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Eleições no Equador: principal opositor acredita em 2º turno contra Correa

19 jan 2013
13h31
atualizado em 6/2/2013 às 22h35
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A pouco menos de um mês das eleições presidenciais no Equador, o principal candidato da oposição, Guillermo Lasso, disse ao Terra que está confiante em levar a decisão para o segundo turno, apesar da ampla vantagem do atual presidente, Rafael Correa, em todas as pesquisas divulgadas até agora. O último levantamento, divulgado esta semana, mostra o opositor com 18% das intenções de voto contra 49% de Correa. Em entrevista exclusiva, Lasso fala das dificuldades da campanha, principalmente porque não está competindo apenas contra um candidato, “mas contra todo o peso do Estado”.

Aos 57 anos, o bancário Guillermo Lasso é o principal opositor de Rafael Correa nas eleições do próximo dia 17 de fevereiro 
Aos 57 anos, o bancário Guillermo Lasso é o principal opositor de Rafael Correa nas eleições do próximo dia 17 de fevereiro
Foto: Creo / Divulgação

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Aos 57 anos, o representante da coligação Criando Oportunidades (Creo) aborda o tema da segurança pública em todas as aparições públicas. “A insegurança no Equador preocupa a todos”, diz Guillermo Lasso, que culpa as “condições sociais” pela falta de segurança, mas promete contratar 21 mil novos policiais.

Ex-presidente do Banco de Guayaquil, o empresário promete usar a experiência de 42 anos no setor bancário para combater a pobreza no Equador através da geração de empregos e do apoio ao empreendedorismo. Lasso afirma que quer “mais Equador no mundo e mais mundo no Equador” e, para isso, defende alianças comerciais com os Estados Unidos, com a Europa e com a Ásia, mas não deixa claro se vai apoiar o ingresso do país no Mercosul. Confira a entrevista:

Terra – O Conselho Nacional Eleitoral disse que os resultados das eleições do dia 17 de fevereiro não serão conhecidos imediatamente. O senhor acredita que o processo perde um pouco de credibilidade por isso? O senhor acredita no trabalho do Conselho Nacional Eleitoral?
Guillermo Lasso – O Conselho Nacional Eleitoral tem uma grande dívida com todos os equatorianos. Permitiram que todo o processo eleitoral fosse contaminado com vários casos polêmicos (...), como as limitações dos veículos de comunicação para realizar a cobertura dos candidatos, o desentendimento sobre o uso dos veículos públicos para promover a imagem do candidato-presidente etc. Mas seguimos em pé, superando todos os obstáculos com a certeza de que ganharemos as eleições.

Terra – O senhor acredita que há desigualdade entre as campanhas do presidente Rafael Correa e dos demais candidatos? Como é, para o senhor, fazer uma campanha contra o atual presidente e quais são as dificuldades?
Lasso – Sem dúvida estamos em uma campanha dura, porque não competimos somente contra um candidato, mas sim contra todo o peso do Estado. Felizmente, milhões de equatorianos já acreditam que outro país é possível, e todos – incluindo o candidato-presidente – preveem que passaremos ao segundo turno, para, posteriormente, ganharmos no dia 7 de abril.

Terra – O governo do presidente Rafael Correa foi marcado por relações pouco amistosas com a imprensa. Se o senhor for eleito, como será o tratamento com a imprensa no seu governo?
Lasso – No próximo dia 17 de fevereiro os equatorianos tem a opção de decidir entre duas opções: se querem a continuidade do medo e das restrições de liberdades, ou se querem seguir o caminho da mudança, para viver com esperança em um Equador democrático e com liberdade que nós estamos propondo. No meu governo, garantiremos a liberdade de expressão e o diálogo, dentro dos limites do respeito, como ferramentas que fortaleçam a democracia. Os meios de comunicação independentes cumprirão a função de verdadeiros contrapesos ao governo.

Terra – Em resumo, como o senhor avalia o governo do presidente Correa? Quais foram os erros e as conquistas do atual Executivo?
Lasso – Venho sustentando publicamente que esse governo obteve certas conquistas; por exemplo, no programa da vice-presidência, Manuela Espejo (uma missão solidária a favor de pessoas com deficiências). No entanto, tem muitas dívidas com os equatorianos, principalmente a insegurança e a falta de emprego. Por isso proponho que os equatorianos deixem para trás o medo de ser assaltados, o temor de não ter um emprego, e comecem a viver com esperança a partir das eleições do dia 17 de fevereiro.

