- Pablo Uchoa
- Da BBC Brasil
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, questionou neste sábado o processo que levou ao impeachment do ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em menos de 24 horas em Assunção. Através de nota, José Miguel Insulza disse que a destituição de Lugo foi um "julgamento sumário que, ainda que formalmente apegado à lei, não parece cumprir com todos os preceitos legais do Estado de direito de legítima defesa".
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"O que nos preocupa não é somente o respeito ou a falta de respeito à lei, mas que a norma escrita seja interpretada de forma propícia para alterá-la com fatos". Em nota separada, a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH), ligada à OEA, disse que o processo é uma "paródia de Justiça".
"É uma paródia da Justiça e uma afronta ao Estado de Direito remover um presidente em 24 horas, sem garantias para se defender", qualificou o secretário-executivo da CIDH, Santiago Canton. Os dois órgãos têm sede em Washington. Lugo foi deposto na sexta-feira pelo Congresso paraguaio com base no artigo 225 da Constituição do país, que confere poderes à Câmara de Deputados para iniciar um julgamento político contra o presidente e ao Senado, para atuar como tribunal.
Entretanto, começando e terminado no período de apenas 24 horas, o processo foi considerado por governos da região como um golpe de Estado "branco" contra Fernando Lugo, o primeiro político de esquerda a chegar à presidência paraguaia. "É inaceitável a rapidez do julgamento político contra o presidente constitucional e democraticamente eleito", afirmou Santiago Canton.
Impacto na região
A crise política no Paraguai levou a Assunção ministros da Relações Exteriores e o secretário-geral do bloco sul-americano (Unasul), o venezuelano Ali Rodrigues Araque, que qualificou a situação de "golpe de Estado de fato". Em sua nota, José Miguel Insulza lamentou que já tenham sido "várias as ocasiões (na América Latina) que em alguns países, apegando-se ao pé da letra da lei, violam-se princípios democráticos que devem ter vigência universal".
"Ninguém quer que isto se transforme em uma tendência que obscure este período democrático da nossa região, que foi tão difícil alcançar". Ele lembrou que a Constituição paraguaia e os tratados internacionais assinados pelo país "consagram os princípios universais do devido processo e da ampla defesa usando todos os recursos processuais, contando para isto com prazos suficientes entre o início do julgamento e a sua conclusão". O órgão panamericano prometeu "tomar decisões" no início da próxima semana, após manter-se em contato com diplomatas da região durante estes sábado e domingo.
- Deputados paraguaios discutem o pedido de impeachment de Lugo, aprovado na quinta-feira, dia 21 Foto: EFE
- Manifestantes protestam contra o pedido de impeachment de Lugo em frente ao Congresso, em Assunção Foto: EFE
- Após aprovação na Câmara de deputados, Senado inicia apreciação do pedido de impeachment de Fernando Lugo Foto: EFE
- Policiais antidistúrbios patrulham as ruas de Assunção; a chance de impeachment reforçou o policiamento para evitar confrontos no país Foto: EFE
- Policias acompanham movimentação em Assunção após o pedido do impeachment aprovado pela Câmara de deputados Foto: EFE
- Fernando Lugo disse que aceita passar por processo, mas que se recusa a renunciar Foto: EFE
- Foto: Terra
- Manifestantes protestam contra o impeachment de Fernando Lugo em frente ao Congresso do Paraguai, em Assunção Foto: AFP
- Enrolado na bandeira paraguaia, homem passa por faixa pendurada perto do Congresso do país Foto: Reuters
- Apoiador de Fernando Lugo se une aos manifestantes com as cores da bandeira do Paraguai pintadas no rosto Foto: Reuters
- Mulher e duas crianças fazem vigília na Praça das Armas, em Assunção, em apoio ao presidente paraguaio Foto: AP
- Moradores protestam contra o impeachment de Fernando Lugo em frente ao Parlamento do Paraguai, em Assunção Foto: AP
- O presidente Fernando Lugo, que passa por um processo de impeachment, chega à sede do governo, em Assunção. Neste local, Lugo observará o transcorrer de seu julgamento de impeachment, enquanto os seus advogados fazem a sua defesa no Senado do país Foto: AFP
- O presidente do Senado do Paraguai, Jorge Oviedo Mato, conversa com os chanceleres da Unasul durante reunião Foto: AFP
