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Confirmados para 2º turno, Humala e Keiko buscam aliados

11 abr 2011
20h07
atualizado às 22h57

O político nacionalista Ollanta Humala e a parlamentar Keiko Fujimori, filha do ex-líder Alberto Fujimori, já são os dois oponentes confirmados para o segundo turno das eleições gerais no Peru, que será realizado no dia 5 de junho, obrigando-os a buscar alianças. Com 83% das urnas apuradas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Humala é ratificado como candidato mais votado, com 30,9% dos votos, seguido por Keiko Fujimori, que recebeu 23,1% de apoio.

Principais jornais peruanos destacam o enfrentamento entre Ollanta Humala e Keiko Fujimori para o segundo turno
Principais jornais peruanos destacam o enfrentamento entre Ollanta Humala e Keiko Fujimori para o segundo turno
Foto: EFE

Em terceiro lugar, ficou o economista Pedro Pablo Kuczynski (19,6%), que esperou até esta manhã para admitir a derrota nas urnas, já que na tarde deste domingo alguns dados indicavam-no em segundo, à frente de Keiko. A contagem dos votos para as cadeiras parlamentares segue muito mais lenta, mas já se sabe que há semelhanças com os votos das presidenciais, pois os partidos e coligações mais votados são Gana Peru, de Ollanta Humala (aproximadamente 26% dos votos) e Força 2011, de Keiko Fujimori (22%).

Isto significa que, tanto para garantir os votos no segundo turno como para obter maioria cômoda no Congresso, Humala e Keiko vão precisar de negociações para obter aliados políticos. Em princípio, Keiko parece em condições melhores para isso, pois, com inclinação à direita, se aproxima mais da ideologia dos candidatos derrotados no primeiro turno.

Kuczynski não quis se pronunciar diretamente sobre quem poderia endossar seus votos. "Ollanta Humala é mais perigoso, mas Fujimori também tem suas desvantagens", declarou o terceiro colocado nas urnas, que disse ainda que qualquer apoio será decidido com base em três premissas: respeito aos direitos humanos, liberdade de imprensa e combate à corrupção.

No entanto, outros dirigentes da aliança liderada por Kuczynski, como a política Marisol Pérez Tello, já se pronunciaram a favor da filha de Alberto Fujimori - ex-presidente peruano, que atualmente cumpre pena de mais de 25 anos por corrupção e violação de direitos humanos. Já o congressista Carlos Bruce, líder parlamentar do partido Peru Possível (PP) - mesma legenda do ex-presidente Alejandro Toledo -, comentou nesta segunda-feira que decidir entre Keiko e Humala "não é fácil".

Bruce ressaltou que seu partido tem "razões fundadas para desconfiar sobre se essas duas opções vão respeitar o sistema democrático, os direitos humanos, a liberdade de imprensa e o crescimento econômico", mas disse que seus correligionários vão tentar "ver se conseguimos encontrar pontos de vista em comum".

Keiko permaneceu em sua casa nesta segunda-feira e não quis fazer declarações à imprensa, ao contrário de Humala, que expressou disposição a dialogar tanto com a legenda de Kuczyniski como com o partido Peru Possível. Outro que fez declarações foi o presidente Alan García, que parabenizou Humala por ter sido capaz de "expressar uma vocação de 30% de peruanos que queriam mais obras e mais atenção".

Quanto a Keiko Fujimori, o atual líder disse que ela "representou uma bandeira de ordem, uma lembrança de pequenas obras em favor dos mais humildes", referindo-se às políticas de caráter assistencialista propostas pela candidata. Os resultados eleitorais não tranquilizaram a Bolsa de Valores de Lima, que encerrou o pregão com baixa de 3,1%, atribuída pelos analistas aos temores políticos dos mercados, e mais concretamente ao medo de uma vitória de Humala por seus propósitos de reformar a Constituição e reequilibrar o modelo econômico em busca de melhor distribuição de renda.

Em suas declarações feitas nesta segunda-feira, no entanto, o presidenciável prometeu que não irá mudar o modelo econômico e ofereceu aos investidores estrangeiros resolver a "instabilidade social" no Peru, bem como fortalecer as relações diplomáticas com os Estados Unidos. Alan García, por sua vez, passou uma mensagem clara contra qualquer mudança na política econômica. "O mundo sabe que, seja quem for o eleito presidente, homem ou mulher, estará sujeito aos compromissos que já existem, às diretrizes racionais do sistema econômico mundial".

Dos dois candidatos confirmados no segundo turno, foi a equipe de Ollanta Humala que começou nesta segunda-feira a multiplicar sua aparição em programas de rádio e televisão, lançando mensagens de moderação e na busca de aliados. De ambos os porta-vozes do nacionalismo, os congressistas Daniel Abugattás e Marisol Espinoza Cruz já começaram a 'cortejar' Beatriz Merino para possível primeira-ministra, em uma eventual vitória de Humala no segundo turno.

Merino preferiu se manter em silêncio sobre o assunto. Afinal de contas, esta segunda-feira é somente o primeiro dia de negociações após o primeiro turno e ainda restam dois longos meses de campanha pela frente.

EFE   
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