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México: candidato de esquerda comemora evolução nas pesquisas

31 mai 2012
17h30
atualizado às 18h24

A campanha eleitoral prévia às eleições presidenciais de 1º de julho foi surpreendida nesta quinta-feira por uma notável ascensão do candidato da esquerda, Andrés Manuel López Obrador, que comemorou com grande satisfação a tendência das pesquisas de intenções de voto.

O candidato López Obrador está crescendo nas intenções de voto à presidência do México
O candidato López Obrador está crescendo nas intenções de voto à presidência do México
Foto: EFE

Sorridente em sua habitual entrevista coletiva matutina, López Obrador exibiu nesta quinta-feira aos jornalistas, com iPad na mão, imagens da capa do jornal "Reforma" na qual aparece uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira.

Segundo esta pesquisa, López Obrador monopoliza 34% das preferências eleitorais, após uma alta de 7 pontos percentuais em uma pesquisa anterior feita no final de abril pelo mesmo periódico.

O líder esquerdista está agora a apenas 4 pontos percentuais do favorito nas pesquisas, Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que busca reconquistar o poder mantido durante a longa era de 1929 a 2000.

"Vamos muito bem. A pesquisa do ''Reforma'' é extraordinária", afirmou López Obrador, candidato presidencial do Partido da Revolução Democrática (PRD) e de outros dois grupos da esquerda mexicana.

O político veterano esteve a ponto de conseguir a Presidência do México no pleito de 2006, vencido por Felipe Calderón com uma diferença de 0,56 ponto percentual, resultado que López Obrador nunca reconheceu por considerar que tinha ganhado a votação.

Pesquisas prévias divulgadas nos últimos dias indicam que López Obrador conseguiu tirar o segundo lugar da candidata governista do Partido Ação Nacional (PAN), Josefina Vázquez Mota.

Mas, de todas as pesquisas confiáveis divulgadas no México, esta é a primeira vez que se registra uma diferença tão estreita entre López Obrador e Peña Nieto, cuja figura foi alvo de duras críticas nos últimos dias.

"Peña está decaindo", afirmou o líder esquerdista, que acusou o postulante do PRI de ser "o candidato da mídia, não de todos, mas sim da televisão, e de uma especialmente", referindo-se à emissora "Televisa".

López Obrador iniciou sua campanha eleitoral no dia 31 de março passado criticando as pesquisas que então o colocavam no terceiro lugar, com uma notável diferença em relação a Peña Nieto.

Se há dois meses ele chamou tais pesquisas de "parte da propaganda da imprensa", nesta quinta-feira ele abençoou os dados e disse que o resultado do jornal "Reforma" coincide com os levantamentos próprios de sua campanha eleitoral.

Claudia Sheinbaum, membro da equipe de López Obrador, disse à Agência Efe que, há um mês, estão dizendo que a campanha do candidato está em alta e que a de Peña segue em sentido contrário.

"É algo que se percebe pelo ânimo do povo nos comícios de López Obrador em diversos lugares da República, onde está quebrando recordes de participação em comparação com os números de 2006", destacou Sheinbaum, ex-secretária de Meio Ambiente da capital mexicana.

Ela ressaltou que a sociedade está percebendo a "necessidade de uma mudança verdadeira" e destacou a coincidência nos discursos de López Obrador e do movimento estudantil que surgiu há algumas semanas para rejeitar a manipulação midiática e o autoritarismo do PRI.

A pesquisa do jornal "Reforma", baseada numa amostragem nacional de 1.515 pessoas entrevistadas pessoalmente entre 24 e 27 de maio, leva em conta apenas as preferências dos que definiram seu voto, e exclui 21% dos eleitores que ainda se mostram indecisos.

Em 25 de abril passado, quando foi divulgada a pesquisa anterior do "Reforma", um dos periódicos mais influentes do México, López Obrador estava em terceiro lugar, com 27% das preferências eleitorais, dois pontos percentuais abaixo de Vázquez Mota e 15 pontos abaixo de Peña Nieto.

Agora, por outro lado, o candidato da esquerda se consolida no segundo lugar em nível nacional, enquanto no centro e no sul do país desponta como líder das preferências eleitorais.

Na terça-feira passada, o instituto Consulta Mitofsky, um dos mais confiáveis do México, indicava pela segunda semana consecutiva López Obrador no segundo lugar, com 27,4% das preferências (excluídos os indecisos), longe dos 44,9% de Peña Nieto.

A figura do candidato do PRI se viu prejudicada nos últimos dias por uma série de mobilizações de jovens que se declararam contrários a Peña Nieto e se queixaram publicamente da manipulação da imprensa.

Peña Nieto, ao ser consultado nesta quinta-feira sobre a pesquisa do "Reforma", disse apenas que se trata de mais um levantamento dentre muitos - para ele, "boas referências" de análise. "(Ainda) vamos nos submeter à pesquisa mais importante, que é a eleição de 1º de julho".

No pleito de 1º de julho, o eleitorado mexicano designará um chefe de Estado para um mandato de seis anos, renovará a composição do Parlamento e elegerá as autoridades de seis estados e do Distrito Federal, entre outros cargos.

EFE   
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