- Equipe jurídica de Fernando Lugo durante a reunião no Senado paraguaio que vai decidir o futuro do chefe de Estado Foto: EFE
- Atirador posicionado sobre prédio do Parlamento paraguaio observa manifestação de apoiadores de Fernando Lugo na Praça das Armas, em Assunção Foto: AP
- Milhares de paraguaios se reúnem na Praça das Armas em protesto contra o julgamento político de seu presidente Foto: AP
- Segurando bandeiras do Paraguai e portando cartazes denunciando um "golpe de Estado", paraguaios fazem manifestação em apoio a Lugo Foto: AP
- O presidente Fernando Lugo foi acusado de "mau desempenho" em suas funções, em um julgamento promovido pela Câmara dos Deputados Foto: AP
- Com as cores da bandeira do Paraguai no rosto, manifestante apoia Fernando Lugo, acusado de responsabilidade pelas mortes de 11 camponeses e sete policiais em um confronto, na última sexta-feira, na fazenda de Curuguaty, próximo à fronteira com o Paraná Foto: AP
- A polícia age contra manifestantes que se amotinaram após o anúncio do impeachment Foto: AFP
- Segundo a imprensa paraguaia, os manifestantes tentaram ultrapassar as grades de metal que protegiam o Parlamento Foto: AFP
- Logo após o anúncio do afastamento de Fernando Lugo da presidência paraguaia, a multidão que aguardava o resultado na praça em frente ao Congresso explodiu em protestos; a polícia antimotim imediatamente agiu usando canhões d'água Foto: AFP
- Policiais e manifestantes correm durante distúrbios que explodiram nas ruas do Paraguai após o anúncio do impeachment de Fernando Lugo Foto: EFE
- Enfurecidos, apoiadores de Fernando Lugo protestam contra decisão do Congresso de destituir o presidente por "mau desempenho de funções" Foto: AFP
- Paraguaio é detido pela polícia ao tentar entrar invadir o escritório da vice-presidência do país, em Assunção Foto: AFP
- Protestos explodiram no início da noite no Paraguai, culminando em confrontos entre polícia e manifestantes favoráveis ao presidente deposto Fernando Lugo nas ruas do país Foto: AFP
- Após o impeachment, Fernando Lugo fez um pronunciamento emocionado de despedida da presidência Foto: AFP
- Federico Franco faz seu primeiro discurso como presidente do Paraguai Foto: Reuters
- Foto: Terra
- O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, chega ao palácio presidencial cercado por agentes de segurança. Franco fez neste sábado sua primeira reunião na condição de mandatário da nação, cargo assumido após um processo relâmpago que culminou no impeachment de Fernando Lugo Foto: Reuters
- Na segunda entrevista coletiva após tomar posse, o novo presidente do Paraguai escolheu o Brasil como um dos temas principais. Federico Franco disse que espera manter com o país vizinho e a presidente Dilma Rousseff relações harmônicas Foto: Reuters
- O núncio (representante do Vaticano) da Igreja Católica no Paraguai, Eliseo Antonio Ariotti (D), disse que Franco pode contar com o apoio dos católicos para exercer os 11 meses de governo que tem pela frente Foto: AFP
- Soldado paraguaio patrulha o palácio presidencial em Assunção: ao contrário do clima tenso registrado após o anúncio do impeachment de Fernando Lugo, o clima de normalidade impera neste sábado nas principais ruas e avenidas da capital paraguaia Foto: Reuters
- Federico Franco saúde forças de segurança ao chegar ao palácio presidencial em Assunção. O recém-empossado presidente paraguaio deve ficar no cargo até que um novo mandatário seja eleito, em agosto de 2013 Foto: Reuters
- O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, durante culto ecumênico em frente à catedral de Assunção Foto: Agência Brasil
- A Igreja Católica do Paraguai cobrou do novo presidente, Federico Franco, que promova a reforma agrária e garanta a inclusão social, melhorando os serviços de saúde e educação, além de empregos com qualidade Foto: Agência Brasil
- 23 de Junho Foto: Terra
- O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Luiz Fernandes Estigaribia, afirmou que o país irá continuar negociando o reconhecimento do governo Foto: Daniel Favero / Terra
- Confronto entre policiais e sem-terra em uma área ruraldo país, que terminou com 17 mortes, desencadeou a queda do presidente Foto: Agência Brasil
- Lugo fez um apelo neste domingo para que os paraguaios reajam com manifestações pacíficas Foto: Agência Brasil
- O ex-presidente Fernando Lugo afirma que foi alvo de um golpe de Estado Foto: Agência Brasil
