América Latina

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14 de janeiro de 2010 • 10h24 • atualizado às 11h17

Haiti: Banco Mundial lidera doações; ONGs fazem apelo na web

infográfico info terremoto tremor haiti
Foto: Reuters
 

O Banco Mundial anunciou na noite de ontem que vai liberar US$ 100 milhões, a maior ajuda financeira até agora, para as vítimas do terremoto no Haiti, que pode ter matado cerca de 100 mil pessoas, segundo estimativas do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive. No comunicado, o Banco Mundial informa ainda que pretende criar um fundo para receber doações internacionais direcionadas ao Haiti. O aporte de US$ 100 milhões depende de aprovação do Conselho de Administração da organização.

Já a Cruz Vermelha desbloqueou US$ 500 mil de seu fundo de emergência para enviar ao Haiti, além de 40 t de remédios e material médico. A organização anunciou, no entanto, que necessita de ao menos US$ 10 milhões para dar início ao atendimento às 3 milhões de pessoas que acredita terem sido atingidas pela catástrofe. Para levantar a quantia, iniciou campanhas internacionais, como a que está sendo feita nos Estados Unidos, e já arrecadou US$ 2 milhões. No país, as doações de até US$ 10 são feitas pelo telefone celular.

Outras organizações estão contribuindo com alimentos, medicamentos ou mesmo mão de obra. O Programa Alimentar Mundial da ONU anunciou que fornecerá em breve 15 mil t de comida ao Haiti. A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou especialistas para ajudar a lidar com os mortos e advertir sobre o risco da disseminação de doenças na condição em que o país se encontra.

ONGs que não possuem recursos próprios estão pedindo doações, especialmente em suas páginas na internet. Alimentos, água e remédios estão entre os itens de primeira necessidade para os atingidos pelo terremoto. A Oxfam América, a World Concern e a International Medical Corps, entre outras, estão apelando por doações imediatas em seus sites. Já organizações dedicadas à assistência médica, como a International Medical Corps e Partners in Health, estão se preparando para a ação no país com envio de pessoal e captação de material médico.

Base no México
A ONU e a Cruz Vermelha abriram hoje centros de abastecimento no México para receber ajuda humanitária e doações que serão enviadas ao Haiti. A pedido da embaixada do Haiti no México, o sistema das Nações Unidas "trabalha em coordenação com as autoridades do governo do México, incluindo a Defesa Civil e a Secretaria de Relações Exteriores, para dar assistência ao povo haitiano", diz um comunicado do escritório mexicano da ONU.

A ONU abriu um centro de abastecimento para reunir produtos de primeira necessidade em sua sede na Cidade do México. Já a Cruz Vermelha abriu 32 centros de abastecimento de ajuda humanitária no México, um para cada Estado do país. Além disso, o organismo de ajuda humanitária enviará 20 especialistas em desastres e dez mil rações de comida ao Haiti.

Países
O Brasil lidera a lista de países que já se comprometeram a fazer doações para ajudar na reconstrução do Haiti. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, informou que a ajuda financeira às vítimas do terremoto no país pode chegar a US$ 15 milhões. Estados Unidos e Canadá também se comprometeram a ajudar. O primeiro deve enviar US$ 4,3 milhões e o segundo US$ 4,8 milhões. Alguns países da União Europeia, como Itália e Alemanha, devem fazer doações acima de US$ 1 milhão e a China, uma das maiores economias mundiais, também se comprometeu com US$ 1 milhão.

Personalidades
Personalidades internacionais também se mobilizaram para ajudar as vítimas do terremoto. O cantor americano Wyclef Jean, de origem haitiana, conclamou o exército dos Estados Unidos a liderar os esforços humanitários e exortou a comunidade internacional a "ajudar os haitianos de todas as maneiras possíveis". Ele também pediu doações à fundação Yele Haiti (www.yele.org), que criou em 2005 para apoiar projetos educativos, artísticos e esportivos no país.

O casal Brad Pitt e Angelina Jolie, um dos mais famosos de Hollywood, anunciou uma doação de US$ 1 milhão para ajudar os haitianos. O ciclista americano Lance Armstrong, heptacampeão do Tour de France, anunciou a doação de US$ 250 mil. O magnata americano Ted Turner se comprometeu a doar US$ 1 milhão para financiar ajuda humanitária e a reconstrução do país.

Outros astros expressaram solidariedade com o povo haitiano, em mensagens postadas no Twitter. "As pessoas no Haiti precisam de nossa ajuda e nossa atenção", escreveu o ator Ben Stiller, que inaugurou recentemente uma organização de caridade para financiar escolas no país. O casal de atores Demi Moore e Ashton Kutcher pediu às pessoas que façam doações à Unicef, assim como Nicole Ritchie, a filha do cantor Lionel Ritchie.

Como ajudar
A ONG Viva Rio, que está no Haiti desde 2004 desenvolvendo projetos sociais ligados às áreas de segurança, desenvolvimento e meio ambiente, abriu uma conta para receber doações que serão usadas para compra de gêneros alimentícios, água e medicamentos.

De acordo com nota da ONG, os brasileiros que trabalham no Viva Rio no Haiti e os estudantes da Unicamp que faziam uma pesquisa de campo no país estão bem. A sede do projeto sofreu pequenas rachaduras e está abrigando milhares de vítimas. O complexo comunitário de 25 mil m² fica em Bel Air, um bairro pobre no centro da capital.

Os militares brasileiros que fazem parte da Missão de Paz da ONU no Haiti (Minustah) estão trabalhando no atendimento às vítimas, e brigadistas treinados pelo Viva Rio estão se mobilizando para prestar auxílio aos desabrigados.

Confira a conta para doações:
Banco do Brasil
Agência 1769-8
Conta 5113-6

Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. No entanto, devido à precariedade dos serviços básicos do país, ainda não há estimativas sobre o número de vítimas fatais nem de feridos. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Redação Terra