
O chanceler e vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, designado pelo presidente Hugo Chávez como seu sucessor caso fique "incapacitado para governar", é uma figura de tendência moderada, mas apreciada pela importante aliada Cuba. Chávez definiu Maduro como "um revolucionário por completo, um homem com muita experiência, apesar de sua juventude", e afirmou que é "um dos líderes jovens de maior capacidade para dirigir o destino da Venezuela com sua mão firme, com seu olhar, seu coração de homem do povo, com suas habilidades interpessoais, com o reconhecimento internacional que ganhou".
Seu nome apareceu com cada vez mais força como possível sucessor de Chávez desde a detecção de um câncer no presidente em junho de 2011, o que o obrigou a se submeter a várias intervenções cirúrgicas e a longos períodos de tratamento em Havana. No início da crise de saúde, e com Chávez afastado da vida pública por quase um mês, Maduro anunciou que o presidente havia sido operado de um "abscesso pélvico" e depois o visitou frequentemente em Havana durante seus tratamentos médicos.
Na última sexta-feira, Chávez retornou a Havana, onde se submeteu a um tratamento de oxigenação hiperbárica e a novos exames médicos, e o fez acompanhado de Maduro, que apareceu descendo as escadas do avião atrás do presidente, um gesto que alguns analistas leram como uma chave sucessória.
Maduro, 49 anos, foi nomeado após a reeleição de Chávez no dia 7 de outubro como vice-presidente e foi ratificado à frente do Ministério das Relações Exteriores, cargo que ocupa desde meados de 2006, pouco antes de o presidente ter sido reeleito na presidência para seu segundo mandato em seis anos.
Anteriormente, este ex-motorista de ônibus e líder sindical foi presidente da Assembleia Nacional (2005-2006), embora sua atividade parlamentar tenha começado no cargo de deputado em 1999, como membro do Movimento Quinta República (MVR), fundado por Chávez. "Vejam aonde vai Nicolás, o motorista de ônibus Nicolás. Era motorista de ônibus (...), e como zombaram dele", afirmou Chávez ao nomeá-lo no novo cargo.
Maduro é considerado da ala moderada do círculo mais próximo ao presidente venezuelano, diferentemente de outros estreitos colaboradores, como Diosdado Cabello, o outro nome que soava com força, um ex-militar que participou do frustrado golpe de Estado liderado com Chávez em 1992 e que é atualmente presidente da Assembleia Nacional. O cientista político Ricardo Sucre destaca as qualidades de Maduro: "Não é ruidoso verbalmente e parece ser uma pessoa com natureza de chanceler, disposta ao diálogo".
"Além disso, é a opção dos (líderes cubanos Fidel e Raúl) Castro", acrescenta este professor da Universidade Central da Venezuela. Da mesma opinião é a historiadora Margarita López Maya, que destaca "a fidelidade deste político, que se posicionou como o melhor porta-voz internacional do governo de Chávez". Como chanceler, Maduro adotou ao pé da letra o discurso anti-imperialista do presidente, hostil aos Estados Unidos, assim como a defesa dos regimes da Síria ou do falecido líder líbio Muanmar Kadhafi.
Em julho, Maduro foi acusado pelo governo do Paraguai de ingerência, por ter incitado os comandantes militares paraguaios a evitar a destituição do presidente Fernando Lugo em um julgamento político no Congresso. Ao mesmo tempo, participou dos processos de integração regional impulsionados pela Venezuela nos últimos anos, como a Celac, assim como das negociações com os novos sócios político-econômicos da Venezuela, como China e Rússia.
Nos últimos meses, durante a recuperação de Chávez, o chanceler adotou um papel mais protagonista na diplomacia venezuelana, substituindo-o em conferências internacionais, como a Cúpula das Américas realizada em Cartagena (Colômbia) em abril.
