O candidato à Presidência do Haiti Michel Martelly apontou nesta quarta-feira a possibilidade de alcançar uma aliança com setores do partido governista, Initè, após considerar que a ex-primeira dama Mirlande Manigat e ele repartirão no segundo turno os votos do ex-candidato Jude Celestin.
Martelly, que pediu na terça mudanças no Conselho Eleitoral Provisório (CEP) face ao segundo turno das eleições, devido às irregularidades detectadas na primeira fase, assinalou a possibilidade de uma aliança com setores do partido de Celestin, o governista Initè.
O cantor ressaltou a importância de que os que se unirem ao seu projeto político saibam "que a prioridade agora é Haiti", ao indicar que no passado se favoreceram "interesses pessoais", o que nunca deu bons resultados.
"Se vamos fazer aliança com alguém é imperativo que compartilhem nosso ponto de vista", acrescentou em entrevista concedida à emissora Z-101 em Santo Domingo.
Manigat e Martelly vão se enfrentar nas urnas em 20 de março, depois de o CEP, conforme as recomendações da Organização dos Estados Americanos (OEA), modificando os resultados provisórios da primeira rodada, que indicava a passagem para o segundo turno a Manigat e ao governista Jude Celestin.
O candidato presidencial falou ainda da surpreendente chegada ao Haiti do ex-presidente Jean-Claude Duvalier e declarou que a Constituição haitiana não prevê o exílio, embora tenha opinado que, em meio à crise vivida no país, "não foi uma boa ideia deixar Duvalier retornar ao Haiti neste momento".
Duvalier, sucessor de seu pai, François Duvalier, e considerado, da mesma forma que ele, um ditador responsável por milhares de mortes durante seu regime, chegou em meados de janeiro ao país caribenho após 25 anos de exílio na França e atualmente pesa sobre ele acusações por desvio de capital e crimes contra os direitos humanos.
Embora nas últimas semanas Martelly não tenha descartado a possibilidade de ter Duvalier entre seus conselheiros em caso de chegar à Presidência, na entrevista garantiu: "Se (Duvalier) tem problemas com a Justiça, que a Justiça faça seu trabalho".
Frente às figuras políticas de Duvalier e do ex-presidente Jean Bertrand Aristide, quem também pediu retornar ao seu país a partir do exílio na África do Sul, o cantor se definiu como uma "terceira força" e ressaltou a necessidade de "reconciliar as pessoas no Haiti, porque a sociedade está muito dividida".
Sobre as dificuldades que enfrenta o Haiti para a reconstrução após o terremoto de janeiro de 2010, o candidato de ''Repon Payzan'' revelou que a comunidade internacional não tem "confiança no poder" atual, "porque após um ano o Governo não foi feito".
Martelly agradeceu à República Dominicana a "abertura de suas portas aos haitianos" e agradeceu ao presidente dominicano, Leonel Fernández, o projeto de construção de uma universidade em Porto Príncipe em 2012.
O candidato à Presidência haitiana, quem defendeu a criação de uma força em substituição no futuro à Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), chegou nesta quarta a Santo Domingo para uma visita de várias horas e deve manter reuniões com representantes do empresariado e da diáspora haitiana.
Martelly pediu na véspera a destituição do presidente do CEP, Gaillot Dorsainvil, e de seu diretor-geral, Pierre Louis Opont, face ao segundo turno das eleições presidenciais e legislativas, devido às irregularidades cometidas na primeira fase do processo, denunciado pela oposição como fraudulenta.
Meios locais assinalaram o pedido de retirada dos ministros de Justiça e Segurança Pública, Paul Denis; Assuntos Sociais, Gerald Germain e de Interior, Paul Antoine Bien-Aimé.

