
O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, foi reeleito neste domingo com uma ampla vantagem sobre seu principal oponente, o empresário de rádio Fabio Gadea, em uma jornada marcada pelas denúncias de irregularidades e dos impedimentos aos observadores internacionais.
O líder sandinista é o ganhador das eleições presidenciais realizadas no país, ao estar 40,91 pontos a frente de Gadea, da aliança Partido Liberal Independiente (PLI), segundo os primeiros resultados oficiais da apuração provisória.
De acordo com a informação oficial do Conselho Supremo Eleitoral (CSE), uma vez apuradas 6,76% das 12.960 juntas receptoras de votos, Ortega obteve 114.268 votos, equivalentes a 66,43% do total, enquanto Gadea, seu principal oponente, soma 43.894 votos, 25,52%.
A tendência em favor de Ortega, que na próxima sexta-feira completa 66 anos, por essa amplíssima diferença de pontos, torna irreversível o resultado da votação, segundo os analistas locais.
A candidatura do sandinista Ortega, que aparecia como favorito para ganhar em todas as pesquisas, foi qualificada por diferentes setores como "ilegítima, ilegal e inconstitucional", por causa de suas manobras legais para evitar a proibição constitucional que o impedia de aspirar à reeleição.
A oposição a Ortega veio rachada para esta eleição, mas concordou em questionar unanimemente a candidatura do líder. A Constituição da Nicarágua proíbe a reeleição imediata do presidente, mas os magistrados governistas da Corte Suprema de Justiça declararam inaplicável esse artigo, o que abriu caminho para Ortega vir como candidato.
Em terceiro lugar na apuração está o ex-governante Arnoldo Alemán (1997-2002), com 7,10%, da aliança Partido Liberal Constitucionalista (PLC), segundo o relatório preliminar lido pelo titular do CSE, Roberto Rivas.
Depois e em quarto lugar está o ex-dirigente da "Contra" antissandinista e atual deputado Enrique Quiñónez, da Aliança Liberal Nicaraguense (ALN) (0,2%), e em quinta posição está o acadêmico Roger Guevara, da Aliança pela República (Apre), com 0,07% dos votos.
Desde antes da leitura destes primeiros resultados parciais, milhares de simpatizantes do presidente Ortega saíram às ruas e praças de Manágua para comemorar antecipadamente sua vitória.
Os nicaragüenses votaram este domingo para escolher o novo presidente do país, vice-presidente, 90 deputados da Assembleia Nacional e 20 representantes para o Parlamento Centro-Americano (Parlacen).
A jornada foi caracterizada pela "normalidade", segundo o Governo, mas houve denúncias de irregularidades e de "impedimentos" aos observadores internacionais para cumprir seu trabalho, assim como protestos e casos de violência.
O chefe da missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) na Nicarágua, o ex-chanceler argentino Dante Caputo, denunciou que lhes impediram de ter acesso a 20% das mesas eleitorais que tinham previsto vigiar na abertura do processo. "Este é um caso que não nos tinha acontecido até agora e que o consideramos preocupante", advertiu.
No entanto, antes de os primeiros resultados serem lidos, a missão da OEA, em comunicado, disse que não constatou "anomalias relevantes" no fechamento das mesas de votação e esclareceu que "a presença" de seus delegados nos colégios eleitorais "se normalizou no transcurso do dia".
Por sua vez, o chefe da missão de observadores da UE, o eurodeputado socialista espanhol Luis Yáñez, denunciou que 20 de seus 90 observadores tiveram "dificuldades" para ter acesso às mesas eleitorais, qualificando de "inexplicável" os "impedimentos, a opacidade e tantas manhas" durante o dia de votação.
Yáñez, que condenou a falta de acesso dos observadores às mesas de votação, afirmou que a missão da UE constatou na jornada eleitoral "problemas com as atas tanto da abertura de colégios como nas atas de apuração" e que em alguns lugares "as cópias são ilegíveis".
Apesar esses incidentes, a autoridade eleitoral destacou a "normalidade" do pleito e assegurou que houve uma afluência de pelo menos 70% de eleitores. O pleito foi vigiado por cerca de 200 observadores da OEA, da UE e um grupo de especialistas latino-americanos em eleições, além de cerca de 20 mil fiscais nacionais.