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7 de dezembro - O ministro das Comunicações do país, Ernesto Villegas lê comunicado sobre a saúde de Hugo Chávez. Ele informou que o presidente venezuelano segue em situação estável com relação ao último boletim. No informe anterior, o governo relatava que Chávez sofria de insuficiência respiratória como consequência de uma infecção pulmonar
Foto: EFE
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5 de dezembro - O vice-presidente da Venezuela, Nicolas Maduro (esq.), abraça o deputado Diosdado Cabello na Assembleia Nacional, em Caracas. Cabello foi eleito para comandar a casa. Ele, que é considerado um dos mais leais correligionários de Hugo Chávez, poderá assumir interinamente a chefia do governo venezuelano se o presidente reeleito não tomar posse no cargo no próximo dia 10
Foto: Reuters
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4 de dezembro - Nicolas Maduro lê a Constituição do país durante programa de TV em Caracas. Ele indicou a eventual ausência do presidente Hugo Chávez para tomar posse no dia 10 de janeiro não necessariamente implicará na convocação de novas eleições na Venezuela. Maduro argumentou que a "ausência absoluta" prevista no artigo 233, a qual implicaria a realização de novas eleições, não configura a atual situação de Chávez, pois implica que o presidente eleito esteja "debilitado permanentemente", condição que deveria ainda ser confirmada por uma junta médica. A situação de Chávez, completou, configura antes a "ausência temporária", pela qual o mandatário se ausente da pátria e delega temporariamente suas funções ao vice
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3 de dezembro - O ministro das Comunicações e porta-voz do governo, Ernesto Villegas, lê comunicado oficial sobre a saúde de Chávez no palácio do Governo. Ele disse que o presidente sofre de insuficiência respiratória como consequência de uma "severa infecção pulmonar" após a operação à qual foi submetido em Havana
Foto: Reuters
- 30 de dezembro - Nicolas Maduro fala sobre o estado de saúde de Chávez ao lado do ministro da Tecnologia, Jorge Arreaza (segundo a esquerda), da filha do presidente, Rosa Virginia (esq.), e da procuradora-geral, Cilia Flores (dir.), em Caracas. Maduro afirmou que o estado "continua sendo delicado" por causa de "complicações" surgidas após a operação que ele fez no dia 11 de dezembro Foto: AP
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24 de dezembro - Nicolas Maduro participa de missa por Chávez em Caracas. Ele pediu o fim das especulações sobre a data ou local de posse do governante, prevista para o próximo dia 10 de janeiro, e garantiu que a Constituição será respeitada
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- 29 de dezembro - Nicolas Maduro chega a Havana, em Cuba, para acompanhar a recuperação de Chávez. Dois dias antes, entrou em vigor um decreto assinado por Chávez delegando a Maduro o exercício de algumas atribuições econômicas e administrativas Foto: AP
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20 de dezembro - O vice-presidente venezuelano, Nicolas Maduro, faz declaração sobre o estado de saúde de Chávez, em Guárico. Ele assegurou que o presidente encontra-se "bem" e "consciente". Ele também informou que os médicos seguem tratando e controlando uma infecção respiratória
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19 de dezembro - Simpatizante segura imagem de Chávez durante missa para rezar pela saúde do presidente, em Caracas. O chefe da Assembleia da Venezuela, Diosdado Cabello, disse nesta quarta-feira que, em sua opinião, poderia ser adiada a posse do presidente Hugo Chávez, marcada para o dia 10. Se Chávez não assumir, uma nova eleição pode ser convocada
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18 de dezembro - O porta-voz do governo, Ernesto Villegas, disse que Chávez teve uma infecção respiratória na última segunda-feira, que já teria sido tratada e controlada
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16 de dezembro - Eleitora vota nas eleições regionais em Caracas. Mesmo ausente e sem informações concretas sobre o estado de saúde, Chávez obteve uma grande vitória nas eleições regionais do país. Seus aliados foram vitoriosos em 20 dos 23 Estados, sendo que três das vitórias chavistas foram registradas em áreas consideradas bastiões da oposição
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15 de dezembro - Multidão se reúne em vigília por Chávez em Tegucigalpa, Honduras. O ministro da Ciência venezuelano, Jorge Arreaza, afirmou que Chávez apresenta "plenas condições intelectuais
