atualizado às 22h35

De la Rúa tacha de "absurda" a acusação de subornos no Senado

 

O ex-presidente argentino Fernando de la Rúa afirmou nesta terça-feira que é "absurda" a acusação contra ele, ao depor pela primeira vez no julgamento por sua suposta responsabilidade em um caso de subornos para que o Senado aprovasse uma polêmica reforma trabalhista.

"Venho exercer a defesa para esclarecer e demonstrar minha inocência e a inexistência do fato. Defender-me é também defender meu governo, minha honra, minha família, meu partido e a instituição presidencial", disse o homem que governou a Argentina entre 1999 e 2001.

De la Rúa, da União Cívica Radical (UCR), depôs logo após o ex-secretário parlamentar do Senado argentino, Mario Pontaquarto, que confessou ter levado ele mesmo o dinheiro para os subornos.

O ex-presidente afirmou perante os juízes que é "absurda a acusação" que ele ordenou pagar subornos a senadores para a aprovação em 2000 de um projeto de uma reforma trabalhista que era muito criticado pelos sindicatos.

De la Rúa assinalou que os votos dos então senadores opositores supostamente subornados não foram decisivos para a aprovação final da lei.

Se for considerado culpado, De la Rúa, que renunciou a seu cargo em dezembro de 2001 no meio de uma intensa agitação social e uma severa crise econômica, pode ser condenado a uma pena de até seis anos de prisão, da mesma forma que os outros acusados.

O processo, que começou no último dia 14, é o segundo julgamento de um ex-presidente democrático argentino desde a última ditadura após o processo contra Carlos Menem (1989-1999) pelo suposto contrabando de armas à Croácia e Equador, no qual foi absolvido.

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