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Justiça do Chile condena 77 ex-agentes da ditadura por sequestro em 1974

18 ago 2015 22h20
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A Justiça do Chile condenou nesta terça-feira 77 ex-agentes da Direção de Inteligência Nacional (Dina), o aparelho de repressão da ditadura de Augusto Pinochet, pelo sequestro de um militante do Movimento Esquerda Revolucionária (MIR) em 1974.

A decisão foi tomada pelo juiz especial para casos de violações aos direitos humanos da Corte de Apelações de Santiago, Hernán Crisosto Greisse, que decidiu punir os 77 ex-integrantes do órgão de repressão pelo sequestro qualificado de Eduardo Ziede Gómez durante a chamada "Operação Colombo".

Foram condenados a 13 anos de prisão os ex-agentes César Manríquez Bravo, Pedro Espinoza Bravo, Marcelo Morem Brito, Miguel Krassnoff Martchenko e Raúl Iturriaga Neumann, que já tinham sido punidos pela Justiça em outros casos de violações aos direitos humanos.

Outros 37 ex-integrantes do Dina receberam uma pena de 10 anos na cadeia. Os demais 35 condenados enfrentarão quatro anos de reclusão.

No aspecto civil, o juiz determinou que o governo chileno pague indenizações de 100 milhões de pesos (US$ 145 mil) à esposa e de 70 milhões de pesos (US$ 102 mil) ao filho da vítima.

As investigações comprovaram que Gómez, de 27 anos na época, foi preso na manhã do dia 15 de junho de 1974 por agentes da Dina. Depois, acabou levado à prisão clandestina de "Iucatã", também conhecida como "Londres 38", em pleno centro de Santiago.

O militante esquerdista apareceu em uma lista de 119 pessoas divulgada em 15 de julho de 1975. A relação indicava que Gómez tinha morrido no Chile junto a outros militantes do MIR durante a Operação Colombo.

A ação foi organizada pela Dina para encobrir o desaparecimento desses 119 opositores ao regime militar. Também tinha como objetivo convencer à opinião pública que eles tinham morrido em enfrentamentos com forças de segurança estrangeiras ou tinha sido vítimas de confrontos internos.

Durante a ditadura de Pinochet (1973-1990), segundo números oficiais, mais de 3.200 pessoas morreram pelas mãos de agentes do governo. Entre elas, 1.192 ainda constam como desaparecidas.

EFE   
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