atualizado às 16h33

Farc sequestram jornalista francês; Colômbia não confirma

O jornalista francês Roméo Langlois, correspondente da France 24 na Colômbia, em foto de junho de 2011 Foto: AP
O jornalista francês Roméo Langlois, correspondente da France 24 na Colômbia, em foto de junho de 2011
Foto: AP
 

O jornalista francês desaparecido no sábado na Colômbia após um ataque das Farc contra uma unidade militar que acompanhava para fazer uma reportagem "foi feito prisioneiro", afirmou neste domingo o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé. Roméo Langlois, correspondente do canal France 24 na Colômbia, "foi sequestrado durante um confronto entre as tropas colombianas e as Farc", as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, e "o jornalista foi feito prisioneiro", declarou o ministro em Lyon. "O centro de crise está mobilizado, estamos em contato com as autoridades colombianas", completou Juppé, que afirmou não dispor de mais informações.

O governo da Colômbia, no entanto, não confirmou o sequestro de Langlois e ainda o considera como desaparecido. O ministro da Defesa colombiano, Juan Carlos Pinzón, concedeu entrevista coletiva na base militar de Larandia, em Caquetá, no sul do país, onde lamentou o incidente com o repórter. Pinzón disse que a informação divulgada por seu ministério corresponde a "fatos exatos", mas deixou um recado às Farc: "se estão com ele, devem respeitar sua vida".

O jornalista acompanhava uma brigada do Exército colombiano em uma operação antidrogas no departamento de Caquetá (sul da Colômbia). O ataque dos rebeldes das Farc deixou pelo menos quatro mortos e seis desaparecidos. Neste domingo, o exército encontrou cinco militares dados por desaparecidos, mas não o jornalista.

Segundo testemunhos dos combatentes, Langlois recebeu um disparo no braço esquerdo e no meio da tensão tomou a decisão de tirar o colete e o capacete militar e ao manifestar que era civil deslocou-se em direção a área urbana, de onde disparavam os guerrilheiros. Pinzón relatou que unidades da Brigada contra o Narcotráfico, acompanhadas da Polícia e do jornalista francês ingressaram no sábado em uma região rural no selvático departamento do Caquetá.

Após destruir um laboratório, do qual retiraram 400 kg de pasta base de coca, as unidades tentaram ingressar em outra área na qual se preparavam para repetir a operação, mas ali encontraram guerrilheiros que atacaram o batalhão. Pinzón disse que segundo os militares os combates foram muito intensos e aconteceram durante várias horas, nas quais houve momentos de enfrentamento a curta distância e o inimigo estava vestido de civil, disparando desde casas ou utilizando civis desarmados como escudo humano.

Como consequência, foram assassinados quatro membros da polícia, seis ficaram feridos, 17 se encontram em perfeito estado e pelo menos um guerrilheiro foi morto. "A esta altura há apenas uma pessoa desaparecida: o repórter de guerra Roméo Langlois que esteve boa parte do tempo com as tropas, inclusive no meio do combate", disse Pizón.

Com informações das agências AFP e EFE.

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