1 evento ao vivo

Famílias israelenses querem adotar 100 órfãos haitianos

27 jan 2010
18h49
atualizado às 18h57
Gabriel Toueg
Direto de Tel Aviv

O governo israelense articula, junto às autoridades do Haiti, a adoção de dezenas de crianças cujos pais e parentes próximos morreram no terremoto do último dia 12 de janeiro. De acordo com a imprensa israelense, cerca de 100 crianças haitianas entre 3 e 4 anos seriam adotadas no país.

Lovely Morin, 8 anos, e Mariefleur Morin, 7 anos, perderam os pais no terremoto do dia 12
Lovely Morin, 8 anos, e Mariefleur Morin, 7 anos, perderam os pais no terremoto do dia 12
Foto: The New York Times

A supervisora nacional de adoções entre-países do Ministério israelense de Bem-Estar Social, Nechama Tal, afirma que há por enquanto quarenta famílias interessadas. Segundo ela, as famílias teriam procurado o ministério interessadas em adotar especialmente órfãos haitianos.

A funcionária explicou ao Terra que o embaixador de Israel na República Dominicana, Amós Radian, cuja representação diplomática se estende também ao país afetado pelos terremotos, está agora no Haiti "mapeando a situação e trabalhando junto ao ministério para avaliar a possibilidade de adoção dessas crianças". Porém, de acordo com ela, o processo vai levar varias semanas. Segundo Nechama, não se trata de um processo simples ou rápido. "Precisamos ter certeza absoluta de que cada uma dessas crianças é órfã de fato", diz.

Do Haiti, Radian confirmou por telefone que a delegação do Ministério de Relações está analisando a possibilidade de adoção de órfãos e confirmou que o processo vai levar tempo. "Por enquanto estamos ajudando organizações locais e trabalhando junto ao governo para cuidar dessas crianças", disse. Segundo o diplomata, se as adoções ocorrerem, serão feitas em total cooperação com o governo do Haiti. Radian disse que passará a atuar dividindo o tempo entre o Haiti e a República Dominicana.

Nechama assegura que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) está trabalhando junto às autoridades israelenses para mediar as adoções. No Unicef, a porta-voz do departamento de Proteção à Criança, Rebecca Fordham, disse que "não é algo que deve ocorrer imediatamente depois de uma situação de emergência", em referencia às adoções. "Ainda é muito cedo para começar qualquer processo de adoção", ela disse, por telefone, do escritório da entidade em Nova York. "Temos antes que registrar as crianças e buscar as famílias".

De fato, a Convenção de Haia desestimula a adoção de crianças entre países, e sustenta que a remoção de órfãos das áreas afetadas não pode ser confundida com a adoção por famílias em países diferentes. Em um comunicado divulgado no último dia 20, uma semana após o terremoto de 7 graus, a secretaria da Conferência de Haia alerta para o risco de adoções ilegais, raptos, venda e tráfico de crianças. A entidade determina as regras privadas da lei internacional. No documento, afirma que a primeira preocupação precisa ser a segurança das crianças.

Canadá
Em Israel, a co-diretora da ONG Orphfund, a canadense Anne-Sophie Cardinal, comparou a situação em Israel com a de famílias canadenses que recebem esta semana mais de 100 crianças haitianas. "As crianças adotadas no Canadá já estavam em uma fase avançada do processo de adoção", explica. Ela disse achar muito difícil que famílias consigam adotar órfãos do Haiti agora, porque tanto o país como o Unicef estão agindo com muita cautela. "O processo tem que ser muito cuidadoso e é preciso ter certeza de que a criança não tem ninguém".

A ONG, com sedes na Inglaterra, Austrália e em Israel, atua em países em desenvolvimento construindo creches e escolas para órfãos e crianças de rua. Anne-Sophie explicou que a entidade deve ir ao Haiti dentro de alguns meses para ajudar na reconstrução de uma escola e um orfanato em Porto Príncipe.

Fonte: Especial para Terra
publicidade