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Médico que testemunhou morte de Allende reafirma suicídio

28 jan 2011
14h50
atualizado às 15h37
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O médico Patrício Guijón, colaborador do ex-presidente chileno Salvador Allende, reiterou nesta sexta-feira que presenciou o instante em que o líder se suicidou no Palácio de La Moneda no dia 11 de setembro de 1973, durante o golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet.

"Vi quando voou a cabeça, os ossos e a massa encefálica, ele (Allende) estava sentado em uma poltrona que estava apoiada na parede na direção da rua, havia uma grande vidraça e estava com um fuzil nas mãos e vi a explosão do crânio", disse o médico, de 76 anos e já aposentado, à "Rádio Cooperativa".

As circunstâncias da morte do ex-presidente do partido da Unidade Popular (UP) vieram novamente à tona depois que a Justiça decidiu investigá-las.

O caso de Allende está entre as 726 queixas por violações aos direitos humanos ocorridas durante o regime de Pinochet (1973-1990) que foram apresentadas perante o Ministério Público do país.

A hipótese do suicídio do ex-presidente é a mais difundida até o dia de hoje, e foi respaldada pela família e por alguns testemunhos diretos, como o de Guijón.

Como reiterou em algumas ocasiões anteriores, o médico explicou que em 11 de setembro de 1973, enquanto La Moneda queimava após ser bombardeado, Allende ordenou a seus homens leais a se renderem e todos formaram uma fila que descia do segundo andar até uma porta lateral da sede governamental.

Allende percorreu a fila de baixo para cima, apertou as mãos de todos, agradeceu sua lealdade e logo após entrou no salão "Independência", na ala nordeste do segundo andar de La Moneda.

Nesse momento, Guijón retornou ao segundo andar para pegar uma máscara antigás e sustenta que presenciou o momento em que Allende atirou no queixo com um fuzil de assalto AK-47.

A senadora Isabel Allende, filha do falecido líder, comemorou a abertura da investigação judicial, embora tenha reiterado que sua família acredita "fidedignamente" na versão dos fatos dos médicos que estiveram com seu pai.

"Meu pai tinha dito com toda clareza que ele não sairia vivo de La Moneda. Queria demonstrar com um gesto de dignidade que os presidentes constitucionais têm que exercer seu mandato até o final", disse Isabel em entrevista à Agência Efe na Espanha.

A favor da tese que Allende foi assassinado existe um relatório do especialista legista Luis Ravanal, que detectou várias anomalias na análise da autópsia do ex-presidente e sustenta que o orifício de saída do projétil não bate com a arma utilizada.

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