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Franco e Lugo defendem versões em missão do Parlamento Europeu

16 jul 2012
21h28
atualizado às 22h08

Uma delegação do Parlamento Europeu se reuniu nesta segunda-feira com o presidente do Paraguai, Federico Franco, e seu antecessor, o destituído Fernando Lugo, para escutar suas versões sobre o processo de troca de poder que significou o isolamento regional do país.

Liderada pelo espanhol Luis Yáñez-Barnuevo e composta por outros eurodeputados da Espanha, França, Polônia e Alemanha, a delegação encontrou Franco e seu chanceler, José Félix Fernández Estigarribia, no Palácio de Governo, em Assunção.

Estigarribia disse em entrevista que os parlamentares foram "muito prudentes" e afastaram a possibilidade da União Europeia (UE) suspender sua cooperação com o Paraguai. Segundo o chanceler, os eurodeputados observaram que a visita era para colher informações e que o Parlamento Europeu ainda não adotou "nenhuma resolução" sobre o Paraguai.

Estigarribia assegurou que os delegados europeus frisaram que o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) suspenderam temporariamente o Paraguai após a cassação de Lugo, em 22 de junho, sem dar às novas autoridades do país "direito de defesa".

O Mercosul e a Unasul adotaram esta medida pois consideraram que ocorreu uma ruptura democrática no Paraguai, pois o ex-presidente Lugo não teria tido tempo para articular sua defesa no "julgamento político" realizado no Senado que o condenou por mau desempenho de suas funções.

Em seguida, a missão europeia foi para a sede do Paraguai Resiste, como é chamado o movimento que apoia Lugo, para se encontrar com o ex-presidente e seus colaboradores.

O senador Carlos Filizzola, ex-ministro do Interior de Lugo, contou que os representantes do movimento defenderam durante o encontro seu "direito de restaurar a ordem democrática no Paraguai".

Filizzola reiterou que o "julgamento político" violou o devido processo garantido pela Constituição paraguaia, pois se desenvolveu em apenas 17 horas e com acusações "baseadas em recortes jornalísticos", sem provas.

"Claro que eles não opinaram sobre o assunto", disse sobre os eurodeputados, que apresentarão um relatório para o Parlamento Europeu avaliar a situação no país.

O colaborador de Lugo explicou que da mesma forma como fizeram com o Mercosul e a Unasul, não pediram "sanções" da UE contra o novo Executivo.

"Nós em nenhum momento, nem antes nem agora, pedimos qualquer tipo de sanção", garantiu.

"O que eles (o novo Executivo) destroçaram em 22 de junho, a Constituição e o Direito, nós queremos que seja restaurado", defendeu.

A missão europeia se soma a realizada pela Organização dos Estados Americanos (OEA), liderada por seu secretário geral, José Miguel Insulza, quem há seis dias apresentou seu relatório ao Conselho Permanente do organismo.

Embora Lugo tenha pedido que a OEA, assim como o Mercosul e a Unasul, excluísse o Paraguai da organização, Insulza não apoiou essa medida e o Conselho não tomou nenhuma decisão, deixando para as chancelarias estudar o relatório.

As novas autoridades paraguaias acreditam em que as missões da OEA e da UE ajudarão a diminuir o isolamento internacional que significou para o país o impeachment de Lugo, há apenas nove meses das próximas eleições presidenciais.

Pesquisa publicada recentemente pelo jornal Ultima Hora aponta que os paraguaios aceitaram o processo de troca de poder (56% apoia a destituição de Lugo) mas não tem tanta confiança em seu substituto no governo.

A enquete constatou que 58% dos entrevistados (1.800 pessoas) tem uma opinião "boa" ou "muito boa" de Lugo, contra 46% de Franco. O novo Executivo conta com a confiança de apenas 45% dos entrevistados, enquanto um 41% não acredita em sua "capacidade" para governar o país.

Apesar de tudo, 61% não considera necessário antecipar as eleições, convocadas para abril de 2013, uma alternativa que foi ventilada como saída negociada para a crise no Paraguai, mas que não está prevista na Constituição.

A agenda da missão do Parlamento Europeu inclui ainda reuniões com responsáveis do Legislativo e com representantes do Poder Judiciário, da Igreja Católica e com líderes dos principais partidos políticos do país.

EFE   
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