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Horacio Cartes, o multimilionário candidato à presidência do Paraguai

18 abr 2013
23h25
atualizado às 23h31

Horacio Cartes, um empresário multimilionário e dirigente esportivo de 56 anos, novato na política, aspira a reconquistar a presidência para o Partido Colorado, no pleito do próximo domingo no Paraguai.

O Partido Colorado perdeu o poder em 2008, depois de 61 anos ininterruptos de hegemonia no país.

Conhecido por suas conquistas à frente de um grupo de 25 empresas e como presidente do clube de futebol Libertad, Cartes se filiou em 2009 ao Partido Colorado (conservador, direita) para iniciar uma meteórica carreira que o levou aos limiares do Palácio do Governo, como apontam as pesquisas de opinião.

O candidato conseguiu que o centenário partido, fundado em 1887 e administrador histórico do Estado paraguaio, reformasse seus estatutos para permitir que competisse pela presidência do país, apesar de sua recente militância.

Cartes, um "outsider" da política que votou pela primeira vez em sua vida nas eleições municipais de 2010, conseguiu recompor a estrutura colorada, abalada pela vitória do ex-presidente de esquerda Fernando Lugo há cinco anos, e obteve a unidade necessária para alavancar sua candidatura.

Embora a presidente do Partido, Lilián Samaniego, vanglorie-se de ter renovado e "limpado" a cúpula partidária dos dirigentes que afundaram os colorados no desprestígio e aceleraram sua queda, Cartes está cercado dos líderes do passado, associados à corrupção e ao clientelismo.

Seu principal rival na eleição de domingo, o advogado liberal e veterano na política Efraín Alegre, de 50 anos, explora com frequência essa fraqueza, chamando o entorno político de Cartes de "os gerontossauros".

Alegre também liga Cartes ao narcotráfico e ao contrabando de cigarros e lembra que o empresário passou três meses na cadeia, em 1985, acusado de uma milionária evasão de divisas - denúncia da qual saiu incólume.

Cartes é um dos maiores contribuintes no Paraguai e, em sua defesa, alega que seus papéis estão em ordem.

Nascido em Assunção, em 5 de julho de 1956, Cartes é o terceiro de quatro irmãos. Seu pai, representante da Cessna no Paraguai, estimulou-o a se especializar em motores de aviação nos Estados Unidos. Foi lá que Cartes terminou o segundo grau.

Depois de obter diplomas técnicos, em 1975, já estava de volta ao Paraguai para se dedicar à atividade empresarial.

Hoje, ele diz ter orgulho de manter mais de 20 mil empregos nas empresas de sua propriedade, um grupo que vai de bancos, financeiras e casas de câmbio até unidades produtoras de tabaco e soja, engarrafadoras de refrigerantes (com sucursais nos EUA) e fábricas de cigarros de várias marcas, entre outros.

Como homem de negócios, Cartes se declara como o mais confiável para atrair investimentos e combater a pobreza no país, onde 19% de seus habitantes vivem na pobreza extrema, de acordo com números oficiais.

"Se Deus me deu habilidades na vida empresarial, acredito ter condições para usar essas habilidades na política", disse ele, em entrevista à AFP.

Além de se apresentar como o "salvador" do Partido Colorado, disposto a renová-lo e "corrigir seu rumo", ele oferece "esperança", tanto para os jovens, como para as pessoas da terceira idade, prometendo "gerar e gerenciar" empregos.

"É o que sei fazer", costuma dizer em seus discursos.

Separado da mulher, María Montaña, mãe de seus três filhos, o candidato vive em uma sóbria mansão no bairro nobre de Carmelitas de Assunção.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 

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