Terra – Nas suas propostas o senhor diz que pretende fazer um verdadeiro levante pela segurança pública no Equador. O senhor considera que o país é inseguro?
Lasso – No Equador, a insegurança preocupa a todos. Desde a delinquência comum do dia a dia, até a mais complexa, organizada e transnacional. Isso se deve a condições sociais como a falta de emprego, de espaços de recreação para jovens e de educação; mas também a falta de apoio econômico e político do governo com a Polícia Nacional. O assunto da segurança requer muito investimento em pessoal e em tecnologia, por isso que contrataremos 21 mil agentes – que é o que falta – e desenvolveremos a inteligência policial para desarticular as quadrilhas organizadas e frear a violência que tanto dano nos tem causado.

Terra – O senhor tem muita experiência no setor bancário. O que dessa experiência pode ajudar um presidente da República?
Lasso – Comecei a trabalhar aos 15 anos para poder pagar meus estudos no colégio e contribuir com a economia da família. Em 40 anos de vida profissionais, adquiri uma valiosa experiência que me permite assumir o governo para ajudar a criar um Equador de oportunidades. Deste o feito de que durante todo esse tempo aprendi a administrar a escassez, o que permitirá que meu governo faça muito mais pelos equatorianos utilizando menos recursos.

Terra – O senhor defende acordos econômicos com os Estados Unidos, com a Europa e com a Ásia. Isso significa que o senhor pretende promover uma abertura econômica no Equador? O senhor acha que o país perdeu oportunidades com o rechaço do presidente Correa a alianças desse tipo?
Lasso – É isso. Acredito que o nosso país não pode mais se isolar do resto do planeta somente por questões ideológicas. Os equatorianos devem estar em condições de negociar com todo aquele que queira comprar nossos produtos, e no meu governo vamos garantir a conquista de acordos comerciais que permitam que isso aconteça. Precisamos de mais Equador no mundo e mais mundo no Equador.

Terra – O atual governo começa a avaliar o ingresso do país no Mercosul. O senhor acredita que fazer parte do bloco econômico seria bom para o Equador?
Lasso – Nós somos a favor de todos os acordos comerciais e espaços de integração que beneficiem os equatorianos.

Terra – Falando sobre as relações internacionais, o senhor tem contato com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff? Como espera que sejam as relações do seu governo com os países vizinhos?
Lasso – Meu desejo é conquistar boas relações com todos os países do mundo. Meu principal objetivo no âmbito internacional se resume a “mais Equador no mundo e mais mundo no Equador”. Por isso, acredito nas relações com todos os países que tragam benefício mútuo para nossos povos.

Terra – No seu governo, como pretende que sejam as relações com o Brasil?
Lasso – Brasil e Equador são países irmãos. Espero que num futuro próximo os equatorianos possam compartilhar com o povo brasileiros novas oportunidades que nosso país terá para oferecer-lhes em diversas áreas, como negócios, cultural, turismo, educação e tecnologia. Tudo isso será possível graças ao novo Equador que está chegando, um país com instituições democráticas sólidas, próspero e socialmente responsável.

Terra – A maioria dos países da América Latina é governada por presidentes de esquerda. O senhor, que pensa diferente, acredita que seu eventual governo pode ter dificuldades nas relações com os vizinhos?
Lasso – Eu acredito que as relações entre países que são voltadas para o desenvolvimento social de seus habitantes como objetivo principais não têm porque depender da ideologia de seus governantes. Vou trabalhar de mãos dadas com todos os países e líderes regionais que compartilhem esse objetivo comum.

Terra – Recentemente, dois países da América Latina passaram por crises políticas. Primeiro, o Paraguai (com a destituição do presidente Fernando Lugo em junho do ano passado). O senhor chamaria de “golpe” o que aconteceu no Paraguai?
Lasso – Devemos lembrar que a democracia começa com o voto, mas não termina com o voto. Neste caso, é o povo paraguaio o encarregado de buscar o cumprimento da ordem constitucional democrática. Acredito que nenhum país deve interferir nos problemas de ordem nacional que são específicos para uma situação local, como no caso do Paraguai.

Terra – E como o senhor vê o atual momento na Venezuela?
Lasso – O que acontece hoje na Venezuela é consequência de um enfraquecimento das instituições democráticas nos últimos anos. A alternância no poder é uma base importantíssima em qualquer sistema democrático para evitar medidas como as aplicadas hoje ao povo venezuelano. A Venezuela sempre foi um país importante para o desenvolvimento da região. Espero que rapidamente possam resolver aquele problema de vazio de poder e que os processos democráticos sejam a chave para que as instituições, que foram degradadas, recuperam sua força para o bem dos irmãos venezuelanos e da região.

Fonte: Terra
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