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Equador declara estado de exceção por tentativa de golpe

30 set 2010
15h45
atualizado às 18h50

O governo do Equador decretou nesta quinta-feira estado de exceção em todo o território nacional e delegou para as Forças Armadas a segurança interna e externa do país. O anúncio foi feito pelo secretário jurídico da presidência, Alexis Mera, em entrevista do palácio de governo. "Está determinado o estado de exceção por uma semana e que, nesse período, as forças militares assumirão o controle da segurança", disse.

Veja momento em que presidente do Equador é atacado

Dezenas de policiais tomaram vários regimentos nas três principais cidades do país - Quito, Guayaquil e Cuenca -, um dia depois de a maioria governista ter aprovado uma lei que regulará o serviço público e retirará seus benefícios. Paralelamente, cerca de 150 membros da Força Aérea Equatoriana (FAE) invadiram a pista do aeroporto internacional de Quito, obrigando as autoridades de aviação civil a suspender as operações. No maior quartel de Quito, Correa tentou abafar o levante, mas foi agredido.

Apoiado numa muleta pelo fato de que foi submetido há pouco a uma operação no joelho, o presidente conseguiu sair do quartel usando uma máscara de proteção e ajudado por seguranças depois da explosão de várias bombas de gás lacrimogêneo, segundo um jornalista da AFP no local. Após deixar o regimento, Correa retirou a máscara e foi levado para o Hospital da Polícia logo ao lado, onde entrou de maca apresentando sinais de asfixia pelo gás lacrimogêneo.

O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, convocou os manifestantes a acompanhá-lo ao hospital onde Correa está sitiado após a confusão registrada no quartel. "Vamos juntos, companheiros, resgatar nosso presidente. Não temos medo", afirmou Patiño, do lado de fora da sede de governo, a milhares de manifestantes. Há sinais de divisão entre os militares. O Chefe do Comando das Forças Armadas do Equador, Ernesto González, disse estar subordinado ao presidente.

Em frente ao hospital, policiais tentaram dispersar com gás lacrimogêneo a população que tentava chegar ao local para respaldar Rafael Correa. Alguns partidários do presidente equatoriano atiraram pedras contra policiais que os impediram de entrar no local. "O presidente está sendo mantido refém lá dentro", disse Fernando Jaramillo, 54 anos, um partidário de Correa. "É um enfrentamento do povo contra o povo", disse um dos participantes do protesto.

Protestos
Os distúrbios registrados no Equador têm origem na recusa dos militares em aceitar uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para reduzir os custos do Estado. As medidas preveem a eliminação de benefícios econômicos das tropas. Além disso, o presidente também considera a dissolução do Congresso, o que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições, depois que membros do próprio partido de Correa, de esquerda, bloquearam no legislativo projetos do governante.

Isso fez com que centenas de agentes das forças de segurança do país saíssem às ruas da capital Quito para protestar. O aeroporto internacional chegou a ser fechado. No principal regimento da cidade, Correa tentou abafar o levante. Houve confusão, e o presidente foi agredido e atingido com bombas de gás. Correa precisou ser levado a um hospital para ser atendido. De lá, disse que há uma tentativa de golpe de Estado. Foi declarado estado de exceção no Equador - com militares convocados para garantir a segurança nas ruas. Mesmo assim, milhares de pessoas saíram às ruas da cidade para apoiar o presidente equatoriano.

EFE   

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