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Oriente Médio

Chávez e Ahmadinejad fortalecem aliança e criticam os EUA

23 jun 2012 - 00h52
(atualizado às 03h40)
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Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, se reuniram nesta sexta-feira em Caracas para fortalecer a "aliança estratégica" entre seus países e aproveitaram para compartilhar suas críticas contra os Estados Unidos, acusados de exportarem "democracia com fuzil".

Presidentes aproveitaram para compartilhar suas críticas contra os Estados Unidos, acusados de exportarem "democracia com fuzil"
Presidentes aproveitaram para compartilhar suas críticas contra os Estados Unidos, acusados de exportarem "democracia com fuzil"
Foto: Reuters

Chávez e Ahmadinejad analisaram os programas de cooperação, especialmente o de construção de casas no país caribenho, rejeitaram as "ameaças" contra as revoluções que lideram e defenderam a democracia após a destituição do presidente paraguaio, Fernando Lugo.

O governante venezuelano comemorou a visita de seu colega iraniano, a quem qualificou de "irmão", "aliado" e "verdadeiro líder" dos povos que lutam "contra as forças imperiais que pretendem seguir impondo seus desígnios perversos".

"Sabemos das ameaças que seguem apontando contra a soberania, a independência do povo do Irã e seu governo. Sabemos o heroico esforço que fizeram, mas, além disso, as dificuldades impostas, os obstáculos impostos pelo imperialismo", disse Chávez, que recebeu Ahmadinejad com honras militares e um abraço.

O venezuelano mencionou os "bloqueios, as ameaças e as sanções unilaterais que pretendem impor" à revolução islâmica do Irã e assegurou que contam "com todo o apoio do povo venezuelano", do governo e da revolução bolivariana.

Ahmadinejad ressaltou a oportunidade de encontrar-se com seu "querido irmão" Chávez, a quem definiu como um "revolucionário que está resistindo ao grande imperialismo, defendendo os direitos de seu povo e os de todos os povos independentes do mundo".

"É um motivo de orgulho para nós esta amizade que temos com o povo venezuelano", acrescentou o governante iraniano, antes de advertir que o "imperialismo mobilizou todo seu poder para pressionar os povos independentes".

Chávez aproveitou a ocasião para confirmar que o presidente da Bielorússia, Aleksandr Lukashenko, o visitará na próxima segunda-feira e comentou que ele, Lukashenko e Ahmadinejad são tidos como "ditadores", apesar de terem sido eleitos em pleitos democráticos.

"Todos nós somos ditadores, o ditador Ahmadinejad, o ditador Lukashenko e o ditador Chávez, mas acontece que fomos eleitos e reeleitos com altíssimas porcentagens", afirmou.

Ahmadinejad indicou que Lukashenko "também é um homem revolucionário" e assinalou que, para o império, "a democracia é o que eles definem, não o que o povo quer".

"Sob o nome da liberdade, levaram ao poder todos os ditadores", acrescentou o presidente iraniano, antes de acusar os EUA de exportarem "democracia ao Iraque", matando um milhão de pessoas, deixando quatro milhões de refugiados e destruindo sua infraestrutura. "Esta é a democracia com fuzil", sentenciou.

O governante iraniano chegou a Caracas após os Estados Unidos confiarem que a Venezuela o pressionaria com relação a seu programa nuclear e advertirem Caracas sobre a possibilidade de violar sanções impostas ao Irã com seu novo programa de aviões não tripulados.

Ao aludir aos aviões não tripulados, Chávez assegurou que "há um escândalo por isso" e esclareceu "não têm armas nem nada". "Isso é para aumentar nossa capacidade de vigilância sobre nosso território", assegurou Chávez, que também agradeceu a China pelo lançamento, em breve, do segundo satélite do país.

O líder bolivariano destacou que o "desenvolvimento integral da Venezuela" só poderá ser alcançado graças à revolução, "assim como foi alcançado pelo China" e como "foi alcançado pelo Irã, graças à revolução islâmica".

Ao analisar os programas bilaterais, Chávez destacou que no ano passado foi quebrado um "recorde histórico" com a construção de 146.718 casas com o apoio iraniano e que em 2012 o número já chega a 70.600. "Para este ano, temos a meta de construir 200 mil casas", ressaltou o chefe de Estado venezuelano.

Por fim, Chávez anunciou que seu objetivo é levantar três milhões de unidades habitacionais nos próximos seis anos, ou seja, no período 2013-2019, para o qual ele buscará sua terceira reeleição no pleito de outubro.

EFE   
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