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Caso Snowden monopoliza os debates na 45ª Cúpula do Mercosul

Em todas as falas dos presidentes nesta sexta-feira, foi abordado o tema da garantia da soberania e o repúdio aos atos de espionagem dos EUA

12 jul 2013
20h48
atualizado às 20h55
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Se é possível dizer que existiu um protagonista nessa edição de número 45 da cúpula do Mercosul, o nome para ele seria Edward Snowden. Suas denúncias de que os EUA estariam espionando a vida virtual de cidadãos e empresas ao redor do globo caíram como uma bomba no ambiente das relações internacionais.

<p>Dilma Rousseff posa para foto oficial durante Cúpula dos Estados Parte e Estados Associados do Mercosul e convidados especiais</p>
Dilma Rousseff posa para foto oficial durante Cúpula dos Estados Parte e Estados Associados do Mercosul e convidados especiais
Foto: Roberto Stuckert Filho / PR / Agência Brasil

A coincidência de destino - Rússia - entre o jovem ex-analista da CIA, Edward Snowden, e o presidente boliviano, Evo Morales gerou a desconfiança de que o presidente poderia trazer o fugitivo escondido em seu avião. O resultado disso foi a retenção do avião presidencial em Viena, e a proibição de sua circulação em espaço aéreo espanhol, português e francês, em junho.

E por que falar desses eventos para explicar a configuração da primeira reunião de cúpula do Mercosul depois do falecimento de Hugo Chávez? Porque, como diria, o histórico presidente da república bolivariana, “é tudo fruto do imperialismo”. As polêmicas geradas pela política norte-americana foram as principais pautas debatidas em Montevidéu.

Um exemplo disso é que, em todas as falas concedidas pelos presidentes durante as declarações de hoje à tarde, foi abordado o tema da garantia da soberania e o repúdio aos atos de espionagem. Maduro, o novo presidente pró-tempore do Bloco, declarou que a condenação do episódio de que foi vítima Evo Morales gerou a formulação de um conjunto de ações para exigir explicações e desculpas públicas. Dilma também reafirmou o sentimento de solidariedade a Evo e a importância de rechaçar qualquer ato que fira a privacidade dos cidadãos.

Adiamentos
Os países declararam em uníssono que apoiam o direito de Snowden ao asilo, mas nenhum se pronunciou quanto à concretude da negociação. A presidente argentina, Cristina Kirchner, ressaltou a importância dessa política para os cidadãos latino-americanos que tiveram que fugir de seus países em consequência da perseguição infringida pelos governos militares.

A Argentina, aliás, foi um dos únicos países a citar dados números para explicar o crescimento dos países do Bloco. Cristina apontou uma mudança drástica nos números do Produto Interno Bruto de cada um dos países latino-americanos em relação aos índices do resto do mundo. Segundo a presidente, é a primeira vez na história que o bloco atinge um número (US$ 11, 812 per capita) mais alto do que os demais países (US$ 10.980 per capita). Crustina fez questão de enfatizar que não estava discutindo ideologias políticas “Estou falando de dólares, de números, não de ideias”.

No entanto, a discussão dos números que regulamentariam um acordo automotivo entre Brasil e Argentina ficou para outra ocasião. O atraso nos compromissos oficiais impediu que Dilma e Cristina pudessem se reunir para tratar desse tema. E o retorno do Paraguai, que prometia ser vedete do encontro, acabou sendo confirmado para o dia 15 de agosto, data da posse de Horácio Cartes. Nenhum membro do governo paraguaio compareceu a esta edição da cúpula.

O clima pesado de chuva e frio em de Montevidéu nestes dias parece haver refletido também nas decisões do grupo para as questões como o incidente com Evo Morales. Em comunicado oficial, o grupo disse que fará uma convocatória dos embaixadores latino-americanos na Espanha, França e Portugal, a qual poderia ter consequências graves, caso os europeus decidam não dar as explicações solicitadas.

Fonte: Especial para Terra
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