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América Latina

Mil pessoas aguardam chegada do corpo de Kirchner em cemitério

29 out 2010 - 15h10
(atualizado às 19h23)
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Maurício Boff
Direto de Río Gallegos

Cerca de mil pessoas aguardam a chegada do corpo do ex-presidente Néstor Kirchner nos arredores do cemitério municipal de sua cidade natal, Rio Gallegos, a 2.636 km ao sul de Buenos Aires, onde o líder será enterrado nesta sexta-feira. Uma barreira militar formada por 130 policiais realiza a segurança do local, separando os simpatizantes do cemitério.

Centenas de pessoas se reuniram em uma praça em frente ao cemitério para prestar as últimas homenagens ao ex-mandatário. Ao menos três ambulâncias também estão no local para a necessidade de atendimento médico.

Em algumas horas, o corpo de Nestor Kirchner, presidente entre 2003 e 2007, voltará à porção meridional da América do Sul e um dos pontos mais austrais do planeta, local onde nasceu há 60 anos. Apesar da agitação e comoção pública demonstrada no velório que transformou Buenos Aires, a expectativa com a chegada dos restos do ex-secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) não parou a cidade de Río Gallegos.

Na principal avenida comercial da cidade, a Presidente Roca, as pessoas caminham tranquilamente. Nos cafés, os moradores se informam sobre o cortejo fúnebre previsto para Gallegos ou pelos jornais locais, ou pela televisão argentina. Os principais canais do país transmitem, ao vivo, o velório desde a Casa Rosada. Algumas lojas penduraram na vitrine a bandeira nacional com uma faixa de luto, em homenagem ao político que governou Santa Cruz.

O sepultamento será realizado no panteão que a família Kirchner possui no cemitério local. Os trabalhos para a acomodação do caixão ocorrem desde a quarta-feira.

No final da manhã, uma nova missa foi realizada em homenagem ao ex-governador no Salão Branco da Casa do Governo estadual. Dezenas de simpatizantes de todo a província foram chegando em ônibus de diferentes cidades da região.

O estivador Carlos Pringles, 58 anos, veio de Puerto Deseado, há 645 km ao norte da capital da província. Trabalhador há pelo menos três décadas no porto da cidade, Pringles não escondia a tristeza. "Graças à criação de uma linha de incentivo à casa própria, hoje eu tenho onde morar", afirmou.

Santa Cruz é um estado com uma costa rica em diversas espécies de peixes. Aliás, a costa patagônia produz quase a totalidade da produção pesqueira do país. Desse total, apenas 10% do que é pescado fica para o mercado interno, sendo a maioria dos produtos exportados. A qualidade da produção pesqueira é desconhecida de muitos argentinos.

Uma pequena comitiva de estivadores de Puerto Deseado resolveu assistir à missa, um dos poucos encontros públicos e religiosos oferecidos à comunidade. O seputalmento no cemitério da cidade será reservado à família.

O estivador Sergio Daniel Medina, 60 anos, natural de Córdoba, disse que Kirchner foi fundamental para a criação do sindicato local. "Antes, as empresas extrangeiras nos contratavam diretamente e pagavam o que queriam", contou. O ex-presidente incentivou a união dos trabalhadores portuários.

Hoje conselheiro sindical, o também estivador Raúl Mella, 46 anos, disse que o grupo se uniu em 1999. "Kirchner entrava e sentava na mesa como se fosse um de nós. Fez com que lutássemos por uma vida melhor e...", afastou-se sem concluir o pensamento. O desabafo veio em lágrimas que vertiam de olhos desolados.

Os restos mortais do ex-presidente deixaram o Salão dos Patriotas Latino-Americanos por volta das 13h30 (14h30 de Brasília) em direção ao Aeroparque Jorge Newbery, de onde seguirão para o Aeroporto Internacional Piloto Civil Norberto Fernádez, em Río Gallegos.

Fonte: Especial para Terra
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