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Equador: condenados diretores de jornal em ação do presidente

21 jul 2011
01h24
atualizado às 01h36
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O juiz equatoriano Juan Paredes decretou nesta quarta-feira três anos de prisão para os diretores do diário El Universo e seu editor de opinião Emilio Palacio, que deverão ainda pagar US$ 40 milhões ao presidente do país, Rafael Correa, que os processou por uma coluna que considerou ofensiva. Correa exigia US$ 80 milhões e três anos de prisão para os irmãos Carlos, César e Nicolás Pérez, donos do diário, além de Palacio.

Em comunicado, o diário qualificou o caso como "um atropelo contra o princípio universal da liberdade de expressão" e anunciou que apelará da sentença. Por outro lado, Alembert Vera, advogado de Correa, disse no diário oficial El Ciudadano que "existe no Equador a verdadeira defesa da liberdade de expressão, uma liberdade de expressão que consiste em que não exista o direito ao insulto".

Vera assinalou que Correa não ficará com o dinheiro da possível indenização uma vez esgotado o processo legal, mas não especificou o que o presidente faria com ele. Por sua parte, Palacio convocou os equatorianos a uma manifestação em favor da liberdade de imprensa. "A imprensa independente lutou até onde pôde. Agora chegou a hora de os cidadãos, unidos, se mobilizarem nas ruas", escreveu em sua conta no Twitter.

Na audiência, os diretores do El Universo, o diário tradicional de maior tiragem do Equador, ofereceram a Correa a publicação de uma correção da coluna para pôr fim ao processo e salvar o rotativo da quebra, segundo disseram. Correa rejeitou a oferta, apesar de anteriormente ter dito que retiraria o processo se o jornal corrigisse a coluna.

Correa foi à Justiça contra o El Universo em março devido a uma coluna na qual Palacio assegurava que durante o levante policial de 30 de setembro de 2010 o líder teria ordenado "fogo à vontade e sem prévio aviso contra um hospital cheio de civis e gente inocente".

O líder esteve retido durante grande parte desse dia no hospital policial e foi resgatado após uma operação levada a cabo por forças leais em meio a um intenso tiroteio.

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EFE   
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