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Fila de 3 km faz com que família reabra velório de Zilda Arns

15 jan 2010
14h57
atualizado às 19h24
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Joyce Carvalho
Direto de Curitiba

Poucos minutos após ser fechado para uma missa exclusiva para familiares, o velório da fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, voltou a ser reaberto ao público. O motivo foram as grandes filas de pessoas que desejam dar o último adeus à médica que, às 17h, chegavam a 3 km de extensão. Zilda é velada no Palácio das Araucárias, em Curitiba (PR), sede do governo paranaense. Segundo a segurança do governo, cerca de 5 mil pessoas passaram pelo velório até as 19h.

Na parte da tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve chegar ao velório, por volta das 18h. Já o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) chegará às 16h.

O velório ficará aberto até as 14h deste sábado, quando começará a missa de corpo presente, fechada apenas para amigos e familiares. A celebração será presidida por d. Geraldo Magella Agnelo, Cardeal Arcebispo de Salvador, e Primaz do Brasil, co-fundador da Pastoral da Criança.

Admiradores, voluntários e religiosos estavam na fila quilométrica. As voluntárias da paróquia São Jorge, no bairro Portão, em Curitiba, estavam entre as primeiras pessoas que passaram em frente ao caixão da Zilda Arns, que está fechado. O grupo tem 29 pessoas, com várias formações diferentes. Elas atuam nas comunidades Ferrovila, Estrela e Nossa Senhora de Fátima, atendendo mais de 200 famílias.

"Ela era uma mãezona nossa... É uma perda irreparável. Foi um choque quando soubemos da morte dela", disse a coordenadora da Pastoral da Criança na paróquia, Regina Celi Nesi. A líder Euvanida Pimentel de Oliveira, que há 20 anos está na Pastoral da Criança, fez questão de prestar a última homenagem. "Ela era incrível. Você sentia um carinho dela, um carinho verdadeiro. Passava tranqüilidade. Parecia que a gente se conhecia há anos", afirmou.

Marisa Cristina de Souza, moradora do bairro Fazendinha, recebeu Zilda Arns em sua casa, há nove anos, quando o filho dela era recém-nascido. "Ela conheceu o menino, na época com três meses. Passou ensinamentos que eu apliquei em casa", afirmou.

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB) foi uma das primeiras autoridades a comparecer ao velório. "É um testemunho cristão. A vida dela é um exemplo de missão. Como fundadora da pastoral, salvou dezenas de milhares de vidas", disse.

O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, também compareceu ao velório. "Vim aqui prestar minha solidarieedade à família em nome da Câmara dos Deputados. Zilda Arns é uma pessoa que veio à Terra para dar exemplo. Deu exemplo durante toda sua vida e deu exemplo na hora da morte também", disse o parlamentar.

Biografia
A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, 75 anos, foi fundadora e coordenadora Internacional da Pastoral da Criança e fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ela estava em uma missão humanitária no Haiti para participar da Conferência dos Religiosos e também para motivar os líderes e voluntários da Pastoral da Criança no Haiti que trabalham com crianças, gestantes e famílias. Zilda também era representante titular da CNBB, do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Nascida em Forquilhinha (SC), residia em Curitiba (PR). A médica era mãe de cinco filhos e avó de dez netos. Escolheu a medicina como missão e optou pelos caminhos da saúde pública. Sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba (PR), e posteriormente como diretora de Saúde Materno-Infantil, da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico diversas especializações como Saúde Pública, pela Universidade de São Paulo (USP), e Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS).

Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória (PR), criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, Zilda criou a Pastoral da Criança juntamente com d. Geraldo Majela Agnello, cardeal arcebispo primaz de São Salvador da Bahia, que na época era arcebispo de Londrina.

Em 2004, Zilda recebeu da CNBB outra missão semelhante, fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de 129 mil idosos são acompanhados todos os meses por 14 mil voluntários.

Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.

Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. No entanto, devido à precariedade dos serviços básicos do país, ainda não há estimativas sobre o número de vítimas fatais nem de feridos. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.

Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, e militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto no Haiti.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.

O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.

A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.

Houve fila para o velório de Zilda Arns
Houve fila para o velório de Zilda Arns
Foto: Joyce Carvalho / Especial para Terra
Especial para Terra

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