América Latina

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20 de maio de 2013 • 15h00 • atualizado às 17h07

José Mujica faz 78 anos e abre sua chácara; conheça o líder uruguaio

Vestido com roupa e tênis esportivos de tons cinzentos e negros, Mujica dá entrevista em sua chácara e diz que seu estilo não é uma 'valorização da pobreza', mas 'da sobriedade no viver'. Conheça o líder do Uruguai, uma das nações presentes na Copa das Confederações

Presidente do Uruguai, José Mujica, na chácara onde mora, perto de Montevidéu, ao lado da famosa cadela de três patas chamada Manuela
Foto: EFE
 

Lê os jornais com um iPad apesar de viver em uma humilde chácara, quase sem segurança e onde ele mesmo cozinha carne com cebola, seu prato preferido - assim é José "Pepe" Mujica, o peculiar presidente do Uruguai, uma das oito nações participantes da Copa das Confederações. "Minha maneira de viver é consequência da evolução da minha vida. Lutei até onde é possível pela igualdade e equidade dos homens", afirma em tom reflexivo este ex-guerrilheiro que passou 14 anos na prisão, a maioria durante a ditadura (1973-1985), e que completa 78 anos nesta segunda-feira.

Nem pela pequena guarita com dois policiais situada na frente do local alguém poderia imaginar que o austero sítio no qual vive com sua esposa, a senadora Lucía Topolansky, é a atual residência presidencial uruguaia.

Localizada a dez quilômetros de Montevidéu, em uma área rural na qual só se escuta o canto das aves, a primeira coisa que chama atenção na chácara são suas paredes descascadas e tetos de zinco verde, assim como as galinhas que ciscam nos pátios vizinhos em torno da roupa estendida no varal.

O ex-guerrilheiro que passou 14 anos na prisão, a maioria durante a ditadura (1973-1985), faz 78 anos neste dia 20 de maio
Foto: EFE

Para Mujica, do bloco esquerdista Frente Ampla, "o mundo está prisioneiro hoje da cultura da sociedade de consumo e o que está se consumindo é vida humana, em quantidades enormes", pois se perdeu a capacidade de desfrutar o tempo e a ideia que "estar vivo é um milagre".

"As pessoas não compram com dinheiro, compram com o tempo que tiveram que gastar para ter esse dinheiro. Não se pode desperdiçar esse tempo, é preciso guardar algum tempo para a vida", argumenta o homem que preside um país de 3,3 milhões de habitantes e que se vende como paraíso da natureza e da tranquilidade.

Vestido com roupa e tênis esportivos de tons cinzentos e negros, Mujica lembra então a célebre frase de Séneca que "pobres são aqueles que precisam de muito", mas depois esclarece que seu estilo não é uma "valorização da pobreza", mas "da sobriedade no viver".

Embora possa parecer chocante, o chefe de Estado uruguaio tem um iPad para ler os jornais de manhã, antes de deslocar-se à Torre Executiva, sede governamental no centro de Montevidéu.

Usa o aparelho moderno aparentemente porque não chegam os jornais até a vizinhança onde vive junto com outras três famílias e onde a cadela Manuela circula faceira, apesar dos 18 anos de idade. A ausência de uma das patas da cadela é fruto de um acidente com ferramentas de arar que forçou a amputação, relata Mujica.

Mujica mora em um sítio a dez quilômetros de Montevidéu, em uma área rural na qual só se escuta o canto das aves
Foto: EFE

Um dos vizinhos do presidente, um homem jovem, ajuda-o nas tarefas agrícolas, para as quais dispõe de um velho trator que dorme em um galpão junto de seu velho carro, um Fusca que tem um quarto de século de vida e está avaliado em menos de US$ 2 mil.

O líder diz ter pouco tempo para os trabalhos de campo e esclarece que segue cultivando flores unicamente para manter a semente e poder voltar a produzir com fins comerciais quando deixar o poder.

Então pretende também "fazer uma escola de ofícios granjeiros" destinada a jovens da região, porque "há muitos rapazes que precisam aprender um ofício".

A comida é comprada em um mercadinho próximo com sua esposa Lucía, que nesta quinta-feira não chegará para comer porque está no Parlamento trabalhando. "Cozinhamos nós mesmos", revela Mujica, que hoje se prepara para cozinhar seu prato preferido: "bife com cebola, com muita cebola picada". 

Mas antes tira o Fusca da garagem, chama Manuela para subir no banco traseiro e dirige ele mesmo até o açougue do bairro, situado a dois minutos de sua casa para comprar sua carne.

EFE