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Comunidade internacional condena tentativa de golpe no Equador

30 set 2010
14h54
atualizado às 21h15

A comunidade internacional se manifestou em oposição à tentativa de golpe contra o governo equatoriano, como está sendo chamada pela imprensa local a série de manifestações de militares e policiais pelo país nesta quinta-feira.

Presidente do Equador desafia manifestantes, veja

O presidente do Equador denunciou hoje uma tentativa de golpe de Estado contra ele, e afirmou que sua vida corre perigo, no quarto de um hospital em Quito no qual se refugiou depois de ser agredido com bombas de gás lacrimogêneo por oficiais descontentes com uma lei de corte de benefícios. Horas depois, o governo equatoriano declarou estado de exceção para que os militares assumam as tarefas de policiais.

Brasil
O chanceler brasileiro, Celso Amorim se comunicou com seu colega do Equador, Ricardo Patiño, para expressar-lhe "solidariedade" com o governo e "a democracia" dessa nação. Uma nota do Ministério das Relações Exteriores informou ele "mantém informado" o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "sobre gestões em curso para uma resposta firme e coordenada do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Organização dos Estados Americanos (OEA)".

Estados Unidos
A Casa Branca expressou total apoio dos Estados Unidos ao presidente do Equador, Rafael Correa, e exigiu um fim pacífico para a crise no país sul-americano.

Argentina
O governo argentino rejeitou "a sublevação de forças militares e policiais que põem em risco as instituições democráticas no Equador", condenou as "ações desestabilizadoras" e expressou apoio ao governo Correa. "A América Latina não aceita mais ataques à democracia nem tentativas de burlar a vontade popular que se manifesta nas urnas. A Argentina estará à frente da defesa da democracia e dos direitos humanos juntamente com os países irmãos da Unasul e do Mercosul", acrescentou um comunicado do governo de Cristina Kirchner.

Espanha
A Espanha emitiu um comunicado nos mesmos moldes. "Ante as notícias de uma tentativa de golpe de Estado na República do Equador, o governo da Espanha quer condenar firmemente qualquer ruptura da legalidade constitucional e reiterar seu apoio ao governo legítimo e às instituições democráticas do Equador", disse o ministro de Assuntos Exteriores em um comunicado.

França
O presidente da francês, Nicolas Sarkozy, expressou seu "total apoio" ao chefe de Estado do Equador, e condenou as "tentativas de pôr em questão a ordem constitucional" nessa nação andina, segundo um comunicado do Eliseu. O presidente "expressa seu total apoio ao presidente Correa e a seu governo democraticamente eleito", afirma a nota, que também condenou os atos de "violência" registrados em Quito e denunciados pelo presidente equatoriano, "acompanha com atenção e preocupação a situação no Equador", completa o mesmo comunicado oficial.

Venezuela
Por sua vez, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, denunciou uma tentativa de golpe de Estado contra Correa e pediu aos povos da Unasul para que fiquem "alertas". "Estão tentando derrubar o presidente Correa. Alerta, povos da Aliança Bolivariana! Alerta, povos da Unasul! Viva Correa!", expressou Chávez em sua conta no Twitter.

México
O governo mexicano manifestou hoje respaldo ao presidente do Equador, Rafael Correa, e expressou confiança de que as instituições desse país sul-americano encontrem uma solução perante a crise política que vive após um protesto policial. "O governo do México expressa sua preocupação pelos fatos ocorridos hoje na República do Equador e que podem afetar a vida institucional nesse país irmão", indicou a Chancelaria mexicana em um breve comunicado.

Cuba
O governo de Cuba também condenou "o golpe de Estado que se desenvolve no Equador", expressando "completo respaldo" ao presidente Correa e pedindo ao governo dos Estados Unidos a se pronunciarem contra a tentativa golpista, porque "uma omissão o tornaria cúmplice". O chanceler Bruno Rodríguez leu em Havana perante a imprensa uma mensagem do governante Raúl Castro onde se expressa a "enérgica" rejeição de Cuba à tentativa golpista da "oligarquia e grupos conspiradores" do Equador.

Bolívia
O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou o que chamou de "vergonhosa conspiração" que enfrenta hoje seu colega do Equador, que, em sua opinião, busca dar um "golpe de Estado". "Esta é uma nova tentativa de evitar à força e com violência, como ocorreu em Honduras, a imparável mudança revolucionária em toda a América Latina", diz uma carta enviada por Morales a Correa.

Chile
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, também expressou o "mais absoluto respaldo" de seu governo a Correa. Piñera, quem disse ter falado "profunda e extensamente" com seu colega equatoriano, lhe expressou "nosso pleno e total apoio à ordem constitucional, à democracia e ao Governo constitucional do presidente Rafael Correa", disse o líder em entrevista à imprensa no Palácio de La Moneda em Santiago.

Colômbia
Por sua vez, o vice-presidente da Colômbia, Angelino Garzón, ressaltou que seu país só reconhece como governo "legítimo" do Equador o que é liderado por Correa. "Nós reconhecemos como o governo legítimo do Equador o governo que é liderado pelo presidente Rafael Correa", indicou Garzón à imprensa em Bogotá.

Paraguai
O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, expressou rejeição perante a "sublevação de setores armados" enfrentada pelo governo do Equador e condenou os que buscam desestabilizar a democracia nesse país.

OEA
Também manifestou seu respaldo a Correa o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, quem expressou confiança em que o Governo do Equador possa controlar os protestos de policiais e militares. "Temos confiança em que o Governo do Equador controle a situação", disse Insulza em declarações ao Canal 24 Horas, da emissora estatal da televisão chilena (TVN).

Unasul
Da mesma forma, o secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o argentino Néstor Kirchner, declarou o firme "compromisso e a mais absoluta solidariedade" com Correa. O governo espanhol foi outro que expressou total respaldo ao Executivo do Equador e às instituições democráticas desse país perante as notícias de uma "tentativa de golpe de Estado" e condenou "qualquer ruptura da legalidade constitucional".

Tensão
O clima se tornou tenso no país depois que cerca de 150 militares equatorianos tomaram o controle da pista do aeroporto internacional de Quito durante protestos. "O aeroporto está fechado", disse à Reuters o funcionário do aeroporto, que pediu para não ser identificado.

Outro grupo tomou um dos maiores regimentos do exército da capital, onde estava o presidente, Rafael Correa. Segundo a imprensa equatoriana, Correa tentou dialogar com os policiais, que responderam com insultos e tentaram jogar água no presidente.

Imagens de televisão mostraram policiais uniformizados queimando pneus na entrada de um dos maiores quartéis de Quito. Outro grupo fechou uma ponte e vias de acesso à capital econômica do país. Outros setores já anunciaram que se unirão ao protesto, segundo publica o Diário Hoy em seu site.

As tropas equatorianas protestam por causa da eliminação de benefícios econômicos incluídos em uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para cortar custos do Estado. No campo político, membros do próprio partido de Correa, de esquerda, estão bloqueando no Legislativo o projeto do governante, o que levou o presidente a considerar a dissolução do Congresso, medida que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições.

Fonte: Redação Terra
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