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Equador concede asilo político ao fundador do WikiLeaks

16 ago 2012
09h38
atualizado às 14h42

O ministro das Relações Exteriores equatoriano, Ricardo Patiño, informou nesta quinta-feira, em entrevista coletiva em Quito, que o país concederá asilo político ao fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange. De acordo com o ministro, o Equador considerou que Assange sofre perseguição política e que existem sérias ameaças contra sua segurança e vida. A decisão foi aplaudida pelos presentes na sala em que o chanceler concedeu a entrevista.

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, concede entrevista em que anunciou a concessão de asilo a Assange
O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, concede entrevista em que anunciou a concessão de asilo a Assange
Foto: Reuters

Assange, 41 anos, está na embaixada equatoriana em Londres desde o dia 19 de junho para tentar escapar da extradição à Suécia, onde sofre acusações por agressão sexual e estupro. No pedido de asilo, Assange afirmou ser vítima de perseguição política pelas suas ações frente ao site WikiLeaks e que teme ser entregue posteriormente às autoridades dos Estados Unidos. Patiño disse que a decisão de conceder o asilo foi fundamentada pelas normas do direito internacional.

Segundo Patiño, o Equador também considerou que Assange não terá um tratamento justo caso seja extraditado para os Estados Unidos e que teme que ele seja julgado por um tribunal de exceção e condenado à morte por acusações de espionagem em consequência das revelações de centenas de milhares de telegramas diplomáticos e documentos de Washington sobre as guerras do Iraque e Afeganistão.

Patiño afirmou que em diversas ocasiões o Equador tentou manter diálogos diplomáticos de alto nível com os outros três países implicados no caso. Segundo ele, as autoridades equatorianas pediram ao Reino Unido que desse garantias políticas de que Assange não seria extraditado a um terceiro país, o que não foi feito pelo governo britânico.

Ele disse que o seu país ofereceu estrutura e logística para que as autoridades suecas colhessem o depoimento de Assange na embaixada equatoriana em Londres, o que não foi aceito pela Suécia, que também se recusou a garantir que não extraditaria o fundador do WikiLeaks para os Estados Unidos. Por fim, ele afirmou que após ser consultado, o governo americano disse que não poderia dar informação sobre o caso.

Resposta britânica
Após o anúncio do chanceler equatoriano, o governo do Reino Unido afirmou que manterá sua intenção de extraditar Assange para a Suécia. "Estamos desapontados com a declaração do ministro de Relações Exteriores do Equador, de que o país ofereceu asilo político a Julian Assange", afirmou o porta-voz do Departamento de Relações Exteriores britânico.

"Sob a legislação britânica, o senhor Assange exauriu todas as suas opções de apelação e as autoridades britânicas têm a obrigação de extraditá-lo para a Suécia. Nós devemos realizar esta obrigação", acrescentou o porta-voz. Antes mesmo de o Equador tomar uma decisão, o governo britânico já havia informado que negará o salvo-conducto a Assange, mecanismo que permite que ele deixe o país e se destine ao Equador.

Na abertura da coletiva, Patiño condenou a postura do governo britânico de não respeitar a soberania da embaixada equatoriana caso o país sul-americano decida conceder asilo a Assange. "Não podemos permitir que o processo de conversas amistosas seja entorpecido e burlado por uma manifestação oficial que agrida o Equador", disse o chanceler. O direito internacional considera que as embaixadas são invioláveis e que não estão sujeitas às leis de polícia do país em que estão instaladas.

Na quinta-feira, o governo britânico ameaçou invadir a embaixada equatoriana para prender Assange. No entanto, após emitir a declaração, Patiño afirmou que confia que o Reino Unido respeitará a decisão do Equador.

Fonte: Terra
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