na Argentina um debate sobre se sua aposta em "outra década ganha" se tratou de um anúncio "extraoficial" ante uma possível reeleição visando o pleito presidencial de 2015.

Por enquanto, a governante enfrenta o desafio das eleições legislativas na metade de seu mandato, em outubro, que serão decisivas para definir o rumo do modelo kirchnerista e seu próprio futuro político.

EFE   
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