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Franco diz que foi mal interpretado ao chamar morte de Chávez de 'milagre'

O presidente do Paraguai disse, durante visita aos Estados Unidos nesta quinta-feira, que não deseja a morte de ninguém

4 abr 2013
15h52
atualizado às 17h08
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O presidente do Paraguai, Federico Franco, reavaliou nesta quinta-feira um comentário em que definiu como um "milagre" a morte do líder da Venezuela, Hugo Chávez. Durante sua visita a Washington, Franco disse que queria "esclarecer" os comentários que fez durante sua estadia esta semana em Madri, "por ter sido mal interpretado, ou talvez pelo chanceler venezuelano (Elías Jaua) não ter recebido a informação".

Federico Franco, presidente do Paraguai
Federico Franco, presidente do Paraguai
Foto: EFE

Ontem, Jaua qualificou de "escória humana e política" a declaração de Franco. "Não é a última escória humana e política, Franco, presidente do Paraguai, que vai poder ofender ou agredir a memória desse gigante histórico que é o comandante Hugo Chávez", disse o chanceler.

"Eu, como ser humano, jamais desejo a morte de ninguém. Quando aconteceu a morte do presidente Chávez, expressamos como governo nossos pêsames à família e ao povo da Venezuela", disse em entrevista coletiva após intervir em um ato no centro de estudos Diálogo Interamericano. "Evidentemente o fato de que o presidente Chávez não é mais presidente faz com que a relação da América, pelo menos do Paraguai, com a Venezuela seja diferente", continuou.

Franco acrescentou que "respeita" a "interpretação" do chanceler venezuelano, mas minimizou a importância do ataque contra si. "Cada vez que o chanceler da Venezuela, antes (o atual presidente interino, Nicolás) Maduro e agora o atual, falam mal de mim, eu continuo ganhando medalhas (...) em meu país", disse.

Chávez morreu 5 de março em Caracas em consequência de um câncer que combateu desde meados de 2011 e pelo que afrontou quatro operações assim como tratamentos de quimioterapia e radioterapia.

Franco, que chegou ao poder em junho do ano passado, depois que o Congresso destituiu em um controverso julgamento político o então presidente Fernando Lugo, acusou Chávez de apoiar o EPP (Exército do Povo Paraguaio), um grupo armado que opera nas regiões florestadas do nordeste do Paraguai.

O líder paraguaio alegou hoje que seu governo "tem todas as fotos, todos os registros de pessoas que foram treinadas e protegidas na época do presidente Chávez", e assegurou que se seu país for readmitido no Mercosul e "se houver as condições", os entregará aos presidentes desse bloco, "incluído Venezuela".

Assim que o Paraguai foi suspenso, Argentina, Brasil e Uruguai admitiram como membro a Venezuela, cuja incorporação estava bloqueada há anos pela recusa do Parlamento paraguaio a ratificar o tratado de adesão.

Franco reiterou que a entrada da Venezuela "é claramente ilegal", e afirmou que "se há um país que se sente orgulhoso de ter refreado o crescimento do eixo bolivariano no Mercosul, é o Paraguai". Segundo sua opinião, antes de assumir o poder e antes da morte de Chávez, "uma ideologia estranha e estrangeira como a bolivariana estava estendendo seus tentáculos para poder fazer da América Latina e Paraguai um lugar onde se implemente a luta de classes".

"Acho que a Venezuela não será a mesma coisa sem Chávez. Com todo respeito", acrescentou Franco. "Faço votos para que quando a democracia for restabelecida na Venezuela o presidente se encarregue de governar seu país e permita que os outros países sigam com sua autodeterminação. Que não tenha nenhum tipo de ingerência nem política nem econômica", insistiu.

Franco evitou se pronunciar sobre o futuro do movimento bolivariano sem Chávez e sobre a possibilidade de que o líder equatoriano, Rafael Correa, tome o bastão. "Uns dizem Correa, outros dizem Evo (Morales). Vejo que o ambiente dentro do eixo bolivariano esta dividido, vamos deixar que eles decidam", concluiu.

EFE   
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