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México: prisão de "La Barbie" representa golpe ao tráfico

31 ago 2010
15h55
atualizado às 17h58

A detenção no México do narcotraficante Edgar Valdez Villareal, conhecido como "La Barbie", representa um novo golpe do governo de Felipe Calderón nos cartéis de droga e um alívio para as autoridades mexicanas em um momento no qual recrudesce a violência no país.

Valdez, de 37 anos, nascido em Laredo (Texas, nos Estados Unidos) e conhecido como "La Barbie" por sua pinta de galã, cabelos loiros e olhos azuis, foi apresentado hoje à imprensa, para os quais sorriu, mas permaneceu em silêncio, após ter sido detido na segunda-feira no México.

"La Barbie" era um dos narcotraficantes mais procurados pelo México e os EUA.

A promotoria mexicana oferecia recompensa de 30 milhões de pesos (US$ 2,26 milhões) por sua prisão.

O chefe, que traficava ao redor de uma tonelada de cocaína por mês, ganhou notoriedade pela mais sanguinária guerra que mantinha com seus antigos sócios do cartel do Beltrán Leyva.

Essa guerra deixou corpos mutilados e decapitados nos estados de Morelos e Guerrero, onde os homens do cartel do Pacífico, comandados por Valdez, tiveram diversos enfrentamentos causando dezenas de mortos com os Beltrán Leyva, liderados por Hector Beltrán Leyva, ''El H''.

"A detenção neste momento representa um alento para o Governo de Felipe Calderón, sobretudo porque ocorre na véspera do quarto relatório de Governo, quando o desalento pela ingovernabilidade e a onda de criminalidade parecem estar longe do fim", afirmou hoje o analista Ricardo Alemán ao jornal "El Universal".

A prisão de "La Barbie" ocorre em um momento em que a violência do crime organizado no México recrudesceu, especialmente no estado de Tamaulipas (nordeste), onde se enfrentam anarquicamente o Cartel do Golfo e a organização narcotraficante Los Zetas, seus antigos sócios.

O massacre de 72 imigrantes ilegais procedentes de Honduras, El Salvador, Guatemala, Equador e Brasil na semana passada; o homicídio do prefeito do município de Hidalgo; a explosão de dois carros carregados com explosivos, um deles contra um canal de televisão; são só alguns dos fatos violentos registrados nos últimos dias em Tamaulipas.

A Polícia Federal (PF) do México anunciou ontem a expulsão de 3,2 mil agentes como parte de um processo de "revisão e depuração" de suas estruturas, o que representa quase 10% do efetivo total de policiais.

O governante mexicano concluiu na semana passada uma longa rodada de diálogos com diferentes setores da sociedade mexicana no qual ficou claro o descontentamento existente no país com a estratégia de segurança do Executivo e a incessante onda de violência do crime organizado.

Esse descontentamento se estendeu inclusive até as famílias dos governantes, personalidades como o ex-presidente Vicente Fox e o ex-dirigente Manuel Espino demonstraram suas divergências com a política de segurança.

O líder buscará em poucos dias o apoio do Congresso e dos governadores do México para criar 32 unidades policiais e também aprovar um ambicioso pacote legislativo para lutar contra a lavagem de dinheiro.

"A detenção de ''La Barbie'' ocorre no momento em que o Governo de Calderón precisa mostrar pulso, quando Washington retira os filhos de diplomatas credenciados em Monterrey e presidentes da América Central o questionavam pela condução na luta contra o antinarcotráfico e a violência que transborda em várias entidades", assinalou Martín Moreno, colunista do "Excélsior".

A captura de Valdez se soma à morte em combate, nos últimos oito meses, de dois chefes: Ignacio "Nacho", coronel do Cartel de Sinaloa, e Arturo Beltrán Leyva, conhecido como "El Barbas", líder máximo da organização dos irmãos Beltrán Leyva.

As autoridades mexicanas ainda não determinaram se "La Barbie" será extraditado para os EUA.

EFE   

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