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Chávez diz que vida do presidente do Equador está "em perigo"

30 set 2010
15h42
atualizado às 22h03

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta quinta-feira que a vida do presidente do Equador, Rafael Correa, está em perigo e pediu que o Exército equatoriano não apoie um "golpe" contra ele.

Veja momento em que presidente do Equador é atacado

Chávez afirmou à televisão estatal venezuelana que os policiais equatorianos em protesto estariam fazendo exigências a Correa em um hospital em Quito onde o presidente equatoriano estaria "sequestrado".

Chávez também alertou nesta quinta os países da Alba e da Unasul de que estão tentando "derrubar" seu colega equatoriano Rafael Correa e garantiu em uma conversa por telefone que terá total "apoio" e "solidariedade" da Venezuela.

"Estão tentando derrubar o presidente Correa. Alerta aos povos da Aliança Bolivariana! Alerta aos povos da Unasul! Viva Correa!", disse Chávez, na sua página da rede social Twitter.

Segundo um comunicado divulgado posteriormente pelo Ministério de Relações Exteriores em Caracas, Chávez e Correa conversaram por telefone nesta quinta-feira e o presidente equatoriano confirmou "que se trata de uma tentativa de golpe de Estado" causada pela "insubordinação de um setor da Polícia Nacional às autoridades e às leis".

Correa vive nesta quinta-feira a maior crise em quase quatro anos de governo, com protestos de policiais e militares que rejeitam uma lei governista que prevê cortes nos benefícios.

Chávez "manifestou seu apoio ao Presidente Constitucional de nossa irmã República do Equador e condenou, em nome do Povo da Venezuela e da Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América (Alba), este golpe na Constituição e no Povo do Equador", indicou o comunicado oficial.

O governo venezuelano também expressou "sua confiança" de que Correa e o povo do Equador "derrotarão esta tentativa de golpe de Estado".

Correa foi levado para um hospital de Quito, depois de ter sido agredido e denunciou que um grupo de manifestantes tentava entrar em seu quarto. Em seguida, o governo decretou estado de exceção.

"Fascistas"
Chávez considerou a violência no Equador "outra rosnadela das bestas fascistas" contra governos da região que "levantam a bandeira do socialismo democrático" e anunciou uma reunião de emergência da Unasul em Buenos Aires.

"É outra rosnadela das bestas fascistas que pretendem deter o rumo da história (...) Os governos que têm levantado a bandeira do socialismo democrático têm estado na mira da extrema direita, cujo amo sabemos onde está. Em Washington", disse Chávez à emissora estatal Telesur, com sede em Caracas.

Segundo o presidente venezuelano, o que acontece no Equador é comparável ao golpe de Estado ocorrido em 2009, em Hondruas, que tirou do poder o presidente Manuel Zelaya, e o golpe fracassado contra ele mesmo, em abril de 2002.

Chávez disse que seria "ingenuo" pensar que por trás desta onda de violência esteja unicamente uma motivação salarial. "Esta é uma operação militar planejada (...) Uma operação que vem sendo preparada. São as forças do obscurantismo, da extrema direita", disse, criticando a morna reação dos Estados Unidos com relação ao que acontece no Equador.

"Tenho fé em que os militares não se prestem a um golpe de Estado, a que o presidente seja agredido ou assassinado, o povo massacrado ou deposto um governo democrático, progressista, pacífico, humanista", disse.

Chávez anunciou, ainda, uma reunião de emergência da União Sul-americana de Nações (Unasul), que será celebrada nas próximas horas, em Buenos Aires.

"Estamos fazendo o que precisa ser feito, denunciando com força, comunicando-nos os governos do continente, mas é preciso repetir: só os equatorianos poderão salvar a democracia no Equador", reforçou.

Chávez explicou ter falado com Correa quatro vezes e que ele confirmou que estava "sequestrado" em um hospital da polícia, acompanhado por um pequeno grupo de colaboradores e que teme por sua vida. "Não aceitaremos um governo saído de um golpe de Estado, nem no Equador, nem em qualquer outra parte", avisou Chávez.

Protestos
Os distúrbios registrados no Equador têm origem na recusa dos militares em aceitar uma reforma legal proposta pelo presidente Rafael Correa para reduzir os custos do Estado. As medidas preveem a eliminação de benefícios econômicos das tropas. Além disso, o presidente também considera a dissolução do Congresso, o que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições, depois que membros do próprio partido de Correa, de esquerda, bloquearam no legislativo projetos do governante.

Isso fez com que centenas de agentes das forças de segurança do país saíssem às ruas da capital Quito para protestar. O aeroporto internacional chegou a ser fechado. No principal regimento da cidade, Correa tentou abafar o levante. Houve confusão, e o presidente foi agredido e atingido com bombas de gás. Correa precisou ser levado a um hospital para ser atendido. De lá, disse que há uma tentativa de golpe de Estado. Foi declarado estado de exceção no Equador - com militares convocados para garantir a segurança nas ruas. Mesmo assim, milhares de pessoas saíram às ruas da cidade para apoiar o presidente equatoriano.

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