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América Latina

Moradores de Río Gallegos lembram convivência com Kirchner

29 out 2010 - 21h26
(atualizado às 23h31)
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Maurício Boff
Direto de Río Gallegos

Uma funcionária de uma lavanderia da cidade de Río Gallegos, a 2.636 km ao sul de Buenos Aires, onde o ex-presidente argentino Néstor Kirchner será enterrado nesta sexta-feira, relembrou os tempos em que o líder frequentava o estabelecimento. Enquanto aguardava a chegada do corpo nos arredores do cemitério municipal, Dona Lilia, 54 anos, 30 deles dedicados à Lavanderia Espanhola, contou que atendia Kirchner quando ele levava sua roupa suja.

"As principais marcas do Kirchner eram o carisma e o jeito doce de tratar as pessoas, sempre olhando no olho", afirmou. Lilia disse que acompanhou a carreira profissional do líder argentino desde os tempos de militância, até se tornar prefeito, governador e presidente.

"Kirchner era gente do povo como a gente pelo seu carisma", afirmou, com os olhos marejados. "Eu não tenho mais nada o que fazer, a não ser vir aqui para agradecer ao Kirchner por tudo que fez por nós", completou.

Para Carmen Garay, 64 anos, Néstor Kirchner tinha uma postura paternal e de liderança. "Kirchner sempre fazia eu lembrar do meu marido", disse a dona de casa, que ficou viúva cedo e teve que cuidar sozinha dos seis filhos.

Carmen se emocionou ao recordar palavras do marido: "ele dizia que político não tem que se mostrar melhor do que ninguém. O Kirchner era a prova da humildade". "Meu marido sempre quis ver o Kirchner presidente, mas infelizmente não conseguiu", desabafou.

Edith Gaite, 51 anos, secretária-geral da União de Trabalhadores de Entidades Desportivas e Civis (UTEDYC) de Río Gallegos, recordou os tempos em que encontrava o político na cafeteria do Café Santa Cruz, em frente à Casa de Governo de Santa Cruz. "Ele tinha o costume de ir na cafeteria com a mulher (Cristina Kirchner). Sempre nos atendida com muita atenção quando o abordávamos para tirar fotos", contou. Edith foi a primeira a chegar ao local das homenagens na cidade natal de Kirchner.

Outra que fez questão de elogiar o ex-presidente foi Gabriela Almirón, 38 anos. A empregada, natural de Bahía Branca, na província de Buenos Aires, chegou há 22 anos em Río Gallegos na época que Kirchner ainda era prefeito. "A marca principal de Kirchner sempre foi a simplicidade", afirmou. Gabriela trabalhava numa locadora e fazia a seleção dos vídeos infantis utilizados pelos filhos do casal Kirchner, Florecia, 19 anos, e Máximo, 32 anos.

Enterro

O avião levando o corpo de Néstor Kirchner chegou às 17h36 (18h36 de Brasília) ao aeroporto de Río Gallegos, onde foi recebido com aplausos. De lá segue direto para o cemitério onde será sepultado. A família Kirchner foi recebida no aeroporto pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Centenas de pessoas aguardam a chegada do corpo em frente ao cemitério, que foi isolado pela polícia. Kirchner será enterrado em uma cerimônia reservada somente para familiares e amigos. Sua mulher, os filhos e funcionários do governo viajaram junto com o corpo, em um avião da Força Aérea.

Trajetória
Nascido em 25 de fevereiro de 1950 em Río Gallegos, na província de Santa Cruz, Patagônia, Néstor Carlos Kirchner teve uma vida dedicada à política. Participou desde cedo de movimentos, fazendo oposição ao governo militar como parte da Juventude Peronista. Chegou à Presidência da Argentina em 2003, fazendo sua mulher como sucessora em 2007.

Considerado um homem público com um caráter implacável frente a seus adversários, Kirchner foi um dos políticos mais influentes do país e um potencial candidato para as eleições de outubro do ano que vem.

Fonte: Redação Terra
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