atualizado em 25 de Junho de 2012 às 18h19

Impeachment de Lugo contraria democracia, diz chanceler uruguaio

 

O ministrio das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, criticou o processo de impeachment que tirou do poder o ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo. "A imposição de um novo presidente nessas condições não condiz com as práticas democráticas fundamentais", escreveu o chanceler no twitter da Secretaria de Comunicação da Presidência uruguaia.

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Ele instou o Paraguai a convocar "o quanto antes seu povo para eleger as autoridades". Antes do pronunciamento, Almagro se reuniu longamente com o presidente uruguaio, José Mujica, para delinear a postura do país.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, também se mostrou contrário ao processo de impeachment - que, segundo ele, deixa um "sabor ruim". Santos se disse à espera de um informe da chanceler María Ángela Holguín para fixar uma posição a respeito do caso. "Este procedimento bastante sui generis de um julgamento de duas horas deixa um gosto muito ruim", disse Santos, citado em um comunicado da imprensa governamental.

Santos disse que é amigo e estima o presidente destituído e que lamenta "enormemente que isso tenha acontecido". "Vamos analisar que posição tomamos em definitivo e esperamos poder fazê-lo em conjunto com os demais países", acrescentou Santos, que aguarda o relatório de Holguín que viajou a Assunção junto com outros chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

Processo relâmpago destitui Lugo da presidência
No dia 15 de junho, um confronto entre policiais e sem-terra em uma área rural de Cuaraguaty, ligada a opositores, terminou com 17 mortes. O episódio desencadeou uma crise no Paraguai, na qual o presidente Fernando Lugo, acusado pelo ocorrido, foi sendo isolado no xadrez político. Seis dias depois, a Câmara dos Deputados aprovou de modo quase unânime (73 votos a 1) o pedido de impeachment do presidente. No dia 22, pouco mais de 24 horas depois, o Senado julgou o processo e, por 39 votos a 4, destituiu o presidente.

A rapidez do processo, a falta de concretude das acusações e a quase inexistente chance de defesa do acusado provocaram uma onda de críticas entre as lideranças latino-americanas. Lugo, por sua vez, não esboçou resistência e se despediu do poder com um discurso emotivo. Em poucos instantes, Federico Franco, seu vice, foi ovacionado e empossado. Ele discursou a um Congresso lotado, pedindo união ao povo paraguaio - enquanto nas ruas manifestantes entravam em confronto com a polícia -, e compreensão aos vizinhos latinos, que questionam a legitimidade do ocorrido em Assunção.

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