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14 de dezembro - Simpatizantes de Chávez escrevem mensagens em painel dedicado a ele, em Caracas. O ministro da comunicação disse nesta sexta-feira que Chávez cumpre "satisfatoriamente" o pós-operatório após a cirurgia em Cuba para retirar um tumor maligno e já conversou com seus familiares. Ernesto Villegas também destacou que ele reagiu bem ao tratamento contra uma hemorragia
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13 de dezembro - Militares participam de missa pela saúde de Chávez em Havana, Cuba. A condição do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apresentou melhora e evoluiu para um quadro "favorável", anunciou no início da noite desta quinta-feira seu vice, Nicolás Maduro
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12 de dezembro - Nicolas Maduro diz que o processo pós-operatório do presidente venezuelano, Hugo Chávez, será "complexo e duro". "A cirurgia de ontem foi uma operação complexa, difícil, delicada, o que nos diz que o processo pós-operatório também será complexo e duro", disse
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11 de dezembro - Chávez passa por cirurgia em hospital de Havana. Segundo Nicolas Maduro, a operação do presidente Hugo Chávez terminou "corretamente" após seis horas
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10 de dezembro - O presidente do Equador, Rafael Correa, conversa com jornalistas após desembarcar no aeroporto José Marti, em Havana. Correa chegou a Cuba para acompanhar o tratamento de Chávez
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- 10 de dezembro - Boliviano segura vela e bandeira da Venezuela durante vigília pela saúde de Chávez em La Paz, na Bolívia Foto: AP
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10 de dezembro - Chávez manda beijos ao embarcar em avião que o levou para Cuba, no aeroporto de Caracas
Foto: AFP
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10 de dezembro - Chávez participa de cerimônia de posse do novo ministro da defesa, Diego Alfredo Molero Bellavia (esq.), em Caracas
Foto: AFP
- 10 de dezembro - O ator americano Sean Penn participa de vigília pela saúde de Chávez em La Paz, na Bolívia Foto: AP
- 9 de dezembro - Ao longo do domingo, a praça Simón Bolívar continuou recebendo mais gente para desejar sorte ao presidente Foto: Reuters
- 9 de dezembro - Em Havana, para onde o presidente viaja para continuar o tratamento contra o câncer, também houve manifestações de apoio Foto: Desmond Boylan / Reuters
- 9 de dezembro - Muitas se emocionaram ao rezar pela saúda do presidente Foto: AP
- 9 de dezembro - Neste domingo, um grupo de mulheres se reuniu na praça Simón Bolívar, em Caracas, para demonstrar apoio ao presidente Hugo Chávez, que anunciou na noite de sábado que irá se submeter a uma nova cirurgia, que rotulou de "absolutamente imprescindível", após serem detectadas novas células malignas em seu organismo Foto: AP
- 9 de dezembro - Desde então Chávez passou em três ocasiões pela sala de cirurgia, a última vez em fevereiro passado para se tratar do mal, do qual unicamente se sabe que fica na zona pélvica, mas não seu tipo nem localização exata Foto: EFE
- 9 de dezembro - O anúncio aconteceu depois que Chávez retornou na madrugada da sexta-feira à Venezuela após se submeter durante nove dias na ilha a um tratamento e a novos exames que determinaram o ressurgimento do câncer do qual sofre. O presidente venezuelano foi diagnosticado e operado de um câncer em junho do ano passado em Cuba Foto: EFE
- 9 de dezembro - Hugo Chávez, fala acompanhado pelo vice-presidente venezuelano e, Nicolás Maduro (dir.), e presidente do Conselho Nacional de Assembléia, Diosdado Cabello (esqu.), durante uma transmissão nacional em Caracas Foto: EFE
- 9 de dezembro - O presidente venezuelano foi diagnosticado e operado de um câncer em junho do ano passado em Cuba. Desde então, Chávez passou em três ocasiões pela sala de cirurgia, a última vez em fevereiro passado para se tratar do mal, do qual unicamente se sabe que fica na zona pélvica, mas não seu tipo nem localização exata. Foto: AFP
- 9 de dezembro - Chávez colocou um cenário no qual poderia não estar presente, como consequência da nova operação de um câncer à qual deve se submeter neste domingo e pediu que, no caso de algo lhe acontecer, se apoie o vice-presidente, Nicolás Maduro, como seu sucessor Foto: AP
- 9 de dezembro - Presidente Hugo Chávez beija um crucifixo durante discurso em rede nacional, para anunciar que voltará a Cuba para se submeter a uma nova cirurgia contra o câncer Foto: AP

