O presidente peruano Ollanta Humala se pronunciou nesta sexta-feira sobre o conflito social que já custou a vida de cinco pessoas nos últimos dias. Em entrevista a canais de televisão locais, Humala lamentou "profundamente" as mortes, que aconteceram durante manifestações em Celendín e Cajamarca, no norte do Peru, contra a construção de uma mina de cobre e ouro.
"Dentro de nossa vocação pelo diálogo, primeiro lamentamos profundamente a perda de vidas humanas, que dói para todos nós como peruanos. Particularmente, ao governo", disse Humala. No entanto, Humala atacou líderes sociais a quem acusa de querer fazer política com as mortes. "Somente gente insana e que não tem cérebro pode fazer política com os mortos. Seguem espremendo os mortos para que isso lhes traga frutos políticos, isso me dá nojo", disse Humala.
O presidente peruano também acusou que o líder do movimento Tierra y Libertad, Marco Arana, que estava a frente dos protestos contra o projeto, de provocar a polícia para se tornar um mártir e para aparecer em fotos. O ex-sacerdote fui detido na quarta-feira em meio às manifestações. Arana acusa a polícia de tê-lo agredido e o chutado quando estava no chão. Ele foi liberado na quinta-feira.
Violentos conflitos sociais irromperam no dia 3 de julho no norte do Peru em protesto contra o projeto de mineração Conga, da empresa peruana Yanacocha, que tem como principal acionista a companhia americana Newmont. A violência levou o governo a decretar estado de emergência na região de Cajamarca.
Os opositores ao projeto afirmam que ele danificará de forma permanente o meio ambiente e as reservas de água e culpam o governo pela violenta repressão às manifestações. O governo, por sua vez, afirma que a mina deve gerar milhares de empregos e uma enorme receita em impostos na região norte de Cajamarca. O mandatário afirmou que o governo demostrou comprometimento com diálogo e por trabalhar com o povo de Cajamarca com as obras de mais de 5 bilhões de soles (US$ 4,8 bilhões).