- Lugo sofreu um processo de impeachment na última sexta-feira e causou polêmica no país Foto: Daniel Favero / Terra
- Cerca de 100 pessoas se aglomeraram em frente à TV Pública do Paraguai, na capital Assunção, para seguir com os protestos contra a destituição do ex-presidente Fernando Lugo Foto: Daniel Favero / Terra
- Foto: Terra
- Fernando Lugo se reúne com os ex-integrante de seu governo na sede do Partido País Solidário (PPS) Foto: Reuters
- Lugo bebe o tradicional tererê paraguaio durante o encontro Foto: Reuters
- O ex-presidente disse que mantém conversas com o governo argentino para tentar viabilizar sua presença na próxima reunião do Mercosul Foto: Reuters
- Jornalistas cercam o ex-presidente Fernando Lugo após reunião com antigos integrantes de seu governo. Lugo afirmou que está criando uma espécie de gabinete paralelo com os ex-integrantes de seu governo para "fiscalizar" as ações de seu sucessor, Federico Franco Foto: Reuters
- Grupo de estudantes, sindicalistas e membros de movimentos sociais brasileiros protestou contra deposição de Fernando Lugo em frente ao consulado paraguaio em São Paulo Foto: EFE
- Federico Franco (D) se reuniu com seus ministros recém-empossados nesta segunda-feira em Assunção Foto: AP
- Ministros nomeadeos pelo novo presidente paraguaio, Federico Franco, tomam posse em Assunção Foto: AP
- Grupo de camponeses favorável a Fernando Lugo, presidente destituído na semana passada pelo Congresso, após processo de impeachment, chegou a Assunção nesta segunda-feira Foto: Daniel Favero / Terra
- Marcha dos camponeses ocorre no mesmo dia em que o Partido Liberal Autentico Radical (PLRA) anunciou uma manifestação, a ser realizada na quarta-feira, em favor do presidente paraguaio Frederico Franco Foto: Daniel Favero / Terra
- Os camponeses disseram que temem uma possível reação violenta do governo paraguaio Foto: Daniel Favero / Terra
- Gritando palavras de ordem, em um idioma que mescla espanhol e guarani, os camponeses não têm data para voltar para casa Foto: Daniel Favero / Terra
- Os camponeses se uniram aos manifestantes que, desde sexta-feira, se aglomeram em frente ao prédio da TV Pública do Paraguai Foto: Daniel Favero / Terra
- Um grupo de aproximadamente 50 camponeses chegou a Assunção para se unir aos manifestantes favoráveis a Fernando Lugo Foto: Daniel Favero / Terra
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- O general aposentado Lino Oviedo (centro_ aguarda a cerimônia de posse de Manuel Ferreira como ministro da Economia Foto: AP
- O presidente paraguaio, Federico Franco, cumprimenta o presidente do Parlamento, Jorge Oviedo Matto, antes de fazer um juramento Foto: AP
- O presidente Federico Franco chega à cerimônia para seu recém nomeado ministro da Educação, em Assunção Foto: AP
- O novo presidente paraguaio presta um juramento ao nomear o novo ministro da Educação Foto: AP
- O presidente Federico Franco acena após a cerimônia de juramento, em Assunção Foto: AP
- Lugo participa da reunião de seu gabinete paralelo ao governo de Franco Foto: AP
- O ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, deposto na sexta-feira, sorri em reunião de seu antigo gabinete Foto: AP
- Foto: Terra
- Após ter todos os recursos rejeitados pela Justiça paraguaia, o ex-presidente Fernando Lugo, destituído do poder na semana passada, apresentará recurso junto à Corte Interamericana de Diretos Humanos para tentar voltar ao poder. Além disso, Lugo percorrerá diversos departamentos (Estados) para apresentar sua defesa e reunir apoiadores Foto: AP
- O presidente paraguaio, Federico Franco, apresentou seu plano de governo ao Congresso em busca de apoio financeiro para os próximos 14 meses de gestão, após assumir o poder no lugar do deposto Fernando Lugo, com o país isolado dos vizinhos em termos diplomáticos Foto: AP
- Os parlamentares se comprometeram perante Franco a nomear rapidamente um vice-presidente. A Constituição paraguaia prevê que o Congresso deve nomear um vice-presidente se a mudança de governo ocorrer na parte final do mandato, que se estende até agosto de 2013 Foto: AP
- Franco visitou líderes militares na sua qualidade de comandante-em-chefe das Forças Armadas Foto: AP
- Lugo pretende se reunir com grupos de diversos setores para apresentar sua defesa com o objetivo de arrebanhar apoiadores e incitar as manifestações pacíficas e contrárias à sua destituição Foto: AP
